Tesouro IPCA+ ou Selic: onde colocar o dinheiro após inflação surpreender? Compare

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O IPCA de abril registrou alta de 0,67%, ficando levemente abaixo da expectativa do mercado, de 0,69%. O resultado divulgado na terça-feira (12) pelo IBGE trouxe alívio pontual, mas não mudou o cenário geral para os investidores de renda fixa. Para quem carrega títulos do Tesouro IPCA+ ou avalia entrar agora, a pergunta é se vale mais a pena travar uma taxa real acima de 7% ao ano ou continuar na confortável Selic de dois dígitos.“Em geral, a tese não muda do ponto de vista estrutural. É claro que a gente precisa separar a avaliação: uma desaceleração da inflação é positiva para a economia real, mas para a posição de investimento, o que importa é o panorama geral, o acumulado no horizonte relevante do título”, afirma Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research.Leia também: 4 apostas dos multimercados após mês de virada em que pagaram até 368% do CDIA inflação oficial acumulada no ano segue rodando acima do centro da meta. Na base de comparação anual, o IPCA teve alta de 4,39% em abril. A expectativa mediana do Boletim Focus aponta encerramento de 2026 em 4,91% — acima, inclusive, do teto da meta, fixado em 4,5%. Nesse contexto, os títulos atrelados ao IPCA mantêm o que os analistas classificam como “carrego relevante”: o investidor colhe a inflação do período mais um prêmio real que, para as durations mais longas, ainda ultrapassa os 7% ao ano.“A tese de investimento do Tesouro IPCA+ é pouco impactada por um dado pontual do mês. A inflação ainda segue acima da meta, então isso mantém a atratividade do juro real oferecido pelo título”, segundo Antônio Sanches, analista de research da Rico. Felipe Almeida, sócio do Clube do Valor, lembra que os preços de gasolina e passagens aéreas seguraram o número de abril, mas isso não altera o quadro estrutural: “os grupos de alimentos e de saúde ajudaram a puxar o número para cima. Para os investidores do Tesouro IPCA+, o resultado da inflação compõe a parcela pós-fixada da rentabilidade. A tese correta deve sempre focar o longo prazo do ativo, não nos resultados do índice mês a mês.”Tesouro Selic ou IPCA+?Embora os dois títulos sejam emitidos pelo Tesouro Nacional e carreguem risco soberano, eles atendem a objetivos distintos. O Tesouro Selic é o porto seguro de curto prazo: rende diariamente, não sofre marcação a mercado e pode ser resgatado a qualquer momento sem grandes surpresas. Já o IPCA+ é uma aposta no longo prazo – e sair antes do vencimento expõe o investidor à variação das taxas no mercado secundário.“Quando o prazo é curto ou há incerteza quanto ao prazo em questão, o melhor a ser feito é alocar em Tesouro Selic. No IPCA+, o investidor sofre bastante com a marcação a mercado, tanto para mais como para menos, e ele não quer ser pego de surpresa quando precisar desse recurso”, resume Almeida.O planejador financeiro Jeff Patzlaff mostra a diferença entre os títulos com uma analogia simples: “pense neles como ferramentas diferentes para objetivos diferentes. O Tesouro Selic é o dinheiro de emergência, para o curto prazo ou para reserva de oportunidades, ele rende todo dia, não tem sustos e você pode sacar a qualquer momento sem medo de perder o que investiu. O Tesouro IPCA+ é para o médio e longo prazo.”Sanches reforça que, para quem consegue manter o papel até o vencimento, a proteção é garantida: “se ele resgatar antes do vencimento, não tem essa taxa prefixada, essa proteção real. Você vai receber o valor do título de acordo com as condições do mercado, mas é um risco que o investidor não corre se ele mantém até o vencimento, porque ele vai receber a taxa prefixada mais a inflação do período.”Onde R$ 1 mil rendem mais?A pedido do InfoMoney, Sanches comparou o rendimento de uma aplicação de R$ 1 mil nos dois títulos, considerando os horizontes de 1 e 5 anos. Para o Tesouro Selic, as taxas consideram as projeções dos juros futuros; para o IPCA+, as taxas negociadas atualmente acrescidas das projeções Focus para inflação.TítuloPrazoTaxa efetiva (ao ano)Rendimento líquido (em R$)Tesouro Selic1 ano14,08%1.116,14Tesouro IPCA+1 anoIPCA + 8,10%1.107,54Tesouro Selic5 anos13,82%1.763,98Tesouro IPCA+5 anosIPCA + 7,73%1.635,74Fonte: Antônio Sanches, analista de research da Rico.Na simulação, o Tesouro Selic aparece com vantagem nos dois prazos analisados. A margem depende de uma queda da Selic na velocidade projetada pelo mercado atualmente. Se o ciclo de cortes for mais rápido, ou a inflação surpreender para cima, o IPCA+ pode superar o Tesouro Selic.Antônio Sanches explica o raciocínio: “em cinco anos, a Selic está apresentando uma vantagem de quase 1,7 ponto percentual. Então a inflação teria que estar errada em 1,7 ponto percentual, ou a Selic deveria cair 1,7 ponto a mais do que o esperado, para que a Selic perca o empate com os dados que a gente tem atualmente.”Felipe Almeida aponta o cálculo para que os rendimentos sejam iguais: “com a Selic atual em 14,5% e a taxa do Tesouro IPCA+ 2032 em IPCA+ 7,63%, a rentabilidade dos títulos seria igual num patamar de inflação em 6,38% ao ano”. No entanto, ele pondera que “a projeção do curto prazo mais atrapalha do que ajuda o investidor a tomar boas decisões para a sua carteira. O verdadeiro foco da alocação deve se manter nas proporções ideais de cada indexador”. Como montar a carteiraA pergunta sobre qual percentual alocar em cada título não tem resposta universal.  Prazo, tolerância a oscilações e composição global do portfólio são variáveis que só o próprio investidor conhece.A Rico divide as carteiras em três perfis, com pesos distintos para pós-fixados e atrelados à inflação. “Hoje a gente tem no pós-fixado: 72,5% na conservadora, 32,5% na moderada e 12,5% na sofisticada. Atrelados à inflação, nossos percentuais recomendados são 12,5%, 22,5% e 27,5%, respectivamente”, detalha Antônio Sanches,  lembrando que essas fatias incluem não só os títulos do Tesouro, mas também LCIs, LCAs, CRIs e debêntures indexadas ao IPCA.O Clube do Valor adota uma divisão diferente para a parcela de renda fixa dos portfólios: 50% atrelado à inflação, 25% prefixado e 25% pós-fixado. “Esse balanceamento produziu os melhores resultados no histórico, uma vez que os títulos de inflação possuem prazos mais longos e melhores retornos totais”, afirma Felipe Almeida.The post Tesouro IPCA+ ou Selic: onde colocar o dinheiro após inflação surpreender? Compare appeared first on InfoMoney.