Estudo encontrou mais de 500 terremotos… em uma região onde eles não deveriam existir

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Uma equipe internacional de pesquisadores identificou mais de 500 terremotos profundos sob a Antártida Oriental. O que chamou atenção é que, seguindo os modelos geológicos tradicionais, esse tipo de atividade sísmica é improvável na região.A descoberta foi publicada na revista Science e aconteceu graças ao uso de técnicas de inteligência artificial aplicadas à análise de dados sísmicos:Para isso, os cientistas analisaram informações coletadas por 49 estações de monitoramento distribuídas pela Antártida Oriental; Para localizar os eventos, a equipe empregou um sistema de aprendizado profundo capaz de distinguir sinais sísmicos em meio ao grande volume de ruídos registrados pelos equipamentos.A tecnologia permitiu identificar 510 terremotos de profundidade intermediária, concentrados sob a geleira David, em profundidades entre 100 e 150 quilômetros. As magnitudes variaram entre 1,6 e 3,5, consideradas relativamente baixas quando comparadas a grandes terremotos registrados em outras partes do mundo.Mapeamento dos terremotos na Antártida – Imagem: Ho et al., Science , 2026Região na Antártida não costuma ter terremotosO achado chamou a atenção porque a região está distante dos limites entre placas tectônicas – locais onde ocorrem a maior parte dos terremotos. Segundo os pesquisadores, eventos desse tipo desafiam o que se sabe sobre o tectonismo.“Terremotos intraplaca (eventos que ocorrem no interior das placas, longe das margens ativas) desafiam o paradigma tradicional da tectônica de placas, que indica que o interior das placas deve sofrer pouca deformação”, escreveram os autores.O desafio é ainda maior porque os terremotos foram registrados em profundidades onde as condições de temperatura e pressão normalmente dificultam a ocorrência de rupturas nas rochas.Para localizar os tremores, a equipe analisou o comportamento de ondas sísmicas de diferentes tipos. A comparação entre ondas P (que atravessam qualquer material) e ondas S (que se propagam apenas por rochas sólidas) permitiu identificar fraturas subterrâneas e calcular sua localização.Temperatura e pressão, além de peculiaridades locais, provavelmente tiveram influência no surgimento dos terremotos – Imagem: Ho et al., Science , 2026O que pode ter causado os terremotos?Embora a região não esteja situada sobre uma fronteira tectônica, ela fica próxima de um limite litosférico que separa duas estruturas geológicas distintas: a placa mais espessa e fria da Antártida Oriental e a placa mais fina e quente da Antártida Ocidental.Os pesquisadores acreditam que essa diferença de propriedades físicas pode criar zonas de concentração de tensão capazes de desencadear terremotos. A hipótese considera ainda a influência do material quente que ascende do manto terrestre e o peso exercido pela cobertura de gelo da região.Apesar dos avanços, o estudo não resolve todos os mistérios. Os cientistas afirmam que os mecanismos propostos ajudam a explicar por que os terremotos ocorrem em grandes profundidades, mas ainda não esclarecem totalmente por que eles estão concentrados especificamente sob a geleira David. Estruturas geológicas semelhantes existem em outras áreas das Montanhas Transantárticas, indicando que fatores locais adicionais podem estar envolvidos.Além de ampliar o conhecimento sobre a dinâmica interna do planeta, a pesquisa sugere que terremotos desse tipo podem ser mais comuns do que se imaginava. Segundo os autores, o uso crescente de inteligência artificial e métodos modernos de processamento de dados pode revelar eventos sísmicos que permaneceram ocultos por décadas.O post Estudo encontrou mais de 500 terremotos… em uma região onde eles não deveriam existir apareceu primeiro em Olhar Digital.