O governo do Pará concedeu um pacote de incentivos fiscais para o desenvolvimento do Projeto Jaguar, da australiana Centaurus Metals, um dos projetos de níquel mais promissores em desenvolvimento no Brasil.Os benefícios foram concedidos à subsidiária brasileira Centaurus Níquel Ltda, que controla 100% do empreendimento, localizado na província mineral de Carajás, no Pará.Segundo a empresa, os incentivos passam a valer imediatamente e foram concedidos com base na legislação estadual para operações de níquel que atendam critérios como relevância do investimento e compromissos ambientais, sociais e de governança. Leia Mais G7 fecha acordo de terras raras, irrita China e Brasil vê oportunidade Brazil Iron diz ter US$ 30 bi em offtakes “amarrados” com Ásia e Europa Canadense prevê R$ 955 milhões para projeto de terras raras e titânio em MG O pacote envolve o ICMS, principal imposto estadual sobre circulação de mercadorias, transporte e serviços. No Pará, a alíquota padrão do tributo é de 20%.Entre os benefícios concedidos estão isenção total de ICMS sobre compras de bens, equipamentos, matérias-primas e reagentes feitas dentro do Pará, além de isenção sobre importações de matérias-primas, reagentes e equipamentos que não sejam fabricados no Brasil.O projeto também terá isenção sobre a diferença entre o ICMS cobrado no Pará e o imposto aplicado em outros estados na compra de equipamentos. Além disso, haverá redução de 50% do ICMS sobre energia elétrica e combustíveis adquiridos no estado.Na prática, o pacote reduz custos relevantes de implantação e operação do projeto. Em mineração, equipamentos, energia e combustível estão entre os principais componentes de custo, especialmente em projetos de grande porte.O anúncio ocorre em um momento em que a Centaurus avança na estruturação financeira do Jaguar.A empresa já recebeu uma carta de intenção do BNDES para financiamento de até R$ 1 bilhão e informou ter recebido interesse de dez financiadores internacionais, com propostas não vinculantes de até US$ 320 milhões.O projeto também já conta com um contrato vinculante de venda futura com a Glencore, uma das maiores empresas globais de commodities.O acordo prevê o fornecimento de 20 mil toneladas por ano de concentrado de níquel, volume equivalente a cerca de um terço da produção anual prevista para o Jaguar.O produto a ser vendido não é o níquel metálico puro, mas concentrado de níquel, uma etapa intermediária da cadeia mineral. Depois do beneficiamento, o material ainda precisa passar por fundição e refino para ser transformado em produtos de maior valor agregado, como níquel de alta pureza usado em aço inoxidável, ligas metálicas e baterias.O níquel é considerado um mineral estratégico para a transição energética, devido ao uso em baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. O Projeto Jaguar é baseado em níquel sulfetado, tipo de minério visto como mais adequado para rotas de produção de níquel de maior qualidade.A empresa afirma que segue avançando no pacote de financiamento do projeto para apoiar a decisão final de investimento, prevista para o fim de setembro de 2026.