Junho foi marcado por uma mudança nas expectativas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos, movimento que mexeu com praticamente todas as classes de ativos. Enquanto o dólar terminou o mês como o investimento de melhor desempenho entre os principais ativos acompanhados pelo mercado, títulos do Tesouro Direto de longo prazo registraram perdas expressivas, reflexo da abertura da curva de juros.A moeda norte-americana encerrou junho em alta. O dólar PTAX avançou 3,78% no mês, enquanto o dólar à vista subiu 2,38%. Já aplicações pós-fixadas continuaram entregando retornos positivos, com o CDI rendendo 1,07%, o Tesouro Selic 2031 avançando 1,04% e a poupança registrando ganho de 0,67%.Na renda variável, o Ibovespa terminou junho praticamente estável, com recuo de 1,01%, enquanto o IFIX caiu 1,21%. As debêntures, representadas pelo índice IDA-Geral, fecharam o período em alta de 0,50%.O principal destaque negativo do mês ficou com os títulos públicos de médio e longo prazo. A reprecificação da curva de juros pressionou os preços dos papéis, levando o Tesouro IPCA+ 2050 a acumular perda de 8,01% em junho. O Tesouro IPCA+ 2040 recuou 4,82%, enquanto os demais títulos indexados à inflação e prefixados também encerraram o mês no vermelho.O movimento ganhou força após a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), cuja comunicação foi interpretada pelo mercado como mais branda diante do cenário inflacionário. Ao mesmo tempo, a sinalização do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, de que poderá retomar o aperto monetário ainda em 2026 elevou os prêmios exigidos pelos investidores para financiar governos e empresas.Quando as taxas de juros futuras sobem, o preço dos títulos negociados no mercado secundário cai. Por isso, investidores que acompanham a marcação a mercado dos papéis viram perdas relevantes ao longo de junho. Já quem pretende carregar os títulos até o vencimento continuará recebendo a rentabilidade contratada na data da compra.No mercado de ações, o cenário também refletiu o ambiente de juros mais elevados. A perspectiva de taxas mais altas nos Estados Unidos fortaleceu o dólar e estimulou a migração de parte dos recursos para ativos norte-americanos, reduzindo o fluxo para mercados emergentes, como o Brasil.Além da política monetária, o mercado acompanhou os desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. A perspectiva de manutenção do cessar-fogo ajudou a reduzir os preços do petróleo para a região de US$ 70 por barril, diminuindo parte da pressão sobre a inflação global e beneficiando alguns segmentos ligados ao consumo.Confira o desempenho dos principais investimentos em junhoInvestimentoRentabilidade em junhoRentabilidade em 2026Dólar PTAX3,78%-5,91%Dólar à vista2,38%-5,94%CDI1,07%6,79%Tesouro Selic 20311,04%6,98%Poupança0,67%4,06%IDA-Geral0,50%4,29%Tesouro Prefixado 2029-0,02%3,75%Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037-0,79%—Ibovespa-1,01%6,77%Tesouro Prefixado 2032-1,20%2,39%IFIX-1,21%1,47%Tesouro IPCA+ 2032-2,31%—Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2037-2,38%—Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045-2,91%1,06%Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060-3,60%1,18%Tesouro IPCA+ 2040-4,82%-1,55%Tesouro IPCA+ 2050-8,01%-2,82%Ouro (GOLD11)-9,42%-13,04%Bitcoin-18,90%-37,18%