O inverno começou oficialmente no Hemisfério Sul às 5h24 deste domingo (21) e vai até 22 de setembro, com a chegada da primavera. A estação, tradicionalmente associada a temperaturas mais baixas e dias mais curtos, deve apresentar características atípicas em 2026 devido ao fortalecimento do El Niño.A estação se inicia com o avanço de uma intensa massa de ar polar, responsável pela primeira onda de frio, mas as projeções indicam que o país poderá registrar temperaturas acima da média em diversas regiões ao longo dos próximos meses. Veja como deve ser o inverno de 2026.Porção central e sul do Brasil enfrenta onda de frio logo na primeira semana do inverno – Imagem: ClimatempoEl Niño deve mudar dinâmica do invernoSegundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Melquizedek Rafael Duarte da Silva, o El Niño reduz o avanço das frentes frias em parte do território nacional. O resultado é que o inverno pode não ser tão frio quanto anteriores. De acordo com o especialista à Agência Brasil, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial cria barreiras atmosféricas que dificultam a chegada de massas de ar frio ao Sudeste e a parte do Centro-Oeste. “O El Niño acaba criando um bloqueio, principalmente próximo a São Paulo, e não permite que as frentes frias avancem tanto para a região do Sudeste e também um pouco para a região Centro-Oeste”, explica.Mapa de temperatura do inverno de 2026 – Imagem: ClimatempoInício do inverno será de frioApesar dessa tendência de temperaturas mais elevadas durante a estação, os primeiros dias do inverno serão marcados por frio intenso. O Climatempo prevê que uma forte massa de ar polar atue entre os dias 22 e 26 de junho, provocando queda acentuada das temperaturas em áreas do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte da Região Norte.Há possibilidade de temperaturas negativas em diversos municípios da Região Sul, além de ocorrência de geadas e até mesmo episódios pontuais de neve nas áreas mais altas das serras gaúcha e catarinense. O resfriamento também deve alcançar partes de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia, Acre e sul do Amazonas.Ao longo de julho, novas incursões de ar polar devem provocar períodos de frio intenso, especialmente no centro-sul do país. Em algumas localidades da Região Sul, os termômetros poderão registrar temperaturas abaixo de zero grau.Mapa de precipitação do inverno de 2026 – Imagem: ClimatempoCalor fora de época e chuvasJá na segunda metade do inverno, o cenário tende a mudar. A expectativa é de que agosto e setembro apresentem períodos de calor acima da média em diversas áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. O risco de ondas de calor aumenta principalmente nas últimas semanas da estação.As mudanças também devem ser percebidas no regime de chuvas. Segundo Silva, o El Niño costuma favorecer precipitações mais frequentes no Sul do país, podendo causar chuva muito forte em um curto período de tempo. Já o Climatempo destaca volumes de chuva acima da média em toda a Região Sul, com risco maior de temporais e eventos extremos. O Sudeste e o Centro-Oeste, que normalmente enfrentam um período mais seco durante o inverno, também poderão registrar episódios de chuva acima do habitual.Em contrapartida, o extremo norte do país e parte da costa leste do Nordeste devem enfrentar redução das precipitações ao longo da estação.Os impactos do inverno também variam de acordo com a localização geográfica. Como a estação é determinada por fatores astronômicos, relacionados à menor incidência de radiação solar no Hemisfério Sul, seus efeitos são sentidos de forma diferente em cada região do Brasil. Enquanto cidades do extremo sul registram dias significativamente mais curtos durante esta época do ano, áreas próximas à Linha do Equador apresentam pouca variação na duração da luz solar ao longo dos meses.O post Inverno começou! El Niño, frente fria e calor: veja o que esperar da estação este ano apareceu primeiro em Olhar Digital.