A PF (Polícia Federal) afirma ter identificado indícios de atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em temas legislativos de interesse do Banco Master.A conclusão consta na representação apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o banco. Jaques foi alvo de busca e apreensão nesta quinta (18).Segundo a PF, a atuação parlamentar de Jaques aparece como um dos elementos que reforçam a relação entre o senador e os investigados. Os policiais destacam sua participação em discussões sobre o crédito consignado, especialmente na tramitação de uma emenda que impunha limite de 300% aos juros cobrados.De acordo com a investigação, o tema ganhou relevância em período próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa vinculada ao núcleo familiar do parlamentar. Leia mais Receita detectou movimentação de R$ 50 bi por 37 bets ilegais, diz Durigan "Não foi acidente", diz pai de youtuber morto em queda de helicóptero no RJ Wall Street avança com otimismo sobre Oriente Médio Outro ponto citado pela PF envolve a proposta do senador Ciro Nogueira (PP-PI) de aumentar para R$ 1 milhão o limite da cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que beneficiaria diretamente o Master.Os investigadores descrevem uma sequência de contatos entre Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, gestores do banco, com integrantes do gabinete de Jaques Wagner durante a tramitação da proposta.Segundo a representação, em 13 de agosto de 2024, data da inclusão da emenda de Ciro, Augusto Ferreira Lima realizou uma ligação de mais de nove minutos para o senador. Logo após a conversa, ele enviou a Wagner o link da proposta legislativa. Duas semanas depois, em 27 de agosto, após um encontro presencial, Augusto voltou a encaminhar ao parlamentar o mesmo material.A PF também destaca uma mensagem enviada por Augusto Ferreira Lima a Jaques Wagner em 29 de março de 2025, durante explicações sobre a operação de venda do Banco Master ao BRB. Na conversa, Augusto afirmou ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.“Em juízo perfunctório, a frase indica que Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, afirma a PF.A CNN entrou em contato com a equipe do senador, que ainda não se manifestou sobre os apontamentos da Polícia Federal. O espaço segue em aberto.