Os impactos do El Niño sobre a inflação de alimentos no Brasil devem aparecer com mais força apenas em 2027, avaliou o gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves, durante a 12ª edição do Agro em Pauta promovido pelo banco nesta quinta-feira (2).Segundo o executivo, ainda não há evidências de um efeito disseminado sobre os preços dos alimentos em 2026. A preocupação está concentrada em algumas cadeias específicas, especialmente no milho safrinha, enquanto o consumidor não deve sentir um aumento generalizado nos preços neste momento.Alves explicou que eventuais repasses podem ocorrer de forma indireta, principalmente por meio do aumento do custo da ração para proteínas animais e em culturas perenes, mas esse movimento tende a ficar para o próximo ano.Entre os setores mais expostos ao fenômeno climático, o Itaú BBA destaca três frentes. A primeira é a cana-de-açúcar, cuja moagem pode ser prejudicada caso chuvas fora de época reduzam a janela de colheita das usinas. A segunda é o café, considerado uma das maiores preocupações devido ao risco de desorganização das floradas entre setembro e novembro. Já a terceira é o milho, cuja safrinha de 2027 poderá ser afetada caso o El Niño ganhe força durante o período crítico de desenvolvimento da lavoura.O executivo também citou o leite como um segmento que pode sofrer impactos indiretos, devido ao excesso de chuvas na região Sul, importante bacia produtora do país. No curto prazo, as hortaliças aparecem entre os itens mais sensíveis às oscilações climáticas, embora ainda não seja possível afirmar que haverá um choque inflacionário amplo sobre a cesta de alimentos.Para Alves, a magnitude dos efeitos dependerá da intensidade do El Niño, que ainda é incerta. Segundo ele, um evento com aquecimento igual ou superior a dois graus costuma provocar complicações mais relevantes para a produção agrícola, mas ainda é cedo para estimar com precisão os impactos sobre a inflação de alimentos.