A nova política da Strategy para permitir vendas seletivas de Bitcoin aumentou a incerteza no mercado cripto, segundo o JPMorgan. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o banco afirmou que a decisão da empresa de Michael Saylor criou um risco “de duas vias” para o preço do BTC, já que a companhia passa a ser vista não apenas como uma grande compradora, mas também como uma possível fonte de oferta do ativo.A Strategy formalizou nesta semana uma política que permite vender bitcoins para financiar dividendos de ações preferenciais quando considerar apropriado. A empresa também autorizou recompras de ações preferenciais e de ações ordinárias como parte de uma estratégia mais ampla de gestão de capital.A companhia definiu ainda uma meta mínima de reserva de caixa equivalente a 12 meses de dividendos preferenciais e despesas com juros. Atualmente, a reserva é de US$ 2,55 bilhões, suficiente para cobrir cerca de 17 meses dessas obrigações.Para o JPMorgan, porém, esse colchão ainda não é suficiente para tranquilizar investidores. A equipe liderada por Nikolaos Panigirtzoglou afirmou que uma cobertura entre 24 e 36 meses seria necessária para deixar o mercado mais confortável com a ideia de que a Strategy não precisaria vender bitcoins no futuro previsível. Segundo o banco, isso poderia ser feito por meio de emissão de ações ordinárias para ampliar as reservas em dólar, mesmo que as ações passem a negociar com desconto em relação ao valor dos ativos líquidos.A avaliação é relevante porque a Strategy se tornou uma das maiores detentoras corporativas de Bitcoin do mundo. A empresa tem 847.363 BTC em seu balanço, o equivalente a cerca de 4% da oferta total da criptomoeda. Ao longo dos últimos anos, a estratégia agressiva de acumulação transformou a companhia em uma das principais fontes de demanda pelo BTC.Leia também: Strategy anuncia plano para vender Bitcoin, recomprar ações e aumentar dividendosSegundo o JPMorgan, a Strategy comprou aproximadamente US$ 13,7 bilhões em Bitcoin desde o início do ano, valor que representa cerca de 70% da estimativa do banco para os fluxos líquidos totais direcionados a ativos digitais no período. Por isso, qualquer mudança na percepção sobre a postura da companhia pode ter impacto relevante sobre liquidez, preço e sentimento dos investidores.O problema, segundo os analistas, é que o mercado passa a conviver com uma dinâmica menos previsível. Até agora, a Strategy era vista quase exclusivamente como compradora estrutural de Bitcoin. Com a nova política, passa a existir a possibilidade de a empresa comprar em alguns momentos e vender em outros, ainda que de forma seletiva e limitada.Essa mudança cria o que o JPMorgan chamou de risco “two-way”, ou seja, de fluxo em duas direções. Na prática, o investidor deixa de enxergar a Strategy apenas como uma fonte constante de demanda e passa a considerar também o risco de vendas eventuais, especialmente em momentos de pressão sobre caixa, dividendos ou estrutura de capital.O banco afirma que esse risco era evitável e pode aumentar a volatilidade do mercado cripto. A própria Strategy pode ser prejudicada por esse efeito, já que uma volatilidade maior tende a encarecer futuras captações de dívida e de capital usadas para financiar novas compras de Bitcoin.A preocupação aparece em um momento em que outras fontes importantes de demanda institucional também enfraqueceram. Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos, que se tornaram o principal canal de entrada institucional no mercado desde o lançamento em 2024, registraram saídas líquidas recordes de US$ 4 bilhões em junho. Uma sequência de 13 dias de resgates levou os fluxos acumulados no ano ao campo negativo pela primeira vez.Segundo o JPMorgan, o Bitcoin já havia sofrido pressão no fim de maio e no início de junho, depois que a Strategy informou em documento regulatório de 1º de junho ter vendido 32 BTC entre 26 e 31 de maio para financiar pagamentos de dividendos. As vendas ocorreram em um ambiente já desfavorável, marcado pela reprecificação das expectativas de juros do Federal Reserve, que também pressionou Bitcoin e ouro.A combinação entre saídas dos ETFs, juros americanos mais altos e dúvidas sobre a postura da Strategy ajudou a aumentar a aversão ao risco no mercado cripto. Para o JPMorgan, o tamanho da empresa torna qualquer sinal de venda especialmente relevante, mesmo que os volumes iniciais sejam pequenos em relação ao total mantido em tesouraria.O relatório também aponta que o sentimento pessimista atual pode acabar funcionando como um sinal contrário positivo para o mercado. Ainda assim, uma recuperação mais forte do Bitcoin no segundo semestre dependeria de alguns fatores, como a ampliação das reservas de caixa da Strategy e a aprovação, nos Estados Unidos, de projetos pendentes de estrutura de mercado para criptoativos.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post Venda de Bitcoin pela Strategy aumenta risco para mercado cripto, diz JPMorgan apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.