Carros elétricos e híbridos importados passam a pagar 35% de imposto

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O imposto de carros elétricos e híbridos importados atingiu a alíquota máxima de 35% nesta quarta-feira. A mudança encerra o escalonamento gradual estabelecido pelo Governo Federal por meio do Programa Mover, unificando a taxação alfandegária para todos os veículos eletrificados que entram no mercado brasileiro.A medida coloca fim a um longo período de incentivos iniciado em 2016, quando os modelos elétricos e híbridos desfrutavam de taxas reduzidas para o imposto de importação. No começo da transição do atual formato, os veículos híbridos pagavam apenas 12% de alíquota, enquanto os elétricos puros eram tributados em 10%.–Divulgação/GACA escalada dos tributos ocorreu em quatro etapas para dar previsibilidade ao setor automotivo. Em julho de 2024, os híbridos convencionais saltaram para 25%, plug-ins para 20% e elétricos para 18%. No ano seguinte, as taxas subiram para 30%, 28% e 25%, até alcançarem agora o teto estabelecido pela Organização Mundial do Comércio.Propulsão:Híbrido (HEV)Híbrido Plug-in (PHEV)Elétrico a bateria (BEV)Janeiro/202412%12%10%Julho/202425%20%18%Julho/202530%28%25%Julho/202635%35%35%O último aumento do imposto põe um fim à uma longa disputa entre a Anfavea, associação que representa as fabricantes automotivas no Brasil, e as marcas chinesas. A volta da cobrança da alíquota foi um pedido da entidade, que chegou a solicitar diversas vezes ao governo que antecipasse o cronograma e passasse a cobrar o teto de 35% imediatamente para conter o avanço dos importados, sob a alegação de riscos severos para a produção nacional instalada. Continua após a publicidadeO argumento defensivo baseia-se no crescimento das importações, que registraram alta de 38% nos primeiros cinco meses de 2024. Desse volume total, as marcas chinesas responderam por 82% das unidades desembarcadas nos portos do país, gerando mobilização do bloco de fabricantes com fábricas consolidadas por aqui.Fabricantes de origem chinesa, como a BYD, projetavam fechar o período com 120.000 automóveis importados. Esse volume motivou o pedido da Anfavea para criar uma cota de importação linear, limitada a 4.800 veículos por ano para cada empresa que aderiu ao Programa Mover. Assine as newsletters QUATRO RODAS e fique bem informado sobre o universo automotivo com o que você mais gosta e precisa saber. Inscreva-se aqui para receber a nossa newsletter Aceito receber ofertas produtos e serviços do Grupo Abril. Cadastro efetuado com sucesso! Você receberá nossa newsletter todas as quintas-feiras pela manhã. Continua após a publicidadeDo outro lado da disputa tarifária, a associação das empresas importadoras, a Abeifa, manifestou forte oposição ao viés de fechamento de fronteiras. A entidade defende que a abertura de mercado ocorrida na década de 1990 foi o elemento gerador da competitividade e do atual parque industrial brasileiro.O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços optou por não ceder às pressões de antecipação e manteve o cronograma progressivo que deságua nos 35%. As marcas que possuem projetos ativos de manufatura em solo nacional continuam operando com cotas de isenção limitadas.Enquanto isso, as marcas chinesas repetiram a estratégia de importar o máximo de carros que poderiam antes do novo aumento do imposto, criando estoque o suficiente para os próximos meses. Com isso, a nova alíquota não deve afetar os preços imediatamente. Continua após a publicidadeA tributação terá um efeito maior na atuação das empresas que estão chegando agora ao Brasil. Fabricantes como BYD, GWM, Geely, GAC, Leapmotor e MG evitarão o imposto com a produção nacional. Tanto a BYD quanto a GWM já possuem linhas de montagem locais – a GWM até anunciou uma segunda fábrica para 2029, desta vez em Espírito Santo.No caso das outras quatro marcas, a montagem nacional será feita a partir de parcerias. A Leapmotor tem um acordo global com a Stellantis, que cuida das operações fora da China e confirmou a produção dos SUVs B10 e C10 em Goiana (PE). A situação da Geely é parecida, após investir na Renault do Brasil para criar uma joint venture local. A marca francesa cuida de todo o negócio local e vai montar o EX2 e o EX5 em São José dos Pinhais (PR) a partir deste ano. Continua após a publicidade–Paulo Campo Grande/Quatro RodasA GAC buscou a HPE Automotores, representante da Mitsubishi no Brasil, fechando um acordo para produzir carros para a empresa chinesa. Algo semelhante será feito pela MG, que contratou a Comexport para fazer o MG4 Urban e o MG S5 em Horizonte (CE), no mesmo esquema de montagem adotado para os Chevrolet Spark EUV e Captiva EV. Publicidade