Para as férias escolares deste ano, nada de descanso. Um grupo de jovens brasileiros vai assumir posições de tomada de decisões e simular a resolução de conflitos globais aos moldes da ONU (Organização das Nações Unidas).No evento que ocorre em São Paulo, os estudantes assumirão simbolicamente as cadeiras do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que discute a resolução de crises internacionais e debate geopolítica e direitos humanos. O evento XIV SPMUN junta jovens para simular reuniões, vetar resoluções, negociar sanções e decidir quais crises internacionais entram na agenda de conflitos armados. Para isso, cada aluno assume uma cadeira no Conselho como representante de um país (as chamadas delegações). A proposta deste ano é analisar o cenário internacional, marcado pela guerra na Ucrânia e por conflitos e instabilidade persistente no Oriente Médio, e os impasses diplomáticos entre as grandes potências. Leia mais Após prorrogação do MEC, inscrição para o Enamed termina nesta quarta (1º) Parque aquático dá entrada grátis a alunos nota 10, do fundamental à pós Um ano de celulares proibidos nas escolas: o que gestores querem priorizar? O evento teve início na terça-feira (29) e vai até sábado (4), na Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. A porta-voz do XIV SPMUN — ela mesma ingressou ainda estudante — afirma que a oportunidade é uma maneira de jovens refletirem sobre o impacto de conflitos mundiais e a atuação coletiva da sociedade para a paz.“As simulações ajudam a mostrar que o trabalho da ONU não é só Assembleia Geral e o que se vê na televisão. É uma oportunidade de mostrar mais do trabalho da organização e de replicar os esforços fora dela também”, diz Rafaella Cerqueira, que atua como Secretária-Geral Administrativa.A porta-voz repercute ainda as críticas que a ONU vem enfrentando nos últimos anos por uma suposta atuação aquém diante dos diversos conflitos internacionais que se desenrolam mundo afora.“A ONU não pode interferir diretamente na soberania de nenhum país. Ela emite determinações e sugestões, mas fica sob a responsabilidade dos países que fazem parte do Comitê de seguirem as decisões do Conselho. Mas a ONU precisa mudar em vários sentidos”, afirma. “Por meio dessas simulações, é possível construir uma juventude mais consciente dos desafios de onde se quer chegar.”Jovens se engajam com esperança de mudança no futuroUm dos “delegados” no evento conta que trocou o início das férias escolares pela troca de ideias porque vê a democracia em crise e o diálogo sendo deixado de lado.“A violência está sendo usada como arma principal. A simulação é um sinal de que o debate não está morrendo. É importante formar pessoas que saibam argumentar, negociar e ouvir”, diz Lorenzo Krause.Outro fator em que o aluno, de 16 anos, do 2º ano do Ensino Médio no Colégio Imperatriz Leopoldina sentiu diferença foi na timidez ao falar em público e no entendimento de como um conflito no Oriente Médio pode impactar o preço do pãozinho da manhã.“É sobre entender a dinâmica de como o mundo funciona hoje. Bom não é quem fala, é quem escuta e quem põe esses desejos no papel, levando em consideração o outro.”Ele compara o método do evento, que exige consenso entre as delegações, a uma noite de pizza com amigos: “Você vai pedir um sabor que agrade a todo mundo. Pode não ser a melhor pizza, mas é a pizza que todo mundo vai comer e ficar saciado. E acho que isso nos ajuda também a nos desenvolver como pessoa. Dá liberdade, porque todo mundo tem a sua voz ouvida e consegue se posicionar.”Larissa Barros, de 17, estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Godofredo Furtado, passou a se interessar mais por política após começar nas simulações, ao entender a existência de uma “cadeia de poder mundial”.“Tudo o que acontece vai me afetar, mas eu também posso ter decisão, mesmo que hipotética, e propor uma solução com um olhar diferente, e de uma maneira que as nações não estão priorizando”, disse ela.Serviço:Quando: 29 de junho a 04 de julho de 2026.Local: Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) – Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana, São PauloEscolas reforçam pensamento crítico em meio a conflitos globais