O acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, ao reduzir o prêmio de risco geopolítico no petróleo, afetou o preço da commodity e desencadeou uma forte queda recente nas ações de petroleiras listadas na B3, como Petrobras (PETR3;PETR4), PRIO (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Brava (BRAV3). A correção levanta a principal dúvida entre investidores: ainda vale a pena manter posição no setor?A resposta, segundo analistas, passa por um equilíbrio entre o impacto negativo de curto prazo e fundamentos ainda sólidos de geração de caixa, especialmente em um cenário em que o Brent, mesmo em queda, segue em patamares elevados.De acordo com relatório da XP, a avaliação das petroleiras brasileiras continua atrativa. Mesmo com a recente acomodação do petróleo, a casa destaca que, se o Brent alcançar média de US$ 90 por barril entre o segundo e o quarto trimestre de 2026, os rendimentos de FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) permanecem elevados — cerca de 24% para PRIO e 15% para Petrobras, suas principais escolhas no setor.Mesmo em um cenário mais conservador, com o Brent a US$ 70 por barril em 2027, os retornos seguiriam robustos: aproximadamente 23% para PRIO, 11% para Petrobras e 8% para PetroReconcavo, enquanto a Brava poderia alcançar quase 30%, beneficiada por menor necessidade de investimentos (capex).Na leitura da XP, Petrobras e PRIO seguem oferecendo o melhor equilíbrio entre risco e retorno no curto e médio prazo, enquanto a Brava pode ganhar atratividade caso o petróleo sustente níveis acima de US$ 70 por barril.Pressão no curto prazo e efeito do governoApesar do cenário geral mais positivo, o curto prazo tende a ser mais desafiador. Para Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, o impacto imediato da queda do petróleo é “direto e majoritariamente negativo”.Leia tambémComo fim da guerra afeta o seu dinheiro? 6 respostas sobre juros, renda fixa e bolsaEspecialistas avaliam que o acordo não desfaz o choque inflacionário nem reabre espaço para corte de juros, e que o eixo de risco se desloca da geopolítica para outros temasSegundo ele, a Petrobras sofre com compressão de margens operacionais, enquanto empresas independentes, como PRIO, perdem parte da atratividade à medida que o Brent se afasta dos níveis que justificam investimentos mais agressivos em exploração.Além disso, medidas recentes do governo brasileiro adicionam ruído ao cenário. Entre elas estão um imposto sobre exportação de petróleo e subsídios aos combustíveis — incluindo R$ 1,12/l e R$ 0,35/l para o diesel e R$ 0,44/l para a gasolina.Embora essas iniciativas limitem o repasse integral dos preços internacionais, elas também compensam parcialmente as petroleiras. No caso da Petrobras, a XP estima que os subsídios possam gerar um benefício incremental de US$ 7,6 bilhões em FCFE entre o segundo e o quarto trimestre de 2026, contribuindo para um fluxo de caixa total de cerca de US$ 17,9 bilhões no ano, considerando Brent a US$ 90.Sensibilidade ao petróleo e diferenças entre empresasA sensibilidade ao preço do barril segue como principal diferencial entre as companhias. A PRIO é apontada como a mais exposta às oscilações do petróleo, o que amplia perdas em momentos de queda, mas também potencializa ganhos em cenários favoráveis.Já Petrobras tende a funcionar como nome mais defensivo. Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, a estatal ainda deve sustentar dividend yield próximo de 10% mesmo com o Brent ao redor de US$ 80, apoiada por sua forte geração de caixa.PetroReconcavo (RECV3) e Brava (BRAV3), por sua vez, aparecem em posição intermediária. Ambas adotaram estratégias de hedge que protegem contra quedas bruscas, mas limitam os ganhos em períodos de alta. Segundo a XP, essas operações já implicam perdas financeiras relevantes: cerca de R$ 1,5 bilhão para a Brava e R$ 0,47 bilhão para a PetroReconcavo.Leia tambémAcordo EUA-Irã derruba petróleo, mas alívio na inflação exige cautelaFim das tensões no Oriente Médio alivia mercado de energia, mas reposição estrutural de estoques e dinâmica da Petrobras limitam o corte de juros no Brasil e nos EUA. Na visão de Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, o Brent tende a se estabilizar entre US$ 80 e US$ 85 por barril, caso o acordo entre EUA e Irã avance sem novos episódios de tensão. Esse movimento retiraria um importante vetor de alta para o setor no curto prazo.Já Fábio Murad, da Ipê Avaliações, ressalta que o acordo reduz o risco geopolítico, mas não elimina a volatilidade, o que mantém o cenário incerto. “Parte da alta recente estava ligada justamente ao risco de restrições no Estreito de Ormuz”, afirma.Ainda assim, analistas convergem na leitura de que a recente queda pode abrir oportunidades seletivas — sobretudo em momentos de estresse de mercado. Para Uarian, episódios de “oversold” podem ser interessantes, desde que o investidor privilegie empresas com baixo custo de extração, forte geração de caixa e estrutura de capital mais sólida.O que fazer?Após a queda, o consenso é que o setor continua atrativo, mas exige maior seletividade. Petrobras e PRIO aparecem como principais apostas, com perfis distintos: a estatal como alternativa mais defensiva e geradora de dividendos, e a PRIO como veículo de exposição direta ao petróleo.Já nomes como Brava e PetroReconcavo podem ganhar espaço em cenários mais favoráveis ao Brent, mas seguem mais sensíveis a fatores operacionais e financeiros.A XP tem recomendação de compra para Petrobras (PETR4), PRIO e Brava, com preços-alvo respectivos de R$ 63, R$ 78 e R$ 25 e neutra para RECV3, com preço-alvo de R$ 13. The post Petrobras, PRIO e mais: o que fazer com as ações após queda forte com acordo EUA-Irã? appeared first on InfoMoney.