A Leto Capital, gestora de crédito privado que nasceu da venda da área de crédito da JGP, tem hoje 22 operações de fundos de direitos creditórios (FIDCs) em análise, somando R$ 7,9 bilhões. A expectativa é lançar mais de R$ 1 bilhão em produtos do tipo nos próximos meses, segundo Alexandre Muller, diretor de investimentos e sócio-controlador da Leto Capital.O mercado de securitização foi um dos destaques deste ano, puxado pelo forte crescimento dos FIDCs, que já somam patrimônio próximo de R$ 1 trilhão. Para Muller, o segmento deve manter o maior potencial de crescimento neste ano e no próximo. “Esses fundos estão provocando uma revolução no mercado de produtos financeiros brasileiro, como aconteceu nos Estados Unidos”, diz.Muller acredita que esse crescimento deve ganhar impulso com a maior dificuldade das empresas médias para emitir títulos no mercado de capitais nos próximos meses. Vistas como um risco maior em um ambiente de juros elevados, essas companhias devem optar também pela securitização. “Várias empresas médias nos procuram para fazer uma emissão de títulos e vemos que não há condições de mercado para elas, mas vemos que elas têm bons recebíveis em seu balanço que podem ser usados em um FIDC”, diz Muller.Leia também: B3 busca mercado para ampliar liquidez em crédito privadoEsse movimento, somado à redução da oferta de crédito pelos bancos por exigências regulatórias e pelo risco de inadimplência, além da forte demanda dos investidores, deve alimentar as ofertas, avalia Muller. Segundo ele, os FIDCs representam uma opção diferenciada de crescimento para o crédito privado, com garantias maiores que as de outros títulos, estrutura diversificada e vantagens fiscais para o investidor, já que não há incidência do come-cotas, cobrança periódica que existe nos fundos de renda fixa.Além disso, os FIDCs são montados de maneira diferente para cada tipo de recebível e empresa, o que permite personalizar as garantias para cada caso. “São alfaiataria, sob medida, que permite inclusive oferecer cotas com diferentes tipos de risco para diferentes investidores, de acordo com o apetite por risco”, lembra.Grandes emissores devem evitar emissõesJá o cenário para as emissões de títulos das grandes empresas continua positivo, com risco de inadimplência baixo diante do perfil dessas companhias, cada vez mais oligopolistas em seus setores e com grande capacidade de formação de preços. Segundo Muller, os problemas de inadimplência hoje se concentram nas famílias e nas pequenas e médias empresas, não nas grandes, que são justamente as que têm acesso ao mercado de capitais. Para ele, os riscos nesse segmento estão mais ligados a má governança ou a decisões de investimento equivocadas.Leia também: “IPCA+8% não é de graça”: Por que aposta em dólar pode ser chave no 2º semestreNo entanto, diante das incertezas do cenário macroeconômico, incluindo a possibilidade de reeleição do atual governo e a continuidade de uma política fiscal que amplia a dívida pública e mantém os juros básicos elevados, Muller avalia que as grandes companhias devem evitar novos investimentos e captações nos próximos meses. Segundo ele, a expectativa é de redução das ofertas públicas de títulos no segundo semestre, com cautela no próximo ano e juros altos limitando emissões, como as do setor de infraestrutura.Para Muller, em 2027 o país terá de discutir, como sociedade, as escolhas necessárias para resolver os problemas fiscais que sustentam o crescimento insustentável da dívida em relação ao PIB e impedem um corte mais expressivo dos juros. “A questão será como virão os ajustes, se vão vir de maneira coordenada, com um plano de medidas, talvez com redução de isenções ou benefícios fiscais, ou desordenada, como em 2024, quando o mercado esperava um ajuste e o governo anunciou junto a isenção de imposto até cinco salários mínimos”, disse.Retornos melhores à frente?Os fundos de crédito tiveram vida dura na primeira metade do ano, com boa parte dos papéis do segmento perdendo para o CDI no período.O gestor avalia que o investidor em crédito privado costuma olhar para o retrovisor, o que o leva a entrar nos mercados depois das altas e sair depois das perdas. Segundo ele, o mercado está saindo agora de uma fase de spreads mais elevados, reflexo dos saques registrados pelos fundos em março e abril. Os ganhos observados em maio devem ser maiores e tendem a atrair mais investidores nos próximos meses.Segundo Antonio Pedro, gestor de fundos de infraestrutura da Leto, o spread (diferencial) do índice IDEX de debêntures de infraestrutura em relação ao juro da NTN-B (Tesouro IPCA+) chegou a subir 0,8 ponto percentual, de -0,3% para 0,50%. O índice, hoje calculado pela IDEX Analytics, plataforma incorporada pela Leto na separação da JGP, também mostra que a alta ocorreu em meio a eventos de crédito e a uma oferta excessiva de títulos entre fevereiro e março, que gerou uma sobra de R$ 20 bilhões nas carteiras dos bancos coordenadores. Hoje esse spread caiu para 0,30%, patamar que Pedro considera bom para o investidor. Já as debêntures indexadas ao CDI pagam um ágio de 1,45% ao ano sobre o indicador IDEX CDI, perto da média histórica de 1,65% e bem acima da mínima histórica de 0,7%.Muller diz também que o impacto dos eventos de crédito no rendimento dos títulos foi menor este ano que em 2023, quando ocorreram os problemas com Americanas e Light. Na ocasião, o índice de crédito IDEX teve impacto de 3,7%, enquanto os últimos quatro eventos, de novembro para cá, tiveram impacto de 0,9%. “O impacto foi menor, mas a frequência maior, até pelo crescimento do número de empresas emissoras de 2023 para cá, mas isso causou o receio dos investidores”, explica.ETF de crédito privadoSegundo Muller, a Leto pretende crescer também em fundos de índices negociados em bolsa, os ETFs voltados para crédito. Para isso, a gestora deve lançar em um mês um ETF referenciado em um novo índice que reunirá as debêntures aceitas pela B3 como garantia de operações, o que permitirá seu uso como margem por gestoras de recursos.A carteira terá tributação pela alíquota máxima, de 25% sobre o ganho, conforme regras da Receita Federal, mas há negociações com o governo para mudar essa tributação e abrir espaço para o investidor pessoa física. Segundo Muller, a expectativa é ter alguma resposta em até três meses.Segundo ele, a Leto e outras gestoras negociam com o governo também isenção para os ETFs de fundos de infraestrutura. Os fundos não têm tributação para pessoas físicas, mas os ETFs teriam.The post Herdeira da JGP, Leto Capital de Alexandre Muller mira R$ 1 bi em novos FIDCs appeared first on InfoMoney.