O transporte marítimo comercial pelo Estreito de Ormuz disparou nas últimas semanas, com o apoio militar dos Estados Unidos ajudando a elevar o fluxo de petróleo para mais de 10 milhões de barris por dia, disse uma autoridade americana.O avanço desde que o presidente Donald Trump assinou um acordo interino de paz com o Irã representa um forte aumento no tráfego após a guerra paralisar os fluxos. Isso pegou Teerã de surpresa, evidenciando sua capacidade agora mais limitada de interromper a circulação pelo corredor e ajudando a desencadear ataques recentes na região do estreito, afirmou a autoridade, que pediu anonimato para descrever avaliações internas.A República Islâmica ganhou poder de barganha ao estrangular o estreito durante o conflito, o que incentivou Trump a aderir a um cessar-fogo e a negociações, em meio à queda das reservas de petróleo e à disparada dos preços de energia, fatores que tornaram a guerra politicamente insustentável. O regime, no entanto, continua insistindo que manterá algum controle sobre o tráfego marítimo, chegando a sinalizar que alguns navios poderão ter de pagar taxas de passagem.Leia tambémTrump afirma que EUA e Irã estão se dando muito bem“A desnuclearização do Irã está avançando bem”, disse Trump aos repórteres. “Houve reuniões muito positivas, e vamos ver.”Irã insiste em manter controle sobre Ormuz, dizem fontes iranianas de alto escalãoTeerã busca o reconhecimento de sua autoridade sobre a via marítima após o fim do tratado provisório de 60 dias, contrariando a posição do governo Trump e gerando o risco de novos custos ao comércio globalMesmo antes da trégua, os EUA já vinham adotando medidas para enfraquecer o controle de Teerã sobre o estreito. Camadas de apoio militar defensivo coordenadas pelo Comando Central dos EUA, incluindo poder aéreo e forças navais, deram a transportadoras mais confiança para mover petróleo pela porção sul da hidrovia, mais próxima de Omã, disse a autoridade.O número de 10 milhões está, em linhas gerais, em linha com dados de navegação já reportados pela Bloomberg.A navegação no estreito paira sobre as negociações indiretas desta semana no Catar, das quais participam os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. O destino da capacidade nuclear iraniana e a possibilidade de o país controlar o tráfego por Ormuz estão no centro das discussões.Segundo a autoridade, os EUA pressionam o Irã a cumprir as cláusulas marítimas do memorando de entendimento e a firmar um acordo de longo prazo que garanta a livre circulação comercial. O memorando prevê tráfego sem cobrança de pedágio durante o período de 60 dias de negociações, deixando em aberto o que ocorrerá depois disso. Trump e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já disseram que tanto pedágios quanto taxas por serviços marítimos seriam inaceitáveis em um acordo final.O Irã não aceitou publicamente as exigências americanas para o estreito.Na semana passada, o Irã violou as medidas negociadas com os EUA ao lançar um ataque com drone contra um navio porta-contêineres de bandeira de Cingapura. O episódio desencadeou uma onda de ataques de retaliação que abalou a trégua entre os dois países.A decisão de Trump de suspender novos ataques e permitir a continuidade das negociações foi o sinal mais recente de que ele não está disposto a correr o risco de ampliar os custos econômicos da guerra. O presidente americano já disse que não quer ser lembrado como Herbert Hoover, que ocupava a Casa Branca na época do crash de 1929 que desencadeou a Grande Depressão.Analistas alertam que essas considerações econômicas e políticas podem encorajar o Irã a arrastar as negociações, potencialmente reduzindo a capacidade de Trump de forçar Teerã a fazer concessões importantes. A retomada do tráfego por Ormuz representa mais um retorno ao status quo anterior à guerra lançada por EUA e Israel do que propriamente um novo avanço diplomático.Ainda assim, o governo americano vê os ataques da semana passada como evidência de que Teerã tenta reafirmar seu controle sobre o estreito depois de perceber que sua capacidade de paralisar o tráfego é limitada, segundo a autoridade.A capacidade restrita do Irã de monitorar o tráfego longe de seu litoral também prejudicou sua percepção sobre a movimentação no corredor sul de trânsito, o que levou a uma percepção relativamente tardia sobre a dimensão dos fluxos de petróleo na região, disse a autoridade.Antes da guerra, o Estreito de Ormuz respondia por cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito, com um fluxo médio diário de cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto e combustíveis. Agora, com pelo menos 10 milhões de barris por dia voltando a passar pelo estreito, somados a 5 milhões por rotas alternativas, o fluxo se aproxima dos níveis normais.Ainda assim, fazer o Irã recuar de sua ambição de controlar o estreito não será simples. O principal negociador iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, disse à TV estatal na terça-feira que a soberania sobre o corredor pertence ao Irã e a Omã. Embora o principal diplomata de Omã tenha afirmado que os planos para Ormuz não envolvem a cobrança de “taxas de trânsito”, o país informou a autoridades europeias que algumas cobranças podem ser necessárias, segundo reportagem da Bloomberg.Transportadoras, executivos do setor de petróleo e outros agentes do mercado alertam que qualquer pedágio — ou taxas disfarçadas com outro nome — constitui violação inaceitável do direito internacional e criaria um precedente perigoso, com potencial para estimular cobranças semelhantes em outras rotas marítimas.Mesmo após os ataques de lado a lado, embarcações continuaram atravessando o estreito, sinal de maior confiança na postura dos EUA e do alcance limitado do Irã. O fluxo contínuo também pode ter sido impulsionado pela expectativa de que Teerã evitaria ataques com consequências ecológicas catastróficas, disse a autoridade americana.No ataque da semana passada ao navio de carga, por exemplo, a ponte de comando foi danificada, mas não houve vítimas, o que permitiu que a embarcação seguisse viagem.© 2026 Bloomberg L.P.The post Fluxo de petróleo em Ormuz supera 10 milhões de barris por dia e desafia Irã appeared first on InfoMoney.