A XP (XPBR31) anunciou o lançamento de três novas carteiras de alocação montadas exclusivamente com ETFs, os fundos de índice negociados em bolsa. A iniciativa permite ao investidor montar um portfólio diversificado entre diferentes classes de ativos a partir de R$ 2,5 mil. A estratégia é uma resposta ao crescimento desse mercado no país e à demanda de clientes que buscam aplicar nessa categoria de ativos, mas tinham dúvidas sobre quais produtos comprar.“Temos uma demanda muito grande por parte de clientes e assessores”, afirmou Rachel de Sá, estrategista de investimentos da área de análise da XP, em entrevista ao InfoMoney. Segundo ela, o avanço da educação financeira levou mais investidores a buscar carteiras diversificadas com olhar de longo prazo, mas muitos travavam na hora de escolher o produto específico. “Eu entendi a classe, mas o que eu faço com isso agora? O que eu efetivamente compro?”, resumiu a executiva, ao reproduzir o questionamento recorrente entre os clientes.Veja mais: XP Asset estreia PREX11, primeiro ETF de renda fixa 100% prefixado da gestoraE também: ETF brasileiro EWZ sobe 1,7% com notícia de acordo de paz; ADR da Petrobras cai 5%A estrategista contou que a equipe juntou esse pedido à evolução do próprio mercado brasileiro de ETFs, que ganhou liquidez e diversidade nos últimos meses. Há cerca de um ano e meio, conforme ela, não seria possível entregar todas as classes desejadas em uma carteira diversificada usando apenas esses fundos. Agora já dá.As carteiras seguem a alocação recomendada pelo time de análise comandado por Artur Wichmann, CIO da XP, e estão divididas entre a parcela em reais e a parcela em dólares do patrimônio do investidor. A versão Brasil reúne ETFs negociados na B3, enquanto a Global usa fundos listados no exterior para os 15% de exposição internacional sugerida pela corretora.Petrobras (PETR4) aprova pagamento de R$ 9,03 bi em proventos; veja condiçõesTesouro Reserva: como funciona e quanto rende a nova “poupança 24 horas” do governo“Banana com arroz”: a confusão mais comumPara Rachel, ainda há muito trabalho de educação financeira a ser feito quando o assunto é ETF. A maior confusão, segundo ela, é tratar o produto como se fosse uma classe de ativo, quando na verdade ele é apenas o veículo que carrega os ativos.“O ETF é uma casca, ele é um veículo”— Rachel de Sá, estrategista de investimentos da área de análise da XP.A executiva comparou a situação a misturar produtos que não pertencem à mesma categoria. “Você está comprando banana com arroz”, disse, ao se referir ao investidor que afirma querer aplicar em “fundos, ETFs e ações”. O correto, segundo ela, é definir primeiro a classe — renda fixa, ações brasileiras, ações no exterior, inflação — e depois escolher o instrumento, que pode ser um ETF.Entre as vantagens do formato, a estrategista cita a acessibilidade e a diversificação embutida em um único produto. Um ETF de renda fixa, por exemplo, reúne diversos títulos públicos ou privados em uma única compra, muitas vezes a partir de R$ 100. “É uma maneira de você comprar um veículo barato, diversificado, de uma vez só”, afirmou.Na parte de renda variável, o destaque ficou para a escolha do PIBB11, que segue o IBrX-50, no lugar do BOVA11, o ETF mais conhecido do país, que replica o Ibovespa. A definição reflete o posicionamento tático atual da casa, voltado a companhias de maior qualidade e baixo endividamento. “A gente queria fazer esse filtro de qualidade nesse momento”, explicou Rachel.Leia tambémInvestindo Sem Fronteiras: XP faz ações para impulsionar dolarização de carteirasCorretora vai sortear iPhones, MacBooks e viagens internacionais para clientes que enviarem remessas em dólar para a Conta Investimento Global na plataforma até 31 de julhoComo a XP ajudou a levar a indústria de FIIs a mais de R$ 70 bilhões de patrimônioExpansão dos fundos imobiliários no Brasil teve avanço da pessoa física, plataformas digitais e crescimento de fundos como MXRF11, XPML11 e XPLG11Movimentos táticos esbarram no tamanho do mercadoApesar do desenho mais estrutural, as carteiras admitem ajustes táticos conforme o cenário muda. Hoje, segundo a estrategista, a duração recomendada para a parte de renda fixa atrelada à inflação é de seis anos. “Se a gente estivesse com um cenário de juros diferente, a gente teria potencialmente uma duração maior, ou vice-versa”, afirmou.O maior obstáculo para movimentos táticos mais finos, contudo, ainda é o tamanho do mercado brasileiro. Operações específicas, como uma exposição à bolsa global com proteção cambial dentro da carteira Brasil, esbarram em poucas opções listadas. Para outras classes, a oferta cresceu rapidamente.A executiva lembrou que, até três meses atrás, praticamente não existiam ETFs prefixados no país. Agora, já há diferentes alternativas, com prazos distintos. Também ganhou corpo a família de ETFs que cobre todos os vencimentos das NTN-Bs, os títulos do Tesouro atrelados à inflação. “A gente consegue mudar a composição da carteira para refletir isso”, disse.A única classe que ficou de fora foi a de fundos multimercado, porque não existe no Brasil um ETF que represente essa indústria, como ocorre nos Estados Unidos. O peso que caberia a essa categoria foi redistribuído entre os demais ativos.Aposta em gestão indexadaO lançamento, segundo Rachel, integra um movimento mais amplo da XP para fortalecer a atuação em gestão indexada. A estrategista evita o termo “passivo” para se referir a esse tipo de produto. “Não tem nada de passivo. Tem todo um trabalho muito grande aqui envolvido”, afirmou.A casa já oferece a família de fundos Trend, da XP Asset, também indexados, e mantém uma carteira recomendada com esses produtos. Agora, com as novas carteiras de ETFs, a corretora afirma ser a primeira do país a estruturar uma família de recomendações específica para esse formato.A área publica mensalmente um relatório batizado de Bússola de ETFs, com indicações de produtos individuais, posicionamento tático e as carteiras Brasil e Global. “Tudo isso é algo que a gente só está conseguindo fazer porque o mercado está se tornando mais robusto”, disse Rachel.Para ela, a expansão das carteiras montadas com esses fundos pode ampliar o acesso do investidor brasileiro à diversificação, inclusive global. “É um veículo que vai ser diversificado, vai ser barato”, resumiu, ao lembrar que a lógica de baixo custo e ampla cobertura se aplica também aos investimentos no exterior.The post XP (XPBR31) lança três carteiras de ETFs com aporte inicial de R$ 2,5 mil appeared first on InfoMoney.