Uma fotografia registrada pelo pesquisador Carlos Jared, diretor do Laboratório de Biologia Estrutural do Instituto Butantan, foi selecionada entre as melhores imagens científicas apresentadas pela Royal Society na última década. Premiada originalmente em 2017 com menção honrosa na categoria Ecologia e Ciência Ambiental, a imagem retorna agora à Summer Science Exhibition 2026, em Londres, em uma mostra especial que reúne os registros científicos mais marcantes exibidos pela instituição nos últimos dez anos.Intitulada The rainy season, the green tree frog and the maintenance of life, a fotografia retrata o acasalamento de pererecas-verdes (Phyllomedusa nordestina, atualmente classificadas como Pithecopus gonzagai) e será exibida no dia 3 de julho como parte da exposição promovida pela Royal Society, uma das mais tradicionais instituições científicas do mundo.Mais do que uma imagem de grande impacto visual, a fotografia registra um comportamento raro na natureza. O clique foi feito durante uma expedição em Angicos, no Rio Grande do Norte, na Caatinga, bioma onde Carlos Jared estuda, há mais de 40 anos, as adaptações de anfíbios capazes de sobreviver em um dos ambientes mais secos do país.A imagem mostra um casal de pererecas-verdes em amplexo – o abraço reprodutivo característico dos anfíbios. O momento ocorre logo após as primeiras chuvas, quando animais que passaram meses ou até anos escondidos em ambientes úmidos emergem para garantir a reprodução da espécie. Leia também: 1.Brasileira vence concurso internacional com fotografia subaquática 2.Concurso de fotografia Amazoniar anuncia vencedores Segundo o pesquisador, o título da obra faz referência justamente a esse fenômeno. “Quando chegam as chuvas, a prioridade desses animais não é se alimentar, e sim reproduzir. É a manutenção da vida.”Registrar esse comportamento exigiu anos de trabalho de campo, observação da fauna e conhecimento sobre o ciclo de vida desses animais.“Se chegássemos alguns minutos antes ou depois, provavelmente perderíamos a cena. É isso que torna esse tipo de fotografia tão especial: ela registra um instante muito específico da história natural dessa espécie.”O reconhecimento da Royal Society reforça o papel da fotografia científica como ferramenta para aproximar a pesquisa da sociedade. A edição de 2026 da Summer Science Exhibition destaca registros capazes de traduzir descobertas científicas em narrativas visuais acessíveis ao público. “Muito além da beleza estética, a fotografia registra décadas de pesquisa sobre a biodiversidade brasileira”, reforça o pesquisador.Mais de cinco décadas unindo ciência e fotografiaCom mais de 50 anos de atuação no Instituto Butantan, Carlos Jared reúne um acervo com mais de 46 mil fotografias produzidas durante pesquisas realizadas em diferentes biomas brasileiros desde a década de 1970, além de um vasto arquivo em preto e branco. Para Jared, a fotografia sempre foi consequência da pesquisa. “O objetivo nunca foi produzir apenas uma fotografia bonita. Nós estávamos estudando o comportamento e as adaptações desses animais. A fotografia nasceu da ciência.”Carlos Jared reúne um extenso acervo com mais de 46 mil fotos produzidas durante suas pesquisas. Foto: Comunicação | ButantanSegundo o pesquisador, imagens como essa despertam a curiosidade do público e ajudam a aproximar as pessoas da pesquisa científica. “Quando alguém olha para essa fotografia, primeiro vê a beleza. Depois quer entender o que está acontecendo. É aí que começa a divulgação científica.”Com imagens que já ilustraram capas de revistas científicas internacionais, livros e reportagens, o pesquisador diz que a ciência e arte caminham juntas. “A arte ajuda a comunicar a ciência. E a ciência oferece histórias extraordinárias para a arte registrar”, finaliza. The post Foto de pesquisador do Butantan está entre as melhores da década appeared first on CicloVivo.