Hepatologista cita sinais silenciosos do avanço da gordura no fígado

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Em torno de 20% a 30% da população do Brasil tem esteatose hepática, segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). Mais conhecida como gordura no fígado, a condição é “traiçoeira”, conforme define a gastroenterologista Maria Júlia Colossi. A médica destaca que a doença é “quase totalmente silenciosa e assintomática” nos estágios iniciais e intermediários. Leia também Claudia MeirelesMédico esclarece diferenças entre sarcopenia e envelhecimento natural Claudia MeirelesDiabetes aumenta o risco de AVC e infarto; médica explica os motivos Claudia MeirelesMédica aponta as consequências de ignorar a intolerância à lactose Claudia MeirelesMédico vascular aponta condições de saúde associadas aos pés gelados Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a especialista avalia como maior mito acreditar que os exames de sangue laboratoriais de rotina bastam para o diagnóstico. “A verdade é que as enzimas hepáticas (TGO/AST e TGP/ALT) podem estar normais mesmo quando o paciente já possui fibrose avançada ou inflamação grave no fígado”, endossa.4 imagensFechar modal.1 de 4A esteatose hepática surge quando o fígado recebe mais gordura do que consegue metabolizar, gerando acúmuloJian Fan/Getty Images2 de 4Quando o órgão não funciona adequadamente, ocorre um desequilíbrio do organismo Freepik/Reprodução3 de 4O fígado é um órgão vital e é responsável por mais de 500 funções no corpoGetty Images4 de 4O órgão tem alta capacidade de regeneração, mas isso só acontece na ausência de agressãoGetty ImagesA médica afirma que, como não há dor, a condição costuma ser descoberta por acaso durante a realização de ultrassonografia abdominal. Ela enfatiza que os sinais clínicos mais visíveis, muitas vezes, indicam a presença de resistência à insulina associada, e não no fígado em si, como a Acantose nigricans (manchas escuras aveludas no pescoço ou axilas) e o aumento da circunferência abdominal.De acordo com a mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sintomas como fadiga intensa ou sinais físicos evidentes, a exemplo de baço aumentado, tendem a aparecer quando a gordura no fígado já evoluiu para cirrose. A especialista defende que a prevenção primária foca em evitar o ganho de peso e o estresse metabólico.A especialista defende que a prevenção primária da gordura no fígado foca em evitar o ganho de pesoCuidadosEvitar a esteatose hepática requer adotar algumas medidas, principalmente entre os adultos jovens, faixa etária em que a gordura no fígado tem aumentado a prevalência.Abaixo, confira os cuidados com potencial de ajudar a evitar a doença:Adotar um padrão alimentar saudávelMaria Júlia aconselha seguir modelos como a dieta mediterrânea por priorizar alimentos in natura, como vegetais, frutas, legumes, peixes, azeite e nozes; e evitar opções ultraprocessadas, carnes processadas, refrigerantes e sucos de caixinhas, que são ricos em frutose.A médica recomenda adotar planos alimentares que priorizem opções in naturaPraticar exercícios físicos A médica reitera que o sedentarismo por si só é um risco: “Deve-se realizar tanto exercícios aeróbicos quanto de resistência (musculação), acumulando no mínimo 150 minutos de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa por semana”. Ela orienta reduzir o tempo sentado, sugerindo a estratégia de fazer caminhadas curtas entre as atividades em que fica sentado.Limitar ou evitar o consumo de álcoolO álcool atua em conjunto com fatores metabólicos como a obesidade para acelerar e agravar as lesões no fígado. “O uso abusivo deve ser evitado a todo custo”, defende a especialista.Consumir caféCom base em estudos, Maria Júlia Colossi ressalta que tomar em torno de três xícaras de café — com ou sem cafeína — por dia demonstrou ter um efeito protetor sobre o fígado, reduzindo o risco de formas avançadas da doença.O café é uma das bebidas que oferece efeito protetor ao fígadoPara saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.