O mercado de criptomoedas entra em julho pressionado, com o Bitcoin em torno de sua mínima do ano tendo caído 20% em junho, no pior mês do BTC em quatro anos. Depois de perder suportes importantes, o principal criptoativo do mercado passou a oscilar abaixo dos US$ 60 mil, em um cenário marcado por juros elevados nos Estados Unidos, dólar firme, ouro em alta e uma migração de parte do capital especulativo para ações ligadas à inteligência artificial.Para André Franco, CEO da Boost Research, a leitura técnica segue frágil. O Bitcoin precisaria reconquistar a faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil para aliviar a pressão de curto prazo. Caso contrário, a perda dos US$ 60 mil poderia abrir espaço para uma nova queda em direção aos US$ 55 mil. Na visão do analista, apenas uma recuperação acima dos US$ 97 mil mudaria estruturalmente a sequência de topos e fundos descendentes iniciada após o topo histórico de outubro de 2025.Nesse ambiente, os analistas ouvidos pelo Portal do Bitcoin seguem adotando uma postura seletiva. A avaliação predominante é que, sem um gatilho claro para uma alta ampla do mercado, o capital tende a buscar projetos com fundamentos sólidos, receita real, adoção institucional, catalisadores próprios e eventos concretos programados para o mês.A equipe de Research da Coinext destaca quatro narrativas principais para julho: DeFi com receita comprovada, infraestrutura de stablecoins e pagamentos institucionais, tokenização de ativos do mundo real e protocolos de derivativos com fundamentos defensivos.Confira abaixo as criptomoedas que são apostas dos analistas em julho:Hyperliquid (HYPE)A Hyperliquid segue como uma das queridinhas do mercado. O token HYPE foi citado por André Franco, pela Coinext e por Pedro Fontes, analista de research do MB | Mercado Bitcoin, como uma das teses mais fortes do momento, especialmente pela capacidade da plataforma de gerar receita mesmo em um mercado cripto fragilizado.Leia também: Hyperliquid pode subir mais de 400% com projeto virando uma “exchange de tudo”, diz MulticoinSegundo André Franco, o HYPE segue demonstrando força relativa enquanto boa parte das altcoins perde terreno. Para o analista, isso reforça a principal tese do protocolo: a Hyperliquid consegue gerar receita de forma consistente independentemente da direção do mercado. O motor dessa resiliência está no modelo em que praticamente todas as taxas geradas pela plataforma são usadas para recomprar HYPE no mercado aberto, com os tokens recomprados retirados de circulação.Esse mecanismo cria uma demanda recorrente pelo token sempre que há volume de negociação. Em um ambiente de volatilidade elevada, a plataforma tende a se beneficiar do aumento da atividade de traders, inclusive daqueles que migraram de outros segmentos mais especulativos do mercado, como memecoins.A Coinext também destaca que a Hyperliquid se consolidou como uma das principais exchanges descentralizadas de contratos perpétuos do mundo, operando em sua própria blockchain de camada 1, com desempenho comparável ao de grandes corretoras centralizadas. A casa aponta ainda que a expansão para tokenização de ações, commodities e ativos pré-IPO reforça a narrativa de integração entre DeFi e mercados tradicionais.Fontes segue na mesma linha e avalia que o HYPE oferece exposição ao crescimento dos derivativos descentralizados e à monetização da volatilidade global. Para a casa, a plataforma passou a capturar demanda não apenas de traders cripto, mas também de participantes interessados em negociar derivativos ligados a petróleo, índices, ações e empresas de grande demanda.Aave (AAVE)A Aave aparece como uma das principais apostas ligadas à retomada dos protocolos consolidados de DeFi. O ativo foi citado pela Coinext, pela Foxbit e pelo MB como uma tese de infraestrutura financeira descentralizada com uso real, geração de taxas e crescente conexão com a tokenização de ativos do mundo real.A Coinext avalia que o Aave é o maior protocolo de empréstimos descentralizados