Por que Ibovespa passou a cair após chegar a subir mais de 1% com acordo EUA-Irã?

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Após operar durante a manhã com alta de mais de 1%, o Ibovespa passou a cair na tarde desta segunda-feira (15). Mesmo com o otimismo nos mercados globais pela possibilidade mais firme de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, o índice brasileiro recua 0,29% às 15h45 (horário de Brasília), aos 170.6343 pontos, acompanhando o movimento do petróleo.A commodity despenca quase 5% após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar ontem um acordo de paz com o Irã, que deve ser assinado na sexta-feira. O pacto consiste em um cessar-fogo de 60 dias e determina a interrupção permanente das operações militares (incluindo no Líbano), além de exigir a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita quase 20% do petróleo mundial.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa vira para queda e vai na contramão do otimismo globalBolsas dos EUA avançam com acordo de fim da guerra e nova alta de SpaceXO efeito positivo das negociações, que podem encerrar o conflito em curso no Oriente Médio, seria o de aliviar pressões sobre a política monetária — mas não agora, segundo Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora.“O alívio externo chega em um momento delicado para a política monetária”, escreve em relatório do Daycoval. Ele cita o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que desacelerou, mas ficou ligeiramente acima das expectativas. “Isso reforçou a percepção de que os núcleos de inflação continuam pressionados, enquanto a atividade econômica permanece resiliente.”Para Carlos Lopes, economista do BV, o fim dos conflitos entre EUA e Irã deve dar alguma confiança para o Banco Central diminuir a Selic nesta semana, como era a intenção original. “Mas, mesmo com o fim da guerra, acho que será necessário, após o corte desta semana, uma pausa para avaliar os efeitos defasados do choque sobre uma economia que ainda está aquecida e superestimulada pelo gasto público”, diz.Além do potencial impacto no médio e longo prazo sobre a inflação global, o acordo também teria o condão de reduzir parte dos prêmios de risco geopolítico incorporados aos mercados globais.“Em um primeiro momento, isso favorece ativos de maior risco, especialmente em mercados emergentes, ao mesmo tempo em que reduz a demanda por ativos considerados defensivos, como o dólar e o preço do barril de petróleo”, diz Luciano Carvalho, CEO do Banco Moneycorp.É justamente o movimento da commodity que ajuda a explicar o recuo do Ibovespa nesta tarde, por causa do peso das ações de petroleiras no índice, apesar de a dinâmica favorecer emergentes em um primeiro olhar. Com 12% de sua composição concentrados apenas em PETR4 e PETR3, que recuam 4,74% e 4,91%, respectivamente, às 15h47, o índice brasileiro sofre mesmo em um dia de alta de outra commodity relevante.O minério de ferro, que fechou com valorização de 0,65% em Dalian, na China, faz os papéis da Vale (VALE3) subirem 3,17% e ajudou a sustentar o Ibov durante a manhã. A queda do petróleo, porém, fez com que o índice virasse para queda.Ibov a 200 mil?Conforme explica Patrick Buss, especialista de renda variável da Manchester Investimentos, se a guerra se resolver, o Ibovespa teria espaço para recuperar a marca de até 195 mil pontos ou, quem sabe, chegar aos 200 mil pontos. Se isso acontecer, diz, ficarão mais claros os efeitos do conflito na evolução do índice. “Agora, se voltar para a faixa dos 180 mil pontos, por exemplo, o ‘fator eleição’ pode ser o motivo”, afirma.É a mesma visão de Carvalho, do Moneycorp, que considera possível que haja uma reação positiva no médio prazo, com destaque para setores mais sensíveis ao ciclo econômico e ao apetite por risco. “No Brasil, porém, a sustentação desse movimento continuará condicionada aos fundamentos locais, em especial à política fiscal, à dinâmica inflacionária e ao rumo da política monetária”, conclui.(com Estadão Conteúdo)The post Por que Ibovespa passou a cair após chegar a subir mais de 1% com acordo EUA-Irã? appeared first on InfoMoney.