Carros com câmbio manual exercitam o cérebro e previnem envelhecimento, aponta estudo

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O câmbio manual está desaparecendo rapidamente não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Uma nova pesquisa desenvolvida no Japão, traz um bom argumento para que as transmissões manuais tenham sobrevida: ela traz benefícios práticos para a saúde mental dos motoristas.O estudo, conduzido pelo professor Ryuta Kawashima, da Universidade de Tohoku, mostra que o ato de trocar as marchas e debrear a embreagem estimula o córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pela memória, atenção e tomada de decisões.Controle da embreagem nas trocas de marcha estimula área estratégica do cérebroArquivo/Quatro RodasKawashima, cientista conhecido por desenvolver a tecnologia neurocientífica por trás do jogo Brain Age da Nintendo, concluiu que a complexidade de dirigir um carro manual funciona como uma ginástica diária para a mente. Em um país com envelhecimento populacional acelerado como o Japão, essa exigência contínua ajuda a preservar as funções cognitivas que os condutores não utilizariam em um carro automático.O impacto cognitivo dos carros manuaisA pesquisa detalha que as exigências físicas de conduzir um carro mecânico mantém a rede neural sempre em alerta. Avaliar a velocidade do tráfego, acionar a embreagem, selecionar a marcha correta com a mão e dosar o acelerador simultaneamente demanda um grau de foco que prende a atenção do motorista. Em modelos automáticos, o cérebro do condutor entra em um modo de menor esforço e adota uma postura muito mais passiva. Continua após a publicidadeEssa descoberta cria um contraponto irônico na indústria automotiva atual. Enquanto entusiastas gastam tempo e energia defendendo a permanência da embreagem em carros esportivos caros, como o Porsche 911 GT3, muitos dos carros mais vendidos do Brasil já perderam as versões com câmbio manual ou estas são versões esquecidas, raramente encontradas nas lojas.Toyota Corolla já teve câmbio manual nas versões comum, mas opção desapareceu há quase 10 anosMarco de Bari/Quatro RodasApesar da vantagem para a saúde mental, os carros manuais também já representam uma fração minúscula do mercado asiático. Segundo dados locais, as vendas de modelos manuais correspondem a apenas algo entre 1% e 2% dos emplacamentos totais de veículos novos no Japão, consolidando o domínio irreversível do câmbio automático. Quase todos os manuais que restam no Japão são versões de entrada de keicars de carga e furgões. Continua após a publicidadeHíbridos forçam a mudança definitivaA busca por eficiência em emissões e por mais conforto minaram a popularidade do câmbio manual. Referências globais de mercado como o Toyota Corolla e o Honda Civic hoje adotam a transmissão CVT obrigatoriamente por conta de seus conjuntos híbridos. Apenas as versões esportivas de baixo volume destes modelos seguem resistindo com câmbio manual e embreagem. Publicidade