Uma sonda de raios X da NASA conseguiu capturar a visão mais detalhada já obtida do jato em erupção do buraco negro supermassivo M87*.Segundo a Space, a descoberta ajuda a entender melhor como esses jatos se formam e como acabam influenciando suas galáxias, revelando estruturas que antes simplesmente não eram visíveis.Sonda Chandra da NASA captura o jato do buraco negro M87* com nível de detalhe inédito em raios X. Imagem: X-ray: NASA/CXC/Univ. Laval/C. Poitras et al.; IR: NASA/CSA/STScI; Radio:NSF/NRAO/VLA; Optical: NASA/ESA/STScI; Image Processing: NASA/CXC/SAO/L. Frattare – Imagem: X-ray: NASA/CXC/Univ. Laval/C. Poitras et al.; IR: NASA/CSA/STScI; Radio:NSF/NRAO/VLA; Optical: NASA/ESA/STScI; Image Processing: NASA/CXC/SAO/L. FrattareO olhar mais detalhado já feito em raios XAstrônomos usando a sonda Chandra, da NASA, registraram a imagem mais detalhada até hoje do jato emitido pelo buraco negro supermassivo M87*, no centro da galáxia Messier 87. Ele ficou famoso em 2019, quando entrou para a história como o primeiro buraco negro já fotografado pela humanidade. Está a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra e tem uma massa estimada em 6,5 bilhões de vezes a do Sol.Em comunicado, a equipe destaca um ponto simples: o Chandra, ao operar em raios X, consegue enxergar justamente as regiões mais extremas do universo. O que não aparece em luz visível, aqui ganha forma.O que os raios X revelaram no jatoOs dados mostram algo que chama atenção: o jato é muito mais complexo do que parecia antes. Em outras faixas de luz, como o visível e o infravermelho, ele já havia sido observado. Mas agora, em raios X, a estrutura aparece mais separada, mais “viva”, digamos assim.“Já podíamos observar mudanças no jato, mas nunca com esse nível de detalhe em raios X.”Estruturas internas bem mais definidas do que antesMovimento contínuo de material ao longo do jatoMais de dez anos de observações comparadasDiferenças claras entre comprimentos de ondaNa prática, isso muda bastante a leitura do fenômeno. O que parecia algo quase contínuo agora lembra um sistema em transformação constante — como se fosse um registro em movimento, quadro a quadro.Estudo da NASA reforça como buracos negros supermassivos influenciam a evolução das suas galáxias Imagem: EHT CollaborationUm laboratório cósmico para entender galáxiasEsse tipo de jato não é só um “efeito colateral” do buraco negro. Ele interfere diretamente no ambiente da galáxia. Ao se alimentar, o M87* puxa matéria para seus polos e dispara jatos que atravessam milhares de anos-luz, carregando energia em velocidades próximas à da luz.Segundo os pesquisadores, esses jatos acabam redistribuindo energia no espaço ao redor da galáxia, afetando gás e poeira ao longo de milhões de anos. É um processo lento, mas extremamente poderoso.Leia mais:Astrônomos descobrem ventos de buraco negro rápidos como forte furacãoMistério dos pontos vermelhos pequenos pode estar próximo da soluçãoJames Webb detecta buraco negro adormecido mais distante, invisível e com massa de 6 bilhões de sóisEm alguns momentos, o movimento parece até ultrapassar a velocidade da luz — cerca de cinco vezes mais rápido. Mas não é isso que acontece. É um efeito óptico, já conhecido pela física: quando o material viaja quase na direção da Terra a velocidades extremas, ele cria essa ilusão. Einstein já explicava esse tipo de comportamento há décadas.“Esses resultados demonstram o quão excepcionalmente poderoso o Chandra continua sendo para rastrear a evolução de fenômenos extremos em longas escalas de tempo.”O estudo foi apresentado na 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana e também está disponível em pré-publicação no arXiv. E, apesar dos avanços, uma coisa fica clara: quanto mais se observa o M87*, o universo parece muito mais complexo do que simples.O post Esse buraco negro famoso voltou a surpreender cientistas apareceu primeiro em Olhar Digital.