A investigação, intitulada Agregados familiares em transformação em Espanha e Portugal, foi desenvolvida pelos investigadores Albert Esteve, Juan Galeano e Jesús García, do Centre d’Estudis Demogràfics, com base em dados do Inquérito ao Emprego relativos ao período entre 1991 e 2022.Os resultados revelam uma mudança estrutural na forma como os portugueses vivem e organizam a vida familiar. Apesar de a população nacional ter aumentado apenas 4,4% no período analisado, o número de agregados familiares cresceu 25,9%, atingindo os 4,11 milhões.Segundo os investigadores, esta evolução explica-se sobretudo pela diminuição da dimensão média dos agregados familiares. Em 1991, cada agregado era composto, em média, por 3,1 pessoas. Em 2022, esse valor tinha descido para 2,5 pessoas. O estudo conclui que cerca de 85% do aumento do número total de agregados familiares em Portugal resulta precisamente desta redução da dimensão média das famílias.Ao mesmo tempo que as famílias numerosas se tornam cada vez menos comuns, os agregados compostos por duas pessoas consolidaram-se como o modelo mais frequente no país.Para Albert Esteve, investigador do Centre d’Estudis Demogràfics, Portugal está a atravessar uma transformação profunda nos modelos de convivência. “Portugal está a tornar-se um país de agregados familiares mais pequenos e mais individualizados. Esta transformação resulta do envelhecimento da população, das mudanças nos modelos familiares e das dificuldades de emancipação dos mais jovens”, afirma.Jovens saem mais tarde de casaO estudo identifica três fatores principais por detrás destas mudanças: o envelhecimento demográfico, a redução da natalidade e o aumento das separações e divórcios.Os investigadores destacam ainda o prolongamento da permanência dos jovens na casa dos pais. O fenómeno está associado às dificuldades de acesso à habitação, ao aumento do custo de vida e à crescente pressão sobre o mercado imobiliário.A análise dos diferentes ciclos de vida mostra também que os portugueses passam menos anos a viver com ambos os progenitores durante a infância e menos tempo a viver com filhos na idade adulta. Em contrapartida, aumenta o período de vida passado sozinho, especialmente nas idades mais avançadas. Mais anos de vida em solidãoEntre 1991 e 2022, o número médio de anos vividos sozinho aumentou de 4,2 para 5,8 anos. As diferenças entre homens e mulheres tornam-se particularmente evidentes nas fases mais tardias da vida. As mulheres apresentam uma incidência mais elevada de vida em agregados unipessoais, uma realidade associada à maior esperança média de vida feminina e à viuvez.O estudo regista ainda uma diminuição da convivência em famílias alargadas e um crescimento das estruturas monoparentais durante a infância.Os autores alertam que estas transformações terão consequências diretas nas necessidades habitacionais e na procura de serviços sociais. A redução da coabitação entre gerações e o declínio das famílias alargadas poderão aumentar a necessidade de respostas públicas de apoio e de cuidados dirigidos a uma população cada vez mais envelhecida.O conteúdo Portugueses vivem cada vez mais sozinhos e famílias numerosas caem 70% em três décadas aparece primeiro em Revista Líder.