Os preços do petróleo caíam cerca de 3% nesta terça-feira (16), atingindo novas mínimas de três meses, conforme os mercados avaliavam as perspectivas de retomada do abastecimento pelo Estreito de Ormuz, juntamente com a demanda física mais fraca e os poucos detalhes sobre um acordo preliminar para pôr fim à guerra no Irã.Os futuros do petróleo Brent caíam US$ 2,55, ou 3,07%, para US$ 80,62 o barril por volta de 11h (horário de Brasília). Anteriormente, haviam atingido US$ 79,61, a menor cotação desde 3 de março, e a primeira vez que ficaram abaixo de US$ 80 desde aquela data.O West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caía US$ 2,93, ou 3,63%, para US$ 77,82 por barril. A mínima intradiária do WTI, de US$ 76,88, foi a mais baixa desde 10 de março.Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, os futuros do Brent e do WTI eram negociados em torno de US$65 a US$70 por barril.Os preços do petróleo caíram quase 5% na segunda-feira, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo provisório para encerrar a guerra entre os EUA, Israel e o Irã, embora os detalhes completos ainda não tenham sido divulgados.O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse nesta terça-feira que o Irã e os EUA iniciariam uma nova rodada de negociações na Suíça na sexta-feira para chegar a um acordo final.“Os riscos de queda no curto prazo permanecem, já que o mercado precifica uma reabertura mais rápida do Estreito e o retorno dos barris retidos”, disse o analista do Saxo Bank, Ole Hansen.No entanto, os estoques esgotados, a demanda sazonal, a reconstituição estratégica dos estoques e a incerteza geopolítica persistente sugerem que o caminho de volta aos preços pré-guerra pode ser muito menos direto do que o otimismo atual do mercado sugere, disse Hansen.Investidores de olho na reabertura do EstreitoO conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo.Até o momento, poucos petroleiros cruzaram o estreito desde que o acordo preliminar foi anunciado, embora os navios tenham vindo transportando discretamente barris ao longo da costa de Omã há semanas, navegando “à escuridão” com o apoio da Marinha dos EUA. As transportadoras aguardam garantias de segurança para cruzar o estreito, incluindo a remoção de minas.As Forças Armadas dos EUA têm supervisionado dezenas de transferências secretas de petróleo de navio para navio para manter o fluxo das exportações de energia do Golfo, utilizando drones aéreos e aquáticos, bem como helicópteros, em uma operação para guiar os comboios até os petroleiros que os aguardam.As primeiras indicações sugerem que o acordo entre os EUA e o Irã reabriria o estreito bloqueado e prorrogaria o cessar-fogo por 60 dias, ganhando tempo para negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.Alguns analistas esperam que os fluxos pelo estreito sejam retomados em breve, o que aumentaria a pressão de baixa nos mercados físicos, que já se encontram fracos.O Goldman Sachs reduziu sua previsão para o Brent no quarto trimestre de US$90 para US$80 por barril e cortou sua estimativa média para 2027 de US$80 para US$75, afirmando que agora presume que as exportações do Golfo Pérsico retornem aos níveis pré-guerra até o final de julho, em vez de no final de agosto.