O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) montou uma força-tarefa para reforçar o monitoramento e as ações de prevenção às queimadas durante o verão amazônico de 2026.A iniciativa foi anunciada nesta terça-feira (30), após uma reunião estratégica que reuniu promotores de Justiça e equipes técnicas de diversas comarcas para alinhar a atuação diante da previsão de um período de estiagem mais severo, impulsionado pela possível atuação do fenômeno El Niño.Segundo o MPPA, a mobilização leva em consideração alertas emitidos por instituições nacionais e internacionais de monitoramento climático, que indicam a possibilidade de ocorrência de um El Niño com intensidade entre moderada e severa. Leia Mais El Niño eleva risco de chuvas persistentes no Sul Pará reduz desmatamento em 54%, mas segue no topo da Amazônia Legal Entenda como o El Niño vai influenciar o inverno brasileiro O fenômeno tende a reduzir o volume de chuvas e elevar as temperaturas na Amazônia, criando condições favoráveis para o aumento dos focos de queimadas e incêndios florestais.Embora o período de seca seja característico desta época do ano na região, a combinação entre estiagem prolongada, calor intenso e baixa umidade do ar pode agravar significativamente o cenário ambiental.Especialistas alertam que o El Niño altera a circulação atmosférica e reduz a formação de nuvens sobre parte da Amazônia, favorecendo secas mais prolongadas e ampliando os impactos sobre os ecossistemas, a qualidade do ar e a disponibilidade de recursos hídricos.A atuação preventiva do MPPA será concentrada, inicialmente, em municípios que registraram elevados índices de focos de calor em 2024 e 2025.Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) montou uma força-tarefa para reforçar o monitoramento e as ações de prevenção às queimadas durante o verão amazônico de 2026 • MPPAEntre as regiões consideradas prioritárias estão a Calha Norte, a Transamazônica e municípios como Marabá, Altamira, Novo Progresso e São Félix do Xingu.Durante a reunião, convocada pelo procurador-geral de Justiça, Alexandre Tourinho, o coordenador do Centro de Apoio Operacional Ambiental (CAO Ambiental), promotor José Godofredo Pires, afirmou que o cenário previsto para este ano inspira preocupação ainda maior do que nos anos anteriores.“Este ano de 2026 é muito mais preocupante que os anos anteriores. Conjugado ao período da seca na Amazônia, com a redução dos índices pluviométricos e o aumento da temperatura já esperados, teremos a presença de fatores que poderão elevar drasticamente o risco de queimadas e incêndios florestais”, destacou.Além dos danos ambientais, o Ministério Público demonstra preocupação com os impactos sociais provocados pelas queimadas.A fumaça afeta diretamente a saúde da população, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, enquanto a destruição de áreas florestais compromete a subsistência de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, que dependem dos recursos naturais para sobreviver.Como parte da estratégia, os promotores foram orientados a instaurar Procedimentos Administrativos para acompanhar as políticas públicas municipais de prevenção e combate ao fogo, fiscalizando a implementação dos planos de contingência e cobrando ações efetivas das prefeituras.O encontro também contou com a participação da coordenadora de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), engenheira florestal Yasmin Andrade Ramos.A parceria prevê o compartilhamento de imagens de satélite e informações técnicas com as equipes de fiscalização em campo, permitindo respostas mais rápidas às ocorrências.