“Banco dos bancos” explica o futuro do mercado cripto

Wait 5 sec.

Em conversa com o Livecoins, Charles Aboulafia, CEO da Cainvest, falou sobre o passado, o presente e o futuro do banco. No mercado de criptomoedas desde 2018, a Cainvest se apresenta como “o banco dos bancos” por não competir com seus clientes institucionais.Segundo Aboulafia, a Cainvest Group não nasceu do mercado cripto, mas sim de uma necessidade de diversificar os negócios do grupo Trisoft para o setor bancário.Dentre os exemplos citados estão as aquisições do banco internacional da SulAmérica em 1994, posteriormente nomeado Cainvest International Bank, e do braço bancário da Intertrust nas Ilhas Cayman da Blackstone em 2015. Na sequência, em 2016, eles expandiram para as Bahamas com o Dartley Bank and Trust Ltd.“A virada para o mercado de ativos digitais ocorreu em 2018, quando identificamos que as exchanges mais proeminentes da América Latina precisavam de infraestrutura de liquidez que nenhum banco tradicional estava disposto a fornecer. Entramos neste espaço e passamos a operar com clientes como Foxbit, Mercado Bitcoin, Bitso e Ripio.”Mais recentemente, em 2025, a Cainvest atuou no lançamento da stablecoin BRL1, atrelada ao real brasileiro, ao lado da Foxbit, Mercado Bitcoin e Bitso, atendendo uma demanda por uma contraparte regulada, capitalizada e operacionalmente sólida para operar nesse espaço.Cainvest se apresenta como o “banco dos bancos”Questionado sobre o papel da Cainvest, Charles Aboulafia explica que as operações do grupo são divididas em duas frentes: tradicional e cripto. Enquanto o primeiro tem acesso ao sistema SWIFT, custódia financeira, dentre outros pontos, o segundo visa fornecer liquidez internacional para os principais bancos e exchanges da América Latina.A decisão foi tomada por uma questão cultural, explica o CEO da Cainvest, notando que as diferenças entre esses dois mercados criariam um atrito operacional.“Nós não competimos com as instituições que servimos e somos o que chamamos de “banco dos bancos”: existimos para fornecer a infraestrutura que permite aos nossos clientes operar em escala. Nosso público-alvo inclui bancos globais, bancos tradicionais, exchanges de criptomoedas, fintechs, fundos e operadores de remessas. Entre nossos clientes internacionais estão bancos globais de origem americana, europeia e japonesa, além de operadores de meios de pagamento em escala global. Somos um dos principais players no mercado bancário institucional das Cayman e respondemos por uma parcela relevante da liquidez institucional no Brasil.”Sobre a entrada da Cainvest no mercado cripto, o executivo destaca que a decisão não foi repentina, mas sim resultado de uma observação contínua sobre a infraestrutura do setor blockchain.Conforme exchanges nacionais precisavam de acesso à liquidez global, a Cainvest apresentava uma solução pronta para esses players.Embora o negócio pareça simples, Aboulafia explica que não se trata somente de compra e revenda.“Operamos um sistema automatizado que monitora preços e demanda em tempo real, executando operações em múltiplos mercados simultaneamente, diversas vezes por segundo. Quando uma exchange precisa de liquidez para atender uma ordem institucional, nós já temos a posição, sem a necessidade de deixar o cliente esperando ou de acionar intermediários adicionais.”Seguindo, o CEO da Cainvest nota que eles começaram trabalhando somente com Bitcoin, mas hoje possuem um sistema que monitora dezenas de ativos entre múltiplas exchanges em tempo real.Dentre as exchanges do Brasil e América Latina que usam os serviços da Cainvest estão Foxbit, Mercado Bitcoin, OKX e Bitso.“Todo novo cliente passa por uma avaliação de risco conduzida pelo nosso time de compliance, operando acima dos padrões exigidos pelo mercado. Nós não conectamos qualquer operador e o critério é estritamente institucional: exigimos licença adequada, histórico operacional e governança verificável.”CEO da Cainvest também falou sobre a stablecoin BRL1Em relação ao BRL1, Charles Aboulafia explica que a criação dessa stablecoin teve como objetivo resolver ineficiências operacionais e de infraestrutura.“O BRL1 nasceu de uma necessidade concreta: transferir valor entre exchanges sem depender da liquidação de um banco intermediário. O caminho convencional exige liquidação bancária, o que adiciona custo e tempo. Com o BRL1, essa transferência ocorre on-chain, diretamente entre as partes institucionais, em tempo real. O diferencial estrutural é a composição do consórcio.”Como destacado anteriormente, a Cainvest atua ao lado da Foxbit, Mercado Bitcoin e Bitso, três das maiores exchanges de criptomoedas do Brasil.Na sequência, o executivo explica que a governança do BRL é exercida de forma conjunta e democrática, onde qualquer um dos participantes pode verificar a integridade do lastro da stablecoin.“Esse modelo de governança consorciada foi estruturado para escalar, permitindo a entrada de novos parceiros institucionais ao longo do tempo e ampliando a capilaridade do protocolo. A listagem do BRL1 em plataformas globais como OKX e Kraken demonstra tração real além do mercado brasileiro.”Cainvest acredita que grandes bancos continuarão explorando o mercado cripto, mas explica que eles não querem lidar com a complexidade operacionalFalando sobre sua visão do futuro do mercado de criptomoedas, Charles Aboulafia acredita que grandes bancos vão internalizar partes de suas operações no mercado de criptomoedas. No entanto, também destaca que esses players buscam soluções prontas.“A maioria dos bancos não tem interesse em se tornar operador de infraestrutura cripto; eles buscam o produto final sem o peso da complexidade operacional. O paralelo mais preciso é a custódia de valores mobiliários. Bancos não constroem seus próprios sistemas do zero; eles utilizam provedores institucionais especializados. O mercado de ativos digitais seguirá o mesmo caminho, com players de infraestrutura regulada operando no atacado, enquanto bancos e exchanges distribuem o acesso aos seus clientes.”Sobre a Cainvest, Aboulafia explica que seu diferencial é seu histórico de décadas operando como parceiros de infraestrutura para instituições financeiras. Ou seja, sua atuação no mercado cripto não partiu do zero.Finalizando, o executivo também fala sobre a questão regulatória no Brasil, apontando que o arcabouço para provedores de serviços de ativos virtuais estabelecido pela Resolução 520 do Banco Central é estruturalmente sólido.“Isso atua como um filtro, removendo operadores sem substância, o que beneficia as instituições que sempre operaram com disciplina.”Sobre o preço do Bitcoin, Aboulafia afirmou que o banco não faz previsões de preço. No entanto, destaca que a criptomoeda já se consolidou como uma reserva de valor digital.Fonte: “Banco dos bancos” explica o futuro do mercado criptoVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.