Tenda (TEND3) vira favorita entre construtoras; Cury (CURY3) também ganha espaçoEm um cenário de juros altos e menos apetite por risco, as construtoras voltadas à baixa renda continuam encontrando espaço nas carteiras dos investidores. Segundo análise do Safra, reuniões com investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro mostraram preferência por empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida, enquanto companhias de média e alta renda seguem sob maior cautela.O banco aponta que a alocação média em ações do setor imobiliário caiu para cerca de 5% a 10%, abaixo dos níveis observados em 2025, quando a exposição ficava entre 10% e 15%. Mesmo assim, a baixa renda segue como consenso positivo entre investidores, apoiada por modelos de negócios considerados mais resilientes e pela expectativa de novos estímulos ao programa habitacional.Construtoras de baixa renda lideram preferênciaNesse ambiente, a Tenda (TEND3) apareceu como a principal escolha entre investidores, segundo o Safra. A companhia é vista com bom momento operacional e expectativa de possíveis revisões positivas de guidance.O modelo de vendas pro soluto ainda gera preocupação, mas o risco é considerado mais relevante apenas no cenário pós-eleitoral. Além da Tenda, Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) também seguem bem posicionadas.Entre Cury e Direcional, os investidores demonstraram leve preferência pela Cury, diante da melhor conversão de caixa e do dividend yield mais atrativo. O Safra também destaca que possíveis reduções de taxas nas Faixas 3 e 4 do Minha Casa Minha Vida seguem no radar do mercado.MRV e Plano&Plano ainda exigem provaA MRV (MRVE3), por outro lado, despertou menos entusiasmo nas conversas. O Safra aponta que o maior nível de alavancagem financeira e as incertezas envolvendo a Resia ainda pesam sobre a percepção dos investidores. Ainda assim, parte do mercado já reduziu posições vendidas após a queda recente das ações.A Plano&Plano (PLPL3) voltou ao radar depois da forte correção dos papéis, mas investidores ainda aguardam sinais mais consistentes de melhora operacional antes de aumentar exposição ao nome.Juros pesam sobre média e alta rendaNo segmento de média e alta renda, o sentimento segue mais fraco. A preocupação principal está nos estoques elevados em São Paulo, que podem limitar vendas e pressionar resultados em um cenário de juros altos por mais tempo.Ainda assim, Cyrela (CYRE3) e Moura Dubeux (MDNE3) chamaram atenção nas reuniões. No caso da Cyrela, investidores mais otimistas esperam números sólidos no segundo trimestre e acompanham a maior exposição ao Minha Casa Minha Vida, que já representa cerca de 40% dos lançamentos consolidados da companhia. Para as construtoras, o Safra aponta que a Moura Dubeux também ganhou destaque pelo momento operacional mais forte e pela maior probabilidade de revisões positivas de lucro nos próximos trimestres.