A Arquidiocese de São Francisco, nos Estados Unidos, fechou um acordo para pagar US$ 395 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) a sobreviventes de abuso sexual cometido por membros do clero. O entendimento foi anunciado nesta segunda-feira (29/6) pela instituição religiosa e pelos advogados que representam as vítimas.O acordo contempla aproximadamente 530 pessoas que apresentaram reivindicações contra a arquidiocese. Segundo o advogado Jeff Anderson, que representa os sobreviventes, o valor não corresponde à reparação integral dos danos, mas representa o maior montante pago por vítima em um processo de falência envolvendo instituições da Igreja Católica.Em nota, o arcebispo Salvatore Cordileone afirmou que espera que o acordo ofereça uma compensação considerada justa às vítimas e contribua para que elas e a Igreja possam seguir em frente.O religioso também reconheceu a responsabilidade da arquidiocese pelos casos. Segundo ele, embora a maior parte das denúncias esteja relacionada a fatos ocorridos há várias décadas, a instituição assume a responsabilidade pelo que aconteceu e pede desculpas às pessoas afetadas.Cordileone acrescentou que a arquidiocese mantém o compromisso de apoiar os sobreviventes. Leia também MundoVaticano publica documento que critica “cura gay” e discute inclusão MundoUm ano sem Francisco: o que mudou na Igreja Católica sob papa Leão XIV MundoNa Espanha, papa XIV diz que abusos na Igreja são “ferida aberta” São PauloVítimas cobram Igreja sobre abusos cometidos por padres e bispos Recuperação judicialA Arquidiocese de São Francisco entrou com pedido de recuperação judicial em 2023, após enfrentar mais de 500 ações civis relacionadas a casos de abuso sexual infantil. O processo foi motivado por uma lei aprovada na Califórnia, em 2019, que ampliou o prazo para que vítimas pudessem ingressar com ações na Justiça.Nos últimos anos, o estado também criou uma chamada “janela de retroatividade”, permitindo que vítimas apresentassem processos mesmo em casos que já estariam prescritos pela legislação anterior.A maior parte dos abusos registrados em instituições católicas ocorreu há décadas, o que, por muitos anos, dificultou que sobreviventes buscassem reparação judicial.Outros acordosA Arquidiocese de São Francisco não é a única instituição católica a recorrer à recuperação judicial diante de ações relacionadas a abusos sexuais.Outras dioceses da Califórnia, como as de Oakland e Sacramento, também adotaram a medida nos últimos anos.No mês passado, a Arquidiocese de Nova York anunciou um acordo de US$ 800 milhões para encerrar processos movidos por vítimas de abuso sexual.