Dirigimos: ex-elétrico, Fiat 500 Hybrid segue Pulse e Fastback e prova que o futuro pode esperar

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O mercado de carros urbanos na Europa vem encolhendo vertiginosamente desde a pandemia, e há discussões para a criação de um segmento de automóveis elétricos mais simples, com regras comuns para todas as marcas, como tentativa de revitalizar o segmento. “Desde a pandemia, o segmento A encolheu 1 milhão de unidades por ano na Europa. De 17 modelos que existiam antes da crise sanitária, hoje restam seis, afirma Olivier François, CEO da Fiat, em conversa que ocorreu exatamente diante do novo Fiat 500 Hybrid.Derivado da versão elétrica pura, o 500 Hybrid tem dimensões maiores que as do antecessor a combustãoDivulgação/Quatro RodasIsso aconteceu porque as normas de controle das emissões e de segurança se tornaram tão severas que a tecnologia necessária encareceu os modelos desta classe acima do que os clientes podiam pagar, levando à sua extinção, um após o outro.O 500 foi o primeiro automóvel totalmente elétrico da Fiat, no final de 2020, mas o seu preço disparou para valores que poucos clientes se mostraram dispostos a pagar. Num primeiro momento foram feitas interrupções na produção em Mirafiori (Turim). Agora surge o reconhecimento oficial de que se tratava de um modelo inviável, acima de 25.000 euros, quando o posicionamento de um 500 deve estar abaixo dos 20.000 euros (cerca de R$ 120.000) para as versões básicas.O desempenho é fraco, mas o consumo é muito bom para um carro urbanoDivulgação/Quatro RodasO resultado é que, de produto muito lucrativo – o 500 era um dos que ofereciam a maior margem para a fabricante italiana, e com volumes de vendas anuais de até 200.000 unidades –, o 500 passou a apresentar emplacamentos residuais. Com isso, a Fiat transferiu a produção da Polônia para a Itália, onde já era feito o 500e, mas a uma cadência de produção anual muito aquém das 80.000 previstas no seu lançamento. Continua após a publicidadeO CEO da empresa admite que “a ideia de retroceder nunca é fácil de aceitar, mas não existia outra alternativa”. Só assim o 500 poderia continuar a sua bem-sucedida carreira iniciada em 1957, interrompida em 1975 e retomada em 2007.A cabine continua apertada, no entanto o bom comportamento dinâmico do carro faz o motorista esquecer esse detalheDivulgação/Quatro RodasSeja como for, o 500 Hybrid é um automóvel histórico porque é o primeiro com motor a gasolina feito a partir de uma plataforma elétrica, quando até hoje sempre assistimos ao processo inverso: carros elétricos desenvolvidos a partir de plataformas de automóveis com motores a combustão (quando não concebidos diretamente sobre plataformas elétricas).engenharia reversa O engenheiro Francesco Morosini, um dos diretores à frente da ressurreição do 500, explica que a parte inferior do carro teve de ser redesenhada, caso da área onde vai o motor. Outras providências foram tomadas para a instalação de tanque de gasolina, câmbio, sistema de escapamento, além de uma pequena bateria (de 0,15 kWh), no lugar da grande (42 kWh). Há ainda uma entrada de ar adicional na dianteira para refrigeração do motor.Em termos de dimensões exteriores, o 500 Hybrid é igual ao 500e no comprimento (3,63 m), na largura (1,68 m) e na distância entre-eixos (2,32 m). A altura subiu apenas 0,5 cm (1,53m). O porta-malas também tem praticamente a mesma capacidade: 183 litros, dois a menos que o do carro elétrico. Continua após a publicidadeNome de tradição na marca, o 500 híbrido é feito na Itália, enquanto seu antecessor era produzido na PolôniaDivulgação/Quatro Rodas–Divulgação/Quatro Rodas–Divulgação/Quatro RodasComo o 500 cresceu quando se tornou elétrico, isso significa que este Hybrid é mais espaçoso que o modelo anterior a combustão. Mesmo assim, continua muito