Mesmo após a forte valorização acumulada nos últimos anos, o BTG Pactual acredita que ainda há espaço para uma nova rodada de ganhos nas ações da Embraer (EMBR3). O banco reiterou a recomendação de compra para os ADRs da fabricante brasileira negociados em Nova York e estima um potencial de valorização de até 57% em relação aos níveis atuais.Na avaliação dos analistas, a Embraer atravessa um momento favorável, sustentado por um conjunto de fatores que inclui crescimento da carteira de pedidos (backlog), melhora gradual da cadeia de suprimentos, aceleração das entregas de aeronaves e perspectivas positivas para as divisões de aviação comercial, executiva e defesa. O banco também destaca que a empresa continua negociando com desconto em relação aos principais concorrentes globais, apesar da recuperação dos resultados.Entre os principais catalisadores para os próximos trimestres, o BTG aponta a possibilidade de novos contratos nas áreas de aviação comercial e defesa, a continuidade das restrições de produção enfrentadas por Boeing e Airbus — que favorecem o poder de precificação da Embraer — e a expansão dos gastos militares em diversos países, cenário que beneficia especialmente o cargueiro C-390 Millennium.Atualizações sobre a Eve, subsidiária de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), também permanecem no radar dos investidores.O banco projeta crescimento consistente para os próximos anos. A expectativa é de que a receita líquida avance de US$ 7,37 bilhões em 2025 para US$ 8,32 bilhões em 2026 e alcance US$ 8,99 bilhões em 2027. O Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) deve subir de US$ 881 milhões para US$ 995 milhões em 2026 e ultrapassar US$ 1 bilhão em 2027, enquanto o lucro líquido pode praticamente dobrar entre 2025 e 2026, chegando a US$ 478 milhões.Apesar do cenário construtivo, o BTG ressalta alguns riscos para a tese de investimento. Entre eles estão eventuais gargalos persistentes na cadeia de fornecedores, atrasos na expansão da capacidade de produção dos jatos executivos, perda de contratos relevantes e uma eventual redução das tensões geopolíticas, que poderia diminuir o ritmo de expansão dos orçamentos militares ao redor do mundo.Uma valorização expressiva do real frente ao dólar também poderia reduzir parte da competitividade das exportações da companhia.Na visão do banco, porém, esses fatores não comprometem a perspectiva positiva para a fabricante brasileira. Os analistas avaliam que a Embraer ainda não se tornou uma posição consensual entre investidores institucionais, o que abre espaço para uma reprecificação adicional caso a empresa continue entregando crescimento operacional e ampliando sua carteira de pedidos nos próximos trimestres.