ETFs de Bitcoin têm pior mês da história e perdem US$ 4,5 bilhões

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Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin (BTC) à vista nos Estados Unidos registraram saída líquida de US$ 4,5 bilhões em junho, a maior retirada mensal desde que os produtos foram lançados, em janeiro de 2024. Segundo dados da SoSoValue, os ETFs tiveram mais um dia de resgates líquidos em 30 de junho, no valor de US$ 222,6 milhões, o que estendeu para nove dias a sequência negativa que encerrou o mês.O IBIT, da BlackRock, maior ETF de Bitcoin à vista em ativos líquidos, concentrou a maior parte das saídas, com US$ 3,55 bilhões resgatados somente neste mês. A retirada mensal combinada de US$ 4,5 bilhões superou em 29% o recorde anterior, de US$ 3,48 bilhões, registrado em fevereiro de 2025.Para Marion Laboure, analista do Deutsche Bank, a venda contínua nos fundos sinaliza perda de interesse dos investidores tradicionais, com o pessimismo em alta em relação à criptomoeda.A oferta pública inicial da SpaceX movimentou mais de 555 milhões de ações e captou US$ 75 bilhões, no que foi o maior volume de compras líquidas de investidores de varejo em um único dia já registrado.Os ativos líquidos totais dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos caíram para cerca de US$ 70,9 bilhões, ante picos acima de US$ 110 bilhões no início do ano. Ainda assim, as entradas líquidas acumuladas desde o lançamento dos produtos seguem positivas, em mais de US$ 51 bilhões.Leia tambémTrump faturou mais de R$ 6 bi com criptomoedas em 2025, mostra declaraçãoNegócios de cripto da família Trump geraram fortuna de US$ 1,2 bi no primeiro ano do novo mandato, enquanto investidores comuns amargam perdas; Casa Branca nega conflito de interesseStablecoins já respondem por 80% do volume de cripto no Brasil, mostra ReceitaDados da Receita Federal mostram que a participação das moedas digitais atreladas ao dólar e ao real saltou de 3,5% em 2019 para até 94,3% em quatro anosPressão sobre o BitcoinO Bitcoin caiu para cerca de US$ 58,5 mil, patamar visto pela última vez de forma consistente em setembro de 2024. O criptoativo acumula queda de 20% nos últimos 30 dias e de 45% nos últimos 12 meses, em meio a forte volatilidade. O preço médio estimado de compra dos investidores nos ETFs está próximo de US$ 82 mil, o que deixa parte relevante dessas posições no prejuízo no patamar atual.Para Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault Capital, abaixo do patamar de US$ 58 mil a US$ 60 mil, inclina o cenário técnico para a região de defesa entre US$ 56 mil e US$ 55 mil e, caso essa barreira seja rompida, para o alvo de US$ 54 mil. Segundo ele, uma sustentação acima de US$ 62 mil ao longo da semana mudaria essa leitura, mas, pela forma como o fechamento semanal se deu, a probabilidade que carrega é de rejeição e continuidade do movimento de baixa.Leia mais: Bitcoin é o pior investimento do semestre: 3 razões e o que esperar agoraEm relatório recente, a Bitfinex avaliou que o Bitcoin pode cair a um novo piso, próximo a US$ 40 mil, até o quarto trimestre deste ano.Jerald David, CEO da Lynq, pondera que as saídas dos ETFs podem gerar pressão vendedora no curto prazo, já que representam a redução de uma das fontes de demanda pelo Bitcoin à vista, o que tende a ampliar a volatilidade e dificultar a sustentação de um movimento de alta nas próximas semanas.Segundo Camargos, hedge funds também fizeram “a maior aposta da história em semicondutores”, com a exposição líquida do setor batendo recorde de cerca de 35% da exposição global total, mais que triplicando em 12 meses. Uma pesquisa do BofA mostra que 80% dos investidores globais consideram “comprar semicondutores” o trade mais lotado do mundo, a segunda maior leitura desde 2014.“Quando todo mundo está do mesmo lado do barco, num único setor, alavancado, basta um rebalanceamento de portfólio, nem precisa ser venda agressiva, para gerar um efeito cascata”, afirma o CIO da Vault Capital. Ele lembra que esse tipo de movimento já apareceu em junho, quando a queda dos papéis de semicondutores na Coreia do Sul repercutiu no Bitcoin por correlação.A Vault Capital também identifica sinais de estresse. Detentores de longo prazo voltaram a movimentar moedas antigas para as exchanges, sinal típico de venda, e o movimento que levou o Bitcoin abaixo de US$ 60 mil teve a digital de detentores de curto prazo: em 24 horas, mais de 55 mil BTC fluíram para as corretoras, dos quais 53 mil no prejuízo.“Foi pânico real, a terceira vez que o BTC perde US$ 60 mil no ano”, diz Camargos. Segundo ele, porém, esse tipo de capitulação tende a aparecer perto da exaustão do movimento, não no início de uma nova perna de baixa.The post ETFs de Bitcoin têm pior mês da história e perdem US$ 4,5 bilhões appeared first on InfoMoney.