O Bitcoin já deveria estar, em alguma medida, no portfólio de todos os investidores. A avaliação foi feita por Cactus Raazi, CEO para Americas da B2C2, nesta terça-feira (12) durante a Digital Assets Conference (DAC), evento promovido pelo MB | Mercado Bitcoin em Nova York.Para ele, o Bitcoin deixou de ser uma aposta marginal do mercado cripto e passou a ser analisado por instituições como um ativo “investível”, com liquidez, infraestrutura e histórico suficientes para entrar em decisões profissionais de alocação.“Somos da opinião de que [o BTC] é um ativo altamente investível e que deveria estar no portfólio de cada pessoa aqui, em algum grau apropriado, mesmo sendo um ativo volátil”, afirmou Raazi. Segundo o executivo, o debate institucional deixou de girar em torno de narrativas negativas sobre uso ilícito ou especulação, e passou a se concentrar em uma pergunta mais prática: qual deve ser o tamanho da exposição ao Bitcoin dentro de uma carteira?Giovanni Vicioso, diretor de produtos de renda variável e alternativos do CME Group, também esteve presente no painel moderado por Roberto Dagnoni, Chairman do MB | Mercado Bitcoin, e expressou uma visão parecida. Para ele, o Bitcoin percorreu um caminho que começou em 2009 como um ativo de nicho, ligado ao varejo e a transações peer-to-peer, mas se transformou em uma classe de ativo discutida por grandes instituições. “O que era realmente especulativo em 2017 agora virou muito mais uma conversa sobre quanto estamos alocando ao espaço”, disse.A grande virada, segundo Vicioso, veio em 2024, com a aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. O executivo afirmou que esses produtos deram aos investidores tradicionais um veículo regulado e confiável para acessar a criptomoeda.Segundo ele, ETFs já respondem por cerca de 7% do Bitcoin em circulação, enquanto tesourarias corporativas detêm algo em torno de 7,5%. Somando ETFs, empresas e países, mais de 20% da oferta do Bitcoin já estaria nas mãos de instituições. “A história realmente mudou. Não é mais um ativo especulativo”, afirmou.Leia também: Bitcoin supera ouro e S&P 500 ao valorizar 24% desde início da guerra EUA-IrãETFs e liquidez aproximam Bitcoin de ativos tradicionaisPara os participantes, a institucionalização do Bitcoin não aconteceu apenas pelo preço ou pela narrativa de “ouro digital”. Ela dependeu principalmente da construção de infraestrutura. Vicioso lembrou que o CME atua nesse mercado desde 2016, quando lançou referências de preço para dar mais transparência a um mercado ainda fragmentado entre várias exchanges. No ano seguinte, a bolsa lançou os futuros de Bitcoin.Desde então, a base de investidores mudou. “Inicialmente, eram provedores de liquidez os primeiros a entrar no mercado”, disse Vicioso. Depois vieram plataformas cripto, fundos especializados e, com os ETFs, hedge funds macro, bancos e gestoras tradicionais. Para ele, a chegada desses participantes reforçou o uso do Bitcoin em estratégias como arbitragem entre futuros e ETFs, além de operações de proteção e gestão de risco.O executivo do CME afirmou que a liquidez do Bitcoin já atingiu padrões institucionais, embora ainda não tenha a profundidade de mercados como o S&P 500. “Não é incomum ver negócios de 500 ou 700 contratos”, disse, ao explicar que cada contrato institucional de Bitcoin no CME representa cinco BTC. Nos preços atuais, isso pode significar operações de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões.Vicioso também destacou que o mercado de futuros ganhou papel central na formação de preço e na gestão de risco do Bitcoin. Segundo ele, os futuros de Bitcoin negociados no CME costumam movimentar mais do que alguns ETFs e até mais do que o volume combinado de determinadas exchanges à vista usadas nas taxas de referência da bolsa, como Coinbase, Crypto.com e Bullish. O executivo afirmou que, no mercado cripto, os futuros já negociam cerca de três vezes o volume observado em ETFs e mercados à vista.A comparação ajuda a explicar por que o avanço institucional não se resume aos ETFs. No mercado tradicional de ações, os futuros também costumam negociar múltiplos do volume dos ETFs correspondentes. Para Vicioso, o Bitcoin começa a seguir uma dinâmica parecida, na qual derivativos regulados passam a funcionar como uma camada essencial para hedge, arbitragem, liquidez e entrada de grandes participantes.Raazi também reforçou o papel da liquidez na mudança de percepção sobre o ativo. Segundo ele, o Bitcoin negocia cerca de US$ 30 bilhões a US$ 35 bilhões em dias mais lentos e pode superar US$ 50 bilhões em dias mais ativos. “É muito líquido e é comumente usado como ativo de colateral”, afirmou. Para o executivo, a possibilidade de tomar crédito usando Bitcoin como garantia, tanto em plataformas de varejo quanto em estruturas institucionais, aproxima o BTC do funcionamento de ativos financeiros tradicionais.Leia também: Como usar crédito com garantia em criptomoedas para aumentar exposição ao BitcoinO CEO da B2C2 explicou que provedores de liquidez atuam nos bastidores para permitir que grandes ordens sejam executadas com menor impacto de mercado. Segundo ele, a B2C2 fornece liquidez para exchanges globais, plataformas de varejo como Robinhood e operações bilaterais de balcão com family offices, hedge funds, gestoras tradicionais e fundos de venture capital.Para Raazi, a infraestrutura já está disponível, mas muitas instituições ainda estão passando por processos internos de aprovação. “As instituições estão começando a ficar mais familiarizadas e confortáveis com a infraestrutura necessária para participar do mercado de ativos digitais”, afirmou. Isso inclui escolha de custodiantes, controles de risco, regras de negociação e proteção dos ativos.Regulação e adoção além do BitcoinA regulação também foi apontada como uma das forças que podem acelerar a adoção institucional. Vicioso afirmou que regras claras não precisam travar a inovação. “Às vezes, quando pensamos em regulação, pensamos em desaceleração. Mas, se olharmos para os mercados futuros, a regulação deu clareza, diretrizes e trilhos, e permitiu que a indústria florescesse”, disse.Segundo ele, a maior clareza regulatória permitiu ao CME acelerar lançamentos relacionados a cripto. Depois dos futuros de Bitcoin em 2017 e de Ether anos depois, a bolsa passou a desenvolver novos produtos, incluindo negociação 24 horas por dia, sete dias por semana, e produtos de volatilidade ligados ao Bitcoin. Para Vicioso, saber se determinado ativo é tratado como commodity ou valor mobiliário é “fundamental” para oferecer produtos regulados a clientes institucionais.Leia também: Comitê Bancário do Senado dos EUA vota na quinta-feira lei sobre criptomoedasO avanço institucional também começa a ir além do Bitcoin. Vicioso afirmou que o volume de Ethereum em relação ao Bitcoin no CME está perto de 50% em 2026, contra menos de 20% no mesmo período do ano passado. “Estamos vendo instituições entrarem em cripto, mas também vendo adoção além do Bitcoin, particularmente em Ether”, afirmou. Ele também citou aumento de interesse em Solana.A mensagem final do painel foi que o Bitcoin entrou em uma nova fase. Ainda volátil, ele continua distante da maturidade de mercados como ações e títulos públicos. Mas, na visão dos executivos, a combinação de ETFs, futuros regulados, colateralização, regulação e demanda institucional mudou o centro da conversa. O debate deixou de ser se o Bitcoin pertence ao mercado financeiro tradicional, e passou a ser quanto espaço ele deve ocupar dentro dele.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. 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