O governo do Peru decretou estado de emergência em 796 distritos do país devido ao risco de chuvas intensas associadas ao fenômeno climático El Niño. A medida, publicada nesta quinta-feira (2/6), terá validade de 60 dias e busca acelerar ações preventivas para reduzir os impactos provocados pelas precipitações previstas para os próximos meses.O decreto foi assinado pelo presidente José Maria Balcazar e abrange cerca de 40% dos distritos peruanos, incluindo áreas das regiões de Lima, Cusco e Arequipa, consideradas entre as mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.Segundo o governo, a situação representa um risco considerado “muito alto” para milhares de moradores, o que justifica a adoção de medidas excepcionais para prevenção de desastres.País busca reduzir impactosAo decretar o estado de emergência, o governo peruano pretende reforçar as ações de prevenção antes da intensificação do período chuvoso. A expectativa é minimizar os danos às comunidades mais vulneráveis e garantir uma resposta mais rápida caso ocorram enchentes, deslizamentos ou outras emergências relacionadas ao El Niño.As autoridades seguem monitorando as condições meteorológicas e afirmam que novas medidas poderão ser adotadas caso haja agravamento do cenário nas próximas semanas. Leia também CiênciaSatélite da Nasa mostra que El Niño de 2026 já está em curso São PauloEl Niño: MPSP cobra medidas de prevenção na Baixada Santista CiênciaAlém do El Niño, aquecimento global explica mudanças climáticas Milena TeixeiraEl Niño destrava R$ 337 milhões contra incêndios O que é o El Niño?O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia o clima em diversas partes do planeta.Embora ocorra de forma periódica, seus efeitos variam de intensidade a cada episódio. Em alguns anos, o fenômeno provoca mudanças significativas no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes continentes.Na costa oeste da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador, o El Niño costuma aumentar consideravelmente o volume de chuvas. Isso favorece enchentes, transbordamento de rios, deslizamentos de terra e danos à infraestrutura, além de afetar a agricultura e provocar prejuízos econômicos.Em outras regiões do mundo, o fenômeno pode causar efeitos opostos, como estiagens prolongadas, ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais.Impactos também podem atingir o BrasilNo Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região. Em anos de atuação do fenômeno, é comum que o Sul registre chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes, enquanto partes do Norte e do Nordeste enfrentam redução das precipitações e períodos de seca mais prolongados.As alterações climáticas também podem influenciar a produção agrícola, a geração de energia hidrelétrica, o abastecimento de água e favorecer a ocorrência de eventos extremos em diferentes estados.