A mulher que transformou a pintura em família: a história de Cidinha Pascoaletto

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Foto: Gabriel LeiteA arte acompanha Maria Aparecida Pascoaletto, a Cidinha Pascoaletto, desde a infância. Influenciada pela mãe, Iracema, ela descobriu ainda criança o amor pela pintura e transformou essa paixão em profissão. Hoje, aos 59 anos, reúne mais de 100 alunos em sua escola de pintura e artesanato, em Mirandópolis, onde recebe pessoas de todas as idades e até de cidades da região.Mais do que ensinar pintura, Cidinha criou um espaço de acolhimento, amizade e convivência. Ela conta que os alunos são como uma família e que esse vínculo também a motivou a promover ações beneficentes em prol dos hospitais de câncer de Barretos e Jales, especialmente após acompanhar de perto a luta do pai contra a doença. Entre pincéis, tintas e solidariedade, Cidinha construiu uma trajetória marcada pelo amor à arte e pelas pessoas.Como foi sua infância?Minha infância foi simples e marcada por muitos desafios. Cresci no sítio com meus pais e meus irmãos. Apesar das dificuldades, sempre tive uma família muito unida e pais que foram minha fortaleza em todos os momentos. Com apenas quatro anos precisei passar por uma cirurgia no coração. Minha família era humilde e as viagens para São Paulo eram muito difíceis. Meus pais enfrentaram tudo comigo e foram fundamentais para que eu superasse essa fase.Quando surgiu o amor pela pintura?Veio através da minha mãe. Ela pintava guardanapos para vender e me ensinou junto com minha irmã. Desde pequena eu gostava de desenhar, pintar e mexer com cores. Foi algo que nasceu naturalmente.Como a arte se tornou profissão?Eu tinha um salão de cabeleireiro e passei por um período de depressão. Durante o tratamento, fui incentivada a procurar algo que me ajudasse a ocupar a mente. Voltei a me dedicar à pintura, comecei a fazer aulas e logo fui convidada para ajudar a ensinar outros alunos.Quando decidiu abrir seu espaço?Depois da pandemia. Em 3 de maio de 2021 comecei a dar aulas por conta própria. Foi uma das decisões mais importantes da minha vida e uma data que guardo com muito carinho. Atualmente tenho mais de 100 alunos, de 4 a 86 anos. Recebo pessoas de Mirandópolis, Lavínia, Guaraçaí e Três Lagoas. É um trabalho que faço com muito amor.Cidinha Pascoaletto encontrou na pintura uma forma de transformar vidas, unindo arte, acolhimento e solidariedade. Foto: Gabriel LeiteO que seus alunos representam para você?São minha família. Costumo dizer que Deus me deu uma filha, a Jaque, mas também me deu mais de 100 filhos do coração. Tenho muito carinho por todos eles. Tenho alunos autistas, com TDAH, síndrome de Down e outras condições. Cada um aprende no seu tempo e é muito gratificante acompanhar a evolução deles.Como surgiu o trabalho solidário que você realiza?Depois que perdi meu pai. Acompanhei de perto o tratamento dele e vi a importância dos hospitais especializados. Isso me motivou a ajudar. Há quase três anos realizamos ações beneficentes para arrecadar recursos destinados aos hospitais de câncer de Barretos e Jales. Promovemos confraternizações em datas comemorativas e o intuito, além de reunir as pessoas, é pedir doações para quem está em tratamento.Existe alguma pintura especial para você?Sim. Um retrato da minha filha, Jaque, que pintei há alguns anos. É a obra que mais gosto e que tem o maior significado para mim.Gostaria de fazer algum agradecimento?Agradeço a Deus por me permitir viver daquilo que amo. Também agradeço à minha mãe, Iracema, que despertou em mim o amor pela pintura, ao meu pai, à minha filha Jaque, ao meu marido Jorge e a todos os meus alunos, que fazem parte da minha história.Qual mensagem deixa para as pessoas?Se você não estiver bem, venha pintar. A arte ajuda a acalmar a mente, aproximar pessoas e criar novos laços. Não é apenas sobre tinta e pincel, é sobre acolhimento, amizade e qualidade de vida. Muitas pessoas chegam aqui procurando companhia, acolhimento e um momento para cuidar de si mesmas. A pintura acaba sendo uma terapia para muita gente.O post A mulher que transformou a pintura em família: a história de Cidinha Pascoaletto apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.