do mercado, permitindo que usuários emprestem e tomem criptoativos sem intermediários. A casa destaca a divisão Horizon, focada em ativos do mundo real, que superou US$ 450 milhões em valor total bloqueado, sinalizando que o crescimento do protocolo está cada vez mais sustentado por utilidade concreta e não apenas por fluxo especulativo.Leia também: Aave pode superar Bitcoin e Ethereum e disparar 50 vezes, diz Standard CharteredPara Marcelo Person, Crypto Treasury & Markets Director da Foxbit, o Aave representa a maturidade do setor de DeFi. Em um mercado mais seletivo, protocolos consolidados e com geração real de atividade tendem a ganhar relevância. O crescimento do lending descentralizado e a busca por eficiência de capital podem beneficiar diretamente o ativo.Fontes, do MB, também destaca a resiliência da Aave após episódios recentes de estresse no setor de lending descentralizado. Segundo ele, o protocolo preservou sua relevância e passou a ser visto como uma das infraestruturas mais robustas do segmento. A casa vê AAVE como uma exposição interessante para investidores que buscam ativos ligados à retomada do DeFi e à expansão do crédito on-chain.Chainlink (LINK)A Chainlink volta ao radar em julho como uma das principais teses de infraestrutura para tokenização, interoperabilidade e integração entre o sistema financeiro tradicional e o mercado cripto. Os analistas destacam o papel da rede como fornecedora de dados confiáveis para contratos inteligentes.A Coinext aponta que a Chainlink já assegura mais de US$ 28 trilhões em valor transacionado e atua como uma infraestrutura crítica para iniciativas institucionais de tokenização. Um dos principais catalisadores recentes foi o Project Pangea, iniciativa que reúne mais de 50 bancos da Coreia do Sul e da Europa, com mais de US$ 10 trilhões em ativos sob gestão, para testar liquidação de operações cambiais via stablecoins usando o protocolo CCIP da Chainlink em conjunto com infraestrutura Swift e o padrão ISO 20022.A casa também destaca a escolha da Chainlink como provedora exclusiva de oráculos para os mercados de previsão oficiais da Copa do Mundo de 2026 da FIFA, além da listagem do ETF de LINK da Bitwise na NYSE Arca. Para a Coinext, há uma divergência entre o avanço da adoção da rede e o preço do token, que ainda negocia perto de mínimas trimestrais.Na avaliação da Foxbit, a crescente demanda por interoperabilidade e tokenização de ativos reais pode recolocar LINK no centro das atenções. A integração entre sistemas financeiros tradicionais e blockchain depende cada vez mais de infraestrutura de dados confiável, o que fortalece o papel estratégico da Chainlink.Outras criptomoedas para ficar de olhoAlém dos três principais destaques, os analistas citaram outras criptomoedas que podem ganhar relevância em julho por causa de catalisadores específicos. A Ondo Finance aparece na seleção da Coinext como uma das apostas mais diretas na tokenização de ativos do mundo real. A plataforma tem mais de US$ 2,5 bilhões em valor total bloqueado e cerca de 430 ativos tokenizados disponíveis. O principal catalisador do mês é o início da fase de produção limitada do piloto de tokenização da DTCC, com participação da Ondo ao lado de BlackRock, JPMorgan e Goldman Sachs.A Injective também foi escolhida pela Coinext como uma tese de infraestrutura para aplicações financeiras on-chain. A rede lançou em junho o upgrade Vulcan, que reduziu em 90% o custo de gás para serviços de oráculo e fortaleceu sua posição na interseção entre DeFi e tokenização de ativos do mundo real. Já a Stellar entra como uma aposta de menor perfil de risco, apoiada no piloto da DTCC, na expansão do protocolo CCTP da Circle para a rede e no upgrade de protocolo marcado para 8 de julho, com foco em autenticação delegada e preparação para criptografia resistente à computação quântica.O Pendle foi citado pela Coinext como um protocolo de tokenização de rendimento futuro beneficiado pela expansão de ativos RWA que geram yield dentro do