Ciência e ditadura militar: estudo revela paradoxo durante “anos de chumbo”

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Uma pesquisa organizada pelo físico e historiador Olival Freire Junior, analisa como a ditadura militar (1964-1985) ao mesmo tempo em que reprimia intelectuais, promovia uma expansão significativa na infraestrutura científica do país.Enquanto os “anos de chumbo” cassava professores e censurava universidades, a área de ciência teve grande expansão, segundo o estudo. A pesquisa aponta que a perseguição ao pensamento critico era ambígua ao investimento em pesquisas estratégicas e reformou o ensino superior visando a soberania nacional. Leia Mais O Agente Secreto: exemplo de diversidade e inclusão no cinema brasileiro Terra sem lei? Entenda legislação por trás de exploração da Lua Perícia de laudo de JK aponta falhas e horário incompatível da morte Contexto histórico e institucionalAo analisar a ciência brasileira na segunda metade do século XX, a pesquisa examina como instituições de pesquisa e fomento se consolidaram tanto em democracias quanto em ditaduras.Diante do paradoxo de regimes autoritários que impulsionaram o desenvolvimento tecnológico, a obra intitulada como “Ciência, desenvolvimento e democracia no Brasil: trajetórias, instituições e agendas de pesquisa”, investiga as nuances dessa trajetória, oferecendo caminhos para compreender as rupturas e continuidades da nossa política científica.Nos anos 1970, sob o ideário do “Brasil Grande”, o governo fez grandes investimentos em áreas como energia nuclear, petróleo e modernização agrícola.Apesar do avanço tecnológico, o período foi marcado pela aniquilação do potencial humano e expulsão de lideranças científicas. Muitos dilemas estruturais de hoje são efeitos não absorvidos do golpe de 1964.“Há consequências diretas daquele momento na nossa vida de hoje. A ditadura é um evento que não foi completamente elaborado pela sociedade brasileira”, afirma Antonio Augusto Videira, docente da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).