Céu em risco: excesso de satélites pode tornar a astronomia da Terra inviável

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A expansão acelerada de satélites em órbita terrestre tem levantado alertas na comunidade científica sobre os limites da observação astronômica a partir do solo. Um estudo recente, do cientista O. R. Hainaut, aponta que a multiplicação desses objetos pode comprometer a qualidade dos dados obtidos por grandes telescópios.Segundo estimativas discutidas por pesquisadores do setor, o cenário atual já envolve mais de 15 mil satélites ativos, com projeções de crescimento que incluem megaconstelações capazes de alterar de forma significativa a visibilidade do céu noturno.A análise indica que, ao ultrapassar aproximadamente 100 mil satélites suficientemente discretos em brilho, a astronomia terrestre pode atingir um ponto crítico, no qual a coleta de dados científicos passa a sofrer interferências substanciais.A pesquisa foi publicada no periódico Astronomy & Astrophysics e você lê-la clicando aqui.Impactos da ocupação orbital e risco para observatórios(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)O estudo destaca que a presença crescente de satélites não se limita à poluição luminosa visível a olho nu, mas alcança diretamente a integridade de observações feitas por instrumentos altamente sensíveis. Entre os exemplos citados está a influência sobre grandes observatórios terrestres, que dependem de um céu escuro e estável para captar sinais do universo distante.De acordo com a pesquisa, manter os objetos em órbita com brilho reduzido seria essencial para mitigar os impactos. A referência técnica utilizada sugere que satélites com magnitude suficientemente fraca poderiam ser praticamente imperceptíveis, reduzindo interferências diretas em telescópios como os utilizados em levantamentos de grande escala.O astrônomo Olivier Hainaut, responsável pela análise numérica citada no estudo, explica que o limite não é absoluto, mas progressivo. “Se o número total de satélites ultrapassar cerca de 100 mil, grandes observatórios, como os localizados em Paranal (Chile), começarão a perder uma quantidade mensurável de dados.”Megaconstelações e propostas de expansão no espaçoO texto também destaca que a atual preocupação está ligada ao crescimento de megaconstelações privadas e estatais. Entre os exemplos citados estão a rede Starlink, que já representa uma parcela significativa dos objetos em órbita, e propostas futuras que preveem escalas ainda maiores.Há menção a projetos que poderiam chegar a milhões de satélites, incluindo propostas associadas à infraestrutura de processamento de dados no espaço. Em paralelo, iniciativas experimentais como espelhos orbitais para refletir luz solar são apontadas como potenciais agravantes da poluição luminosa global.Esses sistemas, consoante a análise, poderiam ampliar a iluminação artificial do céu noturno em níveis comparáveis ou superiores aos já observados em áreas urbanas, afetando inclusive regiões consideradas tradicionalmente adequadas para observação astronômica.Consequências para o futuro da astronomia terrestreStarlink já tem inúmeros satélites em órbita – Crédito: xnk/ShutterstockA pesquisa também relaciona o avanço das megaconstelações com o início de novas gerações de telescópios terrestres, como grandes projetos internacionais em construção ou recentemente iniciados. Entre eles estão observatórios de altíssima sensibilidade destinados a estudar desde galáxias distantes até possíveis planetas semelhantes à Terra.Mesmo com esses avanços tecnológicos, o estudo indica que o aumento descontrolado de satélites pode comprometer a eficiência desses instrumentos, reduzindo a quantidade e a qualidade dos dados obtidos.O cenário descrito pelos pesquisadores sugere que, sem normas internacionais mais rígidas para controle do brilho e da quantidade de satélites, a astronomia baseada na Terra pode enfrentar limitações severas nas próximas décadas.O post Céu em risco: excesso de satélites pode tornar a astronomia da Terra inviável apareceu primeiro em Olhar Digital.