A pergunta de R$300 mil: pobre deveria ter o direito de votar?

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Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do PovoAporofobiaPor Paulo Polzonoff Jr.30/06/2026 às 21:35Prefira a Gazeta no GoogleO influenciador processado pelo MP/SP: ideias proibidas. (Foto: Reprodução)Ouça este conteúdoUm influenciador está sendo processado pelo Ministério Público de São Paulo, que quer R$300 mil de indenização do sujeito. Agora me pergunta qual foi o crime que ele cometeu. Vai, pergunta se foi crime-crime ou “crime”. Claro que foi “crime”. Parece que alguém no MP/SP não é muito chegado numa liberdadezinha de expressão. A não ser que seja para defender as ideias já vigentes. Pô, MP/SP, mas se for para todo mundo concordar, qual é a graça? Afinal, uma opinião pode ser defensável ou rejeitável, mas não condenável. Muito menos censurável e indenizável.Pois então. Para o MP/SP, um tal de Leonardo Marcondes deu uma de Caco Antibes e cometeu o terrível crime de “aporofobia”. Peraí que eu vou consultar aqui qual o artigo do Código Penal. Nada. Deixe-me dar uma olhada na Constituição. Nada de novo. Que puxa. Aporofobia, para você que é pobre de vocabulário e não sabe, é a aversão/ódio a pobre. E como o Léo (parece que alguém no MP/.SP não gosta muito dos Léos deste mundo) cometeu este “crime”? Repetindo uma ideia tão antiga quanto a da própria democracia: a de que pobre não deveria poder votar.PlutofobiaSe eu concordo com o influenciador? Sim e não. Depende do dia. Quando associo a pobreza à ignorância extrema e à dependência do Estado, fica difícil. Tipo quando a gente vê um sujeito fumando crack na rua ou um daqueles vídeos de pobre se orgulhando da sua ociosidade recompensada com a esmola estatal e pensa que o voto deles tem o mesmo valor que o nosso. É complicado. É quando a convicção de que, numa democracia, o voto universal é inegociável dá uma balançada. Mas aí é que está. Falas como a do influenciador servem inclusive para reafirmamos essas nossas convicções. Por que o MP/SP prefere o autoritário e ineficiente cala-boca?Pergunto isso porque, da mesma forma que tem vezes em que me questiono, tem dias em que, para mim, o conceito de pobreza se alarga e se enobrece a tal ponto que chega a me dar vontade de expressar toda a minha... plutofobia. Posso? É quando me lembro de uns ricos tão pobres que a única coisa que eles têm é dinheiro. E mais ainda quando me lembro de gente que é pobre só nos sinais externos, mas que por dentro tem um coração adornado com o mais luxuoso dos bens: o amor. Por coincidência, é nessas horas que passo a buscar essa que é a mais rica das pobrezas, diante da qual a questão sobre direito ou não a voto perde todo o sentido. Ah, MP/SP, como queria que vocês entendessem. Como queria!...Paulo Polzonoff Jr.Paulo Polzonoff Jr. é jornalista, crítico literário, escritor e tradutor. Publicou, entre outros livros, “Manuel Bandeira - A Vida Toda Que Poderia Ter Sido e Foi”, “O Homem que Matou Luiz Inácio” e “Desculpe & Outros Textos que Ninguém Vai Ler”. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.Você pode se interessarEncontrou algo errado na matéria?Comunique errosUse este espaço apenas para a comunicação de errosPrincipais ManchetesOposição defende medidas além do voto impresso para tornar eleição mais confiávelMichelle Bolsonaro anuncia saída da presidência do PL Mulher após reunião com ValdemarAntipetismo complica Lula em 2º turno contra Flávio BolsonaroO STF não pode censurar o carrinho de supermercadoTudo sobre:DemocraciaEleiçõesMinistério PúblicoWHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.Gazeta do PovoNotíciasOpiniãoInformações