apertado para ocupantes no banco traseiro.Ao volante, não se bate mais o cotovelo na porta, como era comum no modelo anterior, mas o joelho direito ainda se estranha facilmente com a área próxima da alavanca de câmbio, porque – ao contrário do que acontecia no 500e – a caixa de transmissão manual (de seis marchas) voltou a ocupar seu antigo espaço. Continua após a publicidadeO porta-luvas, surpresa, é amplo e os materiais que revestem o painel e as portas são todos de toque duro, padrão nesse segmento. Mas a montagem aparenta solidez. O painel é totalmente plano e contém poucos comandos físicos (os que existem estão em posição quase horizontal, e servem para controlar a climatização).A tela de 10,25” é configurável. O grafismo, a rapidez de funcionamento, a possibilidade de emparelhamento simultâneo de dois celulares e a personalização de até cinco perfis de usuários são alguns dos recursos. Entre as tecnologias disponíveis, há farol alto automático, piloto automático adaptativo, conectividade Apple e Android sem fio, carregamento por indução, câmera traseira HD, frenagem de emergência com deteção de pessoas e ciclistas. O revestimento emprega materiais reciclados e imitação de couro.O sistema híbrido leve (de 12 volts) usa motor 1.0 de três cilindros aspirado, de modestos 65 cv e 9,4 kgfm, e um elétrico de apenas 4 cv que dá um pequeno apoio nas acelerações e permite que o motor a gasolina desligue em situações de baixa carga de acelerador.É bom evitar que a rotação caia abaixo de 2.000 rpm (90% do torque está disponível a 2.200 rpm), sob pena de perda de rendimento nas retomadas. A sexta marcha é bastante longa, para beneficiar o consumo nas estradas, mas essa opção pode comprometer uma eventual ultrapassagem.Acima de 3.000 rpm a sonoridade do três-cilindros se manifesta em forma de cortador de grama. A aceleração de 0 a 100 km/h leva longos 16,2 segundos, o que faz do 500 Hybrid um carro tipicamente urbano. A velocidade máxima é de 155 km/h. Continua após a publicidadeO carro é bastante lento, quando comparado à versão elétrica. Mesmo sendo 300 quilos mais pesado (por causa da bateria), o 500e com motor de 87 kW/118 cv vai de 0 a 100 km/h em quase a metade do tempo (9,0 s).A suspensão tem regulagem equilibrada, entre estabilidade e conforto. As bitolas mais largas herdadas da versão elétrica ajudam. O eixo traseiro rígido sente bastante os pisos irregulares. A frenagem, que usa tambores nas rodas traseiras, consegue frear os pouco mais de 1.000 quilos do modelo sem problemas em uso cotidiano.O lado mais favorável do 500 Hybrid é a economia. Não só o consumo é bastante comedido (registramos média de 16,4 km/l em um trajeto quase exclusivamente urbano) como também o preço da versão de entrada (Pop), 17.000 euros (R$ 99.650), ou 10.000 euros abaixo do 500e (58.620). A versão mais cara, Prima, (fotos) custa 20.000 euros (R$ 117.230), e o modelo está disponível também com carroceria de três portas e cabrio.O 500 a combustão fez sucesso no Brasil. Mas a Fiat não diz se pretende trazer o modelo para ser vendido aqui, agora que os híbridos estão em alta.VeredictoO apelo do 500 é seu significado para a história do automóvel italiano. Ter preço mais acessível ajuda. Continua após a publicidade★★★★Ficha TécnicaPreço: 20.000 euros (R$ 117.230)Motor: diant. transv., híbrido leve, gasolina, 3 cil., 12V, 999 cm³, 65 cv/9,4 kgfm; elétrico, 4 cv/n/d kgfmBateria: íons de lítio, 0,15 kWhCâmbio: man., 6 m, dianteiraDireção: elétrica, diam. de giro, 9,6 mSuspensão: McPherson (diant.), eixo de torção (tras.)Freios: disco ventilado (diant.), tambor (tras.)Pneus: 185/65 R15Dimensões: compr., 363,2 cm; larg., 168,4 cm; alt., 153,2 cm; entre-eixos, 232,2 cm; peso, 1.066 kg; tanque, 37 l; porta-malas, 183 lDesempenho*: 0 a 100 km/h, 16,2 s; veloc. máx., 155 km/h*Dados de fábrica Publicidade