A Microsoft anunciou nesta quinta-feira, 2, a criação da Microsoft Frontier Company, uma nova organização voltada à implementação de inteligência artificial (IA) em empresas. Segundo a companhia, a iniciativa contará com investimento de US$ 2,5 bilhões e reunirá mais de 6 mil profissionais para desenvolver, implantar e operar sistemas de IA diretamente nas instalações dos clientes, ampliando a disputa entre as gigantes de tecnologia pelo mercado corporativo.A nova estrutura será comandada por Rodrigo Kede Lima, executivo que presidia a operação da Microsoft na Ásia. Em comunicado, a empresa afirmou que a Frontier Company terá liderança própria e responsabilidade financeira independente, embora um porta-voz tenha informado ao site GeekWire que a iniciativa não é uma empresa separada do ponto de vista jurídico. A maior parte dos profissionais já integra os quadros da Microsoft e a organização deverá crescer com contratações nas áreas de engenharia, inteligência artificial e indústria.O modelo adotado é conhecido no setor como engenharia de implantação avançada. Nesse formato, fornecedores de tecnologia destacam seus próprios engenheiros para trabalhar dentro das empresas clientes, adaptando sistemas de IA aos dados, processos e necessidades específicas de cada organização, em vez de apenas comercializar ferramentas prontas.Nova aposta na implementação de IAAo anunciar a iniciativa, o CEO da divisão comercial da Microsoft, Judson Althoff, afirmou que a nova organização "vai além do que tem sido chamado de Engenharia de Implantação Avançada (FDE, na sigla em inglês) e será a maior, mais capaz e orientada a resultados organização de engenharia do setor". A estratégia chega em um momento de forte movimentação entre concorrentes. Nos últimos meses, OpenAI, Anthropic e Amazon anunciaram estruturas semelhantes para acelerar a adoção de IA por grandes empresas.Segundo a Microsoft, o objetivo é ajudar clientes que enfrentam dificuldades para transformar ferramentas como ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot em resultados concretos. A avaliação do setor é que, embora os modelos de IA tenham demonstrado grande capacidade técnica, muitas empresas ainda encontram obstáculos para integrá-los aos sistemas internos e aos fluxos de trabalho existentes.A companhia também aposta na privacidade como diferencial competitivo. De acordo com a empresa, os dados e o conhecimento gerados pelos clientes permanecerão sob seu controle e não serão utilizados para treinar modelos de IA de forma que possam beneficiar concorrentes. Além disso, a Microsoft afirma que os clientes poderão utilizar diferentes modelos de IA, próprios, da OpenAI, da Anthropic ou de projetos de código aberto, sem ficarem restritos a um único fornecedor.Essa visão já havia sido defendida pelo CEO da Microsoft, Satya Nadella. Em ensaio publicado em 14 de junho, o executivo afirmou que "a última coisa que qualquer um de nós deseja é um mundo onde todas as empresas, em todos os setores, cedam valor a alguns modelos que devoram tudo o que veem". Segundo Nadella, "se todo o valor for acumulado por apenas alguns modelos, a economia política simplesmente não tolerará isso".Apesar da nova marca, a Microsoft já mantém equipes dedicadas à implementação de soluções tecnológicas em clientes por meio de divisões como a Industry Solutions Delivery e de programas como o FastTrack, além de parcerias com empresas como Accenture e EY. A companhia não informou se os US$ 2,5 bilhões representam novos investimentos ou recursos já previstos em orçamento, nem detalhou o impacto da iniciativa sobre suas atuais operações de consultoria.