DeFi. O ativo também aparece entre os projetos com validação institucional crescente, após ser incluído na lista de acompanhamento da Grayscale para o segundo trimestre de 2026. O Mercado Bitcoin também cita Pendle indiretamente dentro da tese de DeFi com receita real, ao destacar o avanço de protocolos que capturam demanda por rendimento e eficiência de capital.A Uniswap foi destacada pelo Mercado Bitcoin como a principal exchange descentralizada do mercado cripto e uma das infraestruturas mais importantes do DeFi. A tese para UNI ganhou força pela melhora da percepção institucional sobre o ativo e pela expansão da Uniswap para ativos tokenizados, incluindo ações e instrumentos financeiros que começam a migrar para o ambiente on-chain.Leia também: Tokenização pode levar DeFi a US$ 2,7 trilhões e fazer UNI disparar 40 vezes, diz Standard CharteredA Jupiter, por sua vez, aparece como uma aposta ligada ao crescimento da Solana e da tokenização dentro da rede. Segundo o MB, a plataforma é o principal agregador de liquidez do ecossistema Solana e pode se beneficiar do avanço da negociação de ações tokenizadas, especialmente em mercados que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana.A Aerodrome também integra a lista do MB como uma tese de maior assimetria. O protocolo é a principal exchange descentralizada da Base, rede de segunda camada da Ethereum desenvolvida pela Coinbase, e tem como principal catalisador o lançamento previsto do mecanismo Predictive Allocation, que busca tornar a distribuição de incentivos de liquidez mais eficiente.A Arbitrum foi citada pela Foxbit como uma das principais soluções de segunda camada do Ethereum. A rede continua liderando entre as L2s em atividade e valor bloqueado, beneficiada pela demanda por taxas mais baixas e pelo crescimento de aplicações on-chain. Para a Foxbit, julho pode reforçar a importância das soluções de escalabilidade dentro do ecossistema Ethereum.Bitcoin, Ethereum e SolanaMesmo com o foco em altcoins com catalisadores próprios, Bitcoin, Ethereum e Solana continuam entre os principais ativos de referência para julho. O Bitcoin segue como o termômetro central do mercado, mas a leitura de curto prazo é cautelosa. André Franco afirma que o ativo precisa recuperar a faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil para aliviar a pressão, enquanto a perda dos US$ 60 mil poderia abrir espaço para nova queda. Para a Foxbit, o BTC segue como principal indicador de confiança do mercado e julho será importante para avaliar a continuidade do fluxo institucional.O Ethereum aparece como a principal base para aplicações financeiras descentralizadas e tokenização. Person, da Foxbit, destaca que a maturidade do ecossistema, o crescimento das redes de segunda camada e o uso crescente de stablecoins mantêm o ETH como peça central da infraestrutura digital global. Apesar disso, André Franco afirma que, neste momento, a Solana ocupa o espaço que antes pertencia ao Ethereum entre as principais teses de exposição a uma camada base.Já no caso da Solana, Franco diz que o SOL entra por fundamento e por fluxo: a rede conta com ETF à vista em negociação desde outubro de 2025 e vem captando rotação institucional em meio a saídas de ETFs de Bitcoin. O analista ressalta, porém, que a receita on-chain da rede esfriou em 2026 com a perda de força das memecoins, o que exige acompanhamento próximo da retomada da atividade. Já o MB destaca que a Solana tem mais de 240 aplicações descentralizadas, TVL relevante, possibilidade de ETF à vista com staking e estratégias de acumulação por tesourarias corporativas, fatores que sustentam uma visão positiva para o ecossistema.Buscando uma carteira com alto ganho, mas sem o sobe e desce do mercado? A Renda Fixa Digital do MB oferece ativos com ganhos de até 18% ao ano, risco controlado e total segurança para seus investimentos. Conheça agora!O post 10 criptomoedas que podem disparar em julho, segundo analistas apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.