Flávio diz ao governo Trump que nova tarifa ajudaria Lula a se eleger

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma manifestação para o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), pedindo que o governo americano de Donald Trump não imponha mais taxas a produtos brasileiros.Segundo o pré-candidato à Presidência, essa estratégia recompensaria o atual governo do presidente Lula (PT). Flávio afirma que o governo protela negociações sérias, provoca Washington para gerar retaliações e converte a resposta em vitória política interna. Flávio também afirma que os EUA e o Brasil foram “parceiros de primeira ordem” e que somente no governo Lula os países se afastaram.O senador inscreveu-se no último dia do prazo (22 de junho) para falar presencialmente na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação da Seção 301.Ele lembra que, em carta enviada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a audiência com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, é o canal institucional legítimo para discutir o tema. Segundo Flávio, Lula se recusou a seguir esse caminho para defender as empresas braileiras e o Brasil.A audiência está marcada para 6 de julho de 2026 em Washington. Flávio pediu os cinco minutos padrão para testemunhas e confirmou comparecimento presencial. Ele atuará em sua capacidade pessoal e oficial como senador federal e membro da oposição.Reunião entre governo Lula e administração TrumpApesar da fala de Flávio, o governo Lula se reuniu nesta manhã com o representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, após o acordo entre o presidente brasileiro e Donald Trump, de 7 de maio, de encontrar solução para negociar o comércio bilateral.Em meio à chance de uma nova tarifa de 25% nos produtos brasileiros, o ministro Márcio Elias Rosa – do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – informou, em nota, que a reunião de hoje já estava programada. “Mantive minha quarta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e 13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico”, esclareceu.Seção 301A USTR concluiu, em 1º de junho de 2026, uma investigação iniciada em julho de 2025 (por iniciativa associada à família Bolsonaro, segundo o governo Lula). O relatório identifica práticas brasileiras consideradas “desleais” ou discriminatórias, entre elas:• Digital trade e serviços de pagamento eletrônico (defesa do Pix como sistema instantâneo).• Tarifas preferenciais injustas.• Aplicação de leis anticorrupção.• Proteção de propriedade intelectual.• Acesso ao mercado de etanol.• Desmatamento ilegal.Como ação proposta, o USTR recomenda tarifas de 25% sobre a maioria dos bens brasileiros, com algumas exceções (ex.: certos produtos agrícolas ou energéticos). A decisão final cabe ao presidente Donald Trump. O período de comentários públicos vai até 1º de julho, com a audiência em 6 de julho.Nos documentos enviados ao USTR (Dockets USTR-2026-0397 para inscrição e USTR-2026-0331 para comentários escritos), Flávio Bolsonaro argumenta que:• As tarifas não atingem o objetivo da Seção 301 (“eliminação da prática”), mas prejudicam exportadores brasileiros, importadores americanos, consumidores dos EUA e a oposição brasileira.• Propõe suspensão da medida e abertura imediata de mecanismo bilateral de negociação com agenda e calendário definidos, preservando a alavancagem americana.• Vai responder ponto a ponto aos seis achados da investigação, reconhecendo problemas, contestando outros e apontando caminhos de remediação que um eventual governo reformista brasileiro poderia oferecer.• Defende a restauração de uma parceria histórica entre “soberanos iguais” nos moldes recentemente endossados pelos EUA na região.9Ele já havia enviado carta ao secretário de Estado Marco Rubio e se reunido pessoalmente com Trump, Vance e Rubio durante viagem a Washington em maio de 2026, discutindo temas como crime organizado, minerais críticos e relações bilaterais.