O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma conversa “franca” com o presidente norte-americano, Donald Trump, na última semana e que o brasileiro teria deixado claro quais são as expectativas do Brasil em relação aos minerais críticos, que interessam aos EUA.Em entrevista ao programa “Na Mesa com Datena”, da TV Brasil, veiculada na noite de terça-feira, Durigan afirmou que Lula e Trump abordaram três temas principais: a relação bilateral entre os países, com o presidente brasileiro demonstrando insatisfação com a tarifação recente aplicada pelos EUA; o combate ao crime organizado; e a exploração de minerais críticos no Brasil.Segundo o ministro, ao abordar a questão dos minerais críticos — um dos pontos de interesse dos EUA por sua importância na tecnologia moderna –, Lula defendeu a soberania do Brasil sobre seu território e a necessidade de a exploração dessas matérias-primas incentivar a industrialização do país.“Para que a gente canalize os investimentos estrangeiros, que a gente quer no Brasil”, pontuou Durigan.Durante a entrevista, Durigan disse ainda ter ficado impressionado com o nível de “deferência” de Trump em relação a Lula. Segundo ele, no início do encontro os dois conversaram sobre a infância pobre de Lula e sobre o período em que o brasileiro esteve preso, na esteira da Operação Lava Jato.“A conversa foi muito franca, e eu fiquei muito impressionado com o nível de deferência do presidente Trump ao presidente Lula”, disse o ministro, que participou do encontro da semana passada.Questionado sobre se Trump teria uma conversa “deste nível” com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial de outubro, Durigan foi taxativo.“Certamente não teria, como não teve com o pai”, disse o ministro, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que sempre apoiou publicamente Trump.A relação da oposição e do governo Lula com Trump tornou-se um dos temas da corrida presidencial deste ano, antes mesmo do início oficial da campanha.Antes alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump chegou a criticar o processo que o levou à condenação por tentativa de golpe de Estado, no ano passado, usando inclusive a questão jurídica como um dos motivos para a tarifação de produtos brasileiros.Em setembro, no entanto, Trump teve um breve encontro com Lula durante uma assembleia da ONU, em Nova York. Na ocasião, ele disse que teve uma “excelente química” com o presidente do Brasil.Depois, os dois tiveram uma reunião bilateral na Malásia, em outubro. Na semana passada, o encontro foi na Casa Branca, em Washington.