O governo federal quer ampliar a participação do Brasil na produção mundial de minerais críticos de 8,3% para 12,2% até 2050, segundo números do PNM 2050 (Plano Nacional de Mineração 2050).O plano será lançado nesta quinta-feira (2), após apresentação em reunião do CNPM (Conselho Nacional de Política Mineral). O documento estabelece uma visão de longo prazo para o setor mineral brasileiro e coloca os minerais críticos entre os eixos centrais da estratégia.A lista envolve insumos considerados essenciais para cadeias de alto valor agregado, como transição energética, defesa, semicondutores, baterias, fertilizantes, tecnologia e indústria de transformação. Entre os minerais associados a essa agenda estão, por exemplo, terras raras, lítio, níquel, cobre, grafita, fosfato e potássio, a depender da classificação adotada. Leia Mais Minerais críticos: Queremos agregar valor invés de exportar, diz Alckmin Silveira: Conselho de minerais é de Estado e não deve gerar desconfiança Exclusivo: Petrobras estuda entrada em energia nuclear com reator modular A meta aparece em meio à disputa global por cadeias de suprimento menos dependentes da China, país que domina etapas relevantes do processamento de minerais críticos, especialmente no caso de terras raras e ímãs permanentes.No diagnóstico do governo, o Brasil tem reservas importantes e presença relevante em parte da produção mineral mundial, mas ainda precisa avançar em pesquisa mineral, beneficiamento, transformação industrial e agregação de valor.O PNM 2050 prevê, por exemplo, elevar os investimentos em pesquisa mineral de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões por ano. A pesquisa é considerada etapa essencial para transformar potencial geológico em projetos economicamente viáveis.Outro ponto do plano é ampliar a participação da indústria de transformação mineral no PIB do setor, de 51,5% para 65%. Na prática, a diretriz busca reduzir a dependência da exportação de bens minerais com baixo processamento e aumentar a produção local de insumos com maior valor agregado.O governo também quer reduzir o tempo médio de análise de processos minerários, de 1.563 dias para 780 dias. O gargalo regulatório é apontado pelo setor privado como um dos principais entraves para transformar jazidas em projetos produtivos.Apesar das metas, o PNM 2050 não será o documento final de execução. Depois da publicação do plano, o governo terá 180 dias para apresentar um Plano de Metas e Ações, que deverá detalhar as medidas concretas para cumprir os objetivos, incluindo prazos, responsáveis, prioridades e instrumentos de financiamento ou coordenação pública.A elaboração do PNM ocorre em paralelo à discussão de um novo marco legal para minerais críticos no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto que cria instrumentos para estimular pesquisa, financiamento, agregação de valor e rastreabilidade no setor. O texto ainda precisa passar pelo Senado.Integrantes do governo avaliam que a agenda mineral passou a ter dimensão estratégica para o país, tanto pelo potencial econômico quanto pelo papel dos insumos na disputa entre grandes potências.A leitura interna é que o Brasil precisa evitar repetir, nos minerais críticos, um modelo baseado apenas na extração e exportação de matéria-prima. A aposta do PNM 2050 é posicionar o país em etapas mais sofisticadas da cadeia, com processamento, tecnologia, pesquisa e uso industrial dos minerais em território nacional.