Braskem (BRKM5): Suporte que sustentava ação está se desfazendo, vê JPMorgan, que rebaixa ação e corta preço-alvo pela metade

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Não bastasse toda a situação financeira da Braskem (BRKM5), a companhia sofreu mais um revés. E agora não se trata de questões operacionais, e sim de macro: a guerra no Irã, ou melhor, a não guerra.Segundo o JPMorgan, o acordo com os Estados Unidos que colocou fim ao conflito diminuiu os spreads petroquímicos, fator fundamental para a companhia neste momento.Os analistas lembram que os spreads ainda continuam acima dos níveis pré-conflito, mas as expectativas foram revisadas para baixo devido ao avanço do cessar-fogo, “o que comprometeu a solidez essencial para uma visão mais construtiva”.A boa notícia é que a publicação dos documentos da reestruturação deu maior clareza às negociações em andamento com os credores.Com isso, a trajetória das ações vai depender principalmente do resultado da reestruturação, e não dos fundamentos.Com isso, o JPMorgan cortou o preço-alvo de R$ 15 para R$ 7,50, com recomendação neutra. Para as ADRs, o banco retirou o preço-alvo de US$ 5,50.A ação fechou em quedaSuporte está se desfazendoSegundo os analistas, o impulso que sustentou a revisão do papel para compra diminuiu.Isso porque o JPMorgan havia considerado margens maiores para o setor petroquímico devido à escalada das tensões no Oriente Médio, que apertou a oferta regional e elevou as margens em toda a cadeia.“Esse suporte agora está se desfazendo parcialmente: embora as margens ainda estejam acima dos níveis pré-conflito, o mercado tem reavaliado o provável impacto do conflito nos balanços petroquímicos globais e, consequentemente, nossas premissas foram ajustadas.”Com isso, o JPMorgan reduziu sua estimativa de Ebitda, que mede o resultado operacional, para US$ 2,2 bilhões em 2026, 20,1% abaixo da estimativa anterior, valor alinhado ao nível apresentado nos materiais da Braskem.Pode parecer pouco, mas, considerando o tamanho da dívida da Braskem, isso torna as consequências ainda piores para o valor patrimonial, “deixando nossas estimativas enviesadas para o lado negativo”.Acordo com os credoresOutro entrave que está no radar dos analistas é o acordo com os credores. Na semana passada, a companhia divulgou os termos do documento. O lado bom é que, enfim, agora os investidores sabem o que esperar.“Ambas as partes permanecem comprometidas com uma reestruturação extrajudicial consensual.”Por outro lado, a negativa da proposta inicial da administração indica que qualquer acordo final provavelmente será menos favorável aos acionistas do que o previsto inicialmente, prevê.Além disso, o JPMorgan diz que os documentos divulgados não deixam dúvidas de que os credores esperam que os acionistas assumam os ônus da dívida; a dúvida é a forma que isso assumirá.Os desfechos possíveis variam desde suporte operacional e de capital de giro até contribuições diretas de capital dos acionistas ou soluções de capital mais diluidoras.Uma reestruturação extrajudicial consensual é o caminho mais provável, sendo a recuperação judicial o principal cenário desfavorável caso as negociações fracassem.“Embora os termos finais permaneçam incertos, agora atribuímos uma probabilidade maior de que os acionistas suportem uma parcela mais significativa do ônus da reestruturação, imitando o potencial de alta e inclinando a relação risco-retorno da ação para um nível que não justifica mais uma recomendação de compra”.