Alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada é investigado por lavagem de dinheiro no caso “Vai de Bet”, que apura um suposto esquema de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro envolvendo o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. O Estadão tenta contato com a defesa de Shimada.Segundo o Ministério Público, a empresa Victory Trading, ligada a Shimada, colaborou para que parte dos valores desviados dos cofres do Corinthians fossem transferidos à UJ Football Talent, que figura na rede de empresas fantasmas.A investigação aponta que, entre 26 e 28 de março de 2024, a empresa Wave transferiu R$ 13.612.311,88 para a Victory, que repassou R$ 200 mil para a conta da UJ Football Talent.Ainda segundo os investigadores, selfies enviadas para instituições financeiras mostram que Shimada e o sócio da Wave estavam no mesmo local ao tirarem as fotos. Shimada foi denunciado pelo crime de lavagem de dinheiro.Entenda o caso Vai de BetPrimeiro contrato da gestão Augusto Melo, o acordo de R$ 360 milhões da Vai de Bet com o Corinthians, rescindido unilateralmente pela casa de aposta em junho de 2024, previa o pagamento de 7% do montante líquido de cada parcela à intermediadora Rede Media Social Ltda. Ou seja, R$ 700 mil por mês ao longo de três anos, resultando em R$ 25,2 milhões ao fim do contrato.Citada no contrato como intermediadora do negócio, a Rede Media Social Ltda. tem CNPJ no nome de Alex Cassundé, antigo integrante da equipe de comunicação do presidente Augusto Melo.A rescisão por parte da Vai de Bet ocorreu após vir à tona repasses de parte da comissão pela Rede Media Social Ltda à Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda, suposta empresa “laranja” cujo CNPJ está em nome de Edna Oliveira dos Santos, mulher de origem humilde de Peruíbe, no litoral paulista.A Polícia Civil, por meio da Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), concluiu que a Rede Social Media Ltda usou uma rede de empresas fantasmas para fazer R$ 1 milhão chegar à conta bancária da UJ Football Talent Intermediação, apontada como braço do PCC. O clube nega ter contrato com a empresa.Líder do núcleo paulista e elo com o PCC na FlóridaO Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1º, sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.Shimada é apontado pelo Departamento do Tesouro como líder do núcleo paulista da rede de lavagem de dinheiro e o elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais.Segundo as autoridades americanas, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões utilizando criptomoedas para enviar recursos dos Estados Unidos ao Brasil.O Tesouro afirma ainda que Shimada já cumpriu prisão domiciliar no Brasil por investigação relacionada à lavagem de recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.