Os restaurantes Comunitários da Estrutural e de Ceilândia Norte seguem fechados após a paralisação dos funcionários da empresa terceirizada Servi Gastronomia, responsável pela gestão das duas unidades. A suspensão do atendimento tem afetado quem depende das refeições diariamente. Dezenas de usuários relatam problemas para conseguir acesso às refeições. Alguns, inclusive, recorrem a doações para conseguir comida. Leia também Distrito FederalGreve interrompe atendimento em dois restaurantes comunitários do DF Distrito FederalRestaurantes comunitários do DF terão câmeras para reforçar segurança Entre as pessoas prejudicadas está Jilvani Ferreira da Silva, 40 anos, que atualmente vive em situação de rua. Ele foi em busca de alimento no restaurante da Ceilândia Norte, mas encontrou uma placa informando sobre a suspensão dos serviços desde 12 de junho.Sem conseguir almoçar no restaurante, ele não sabe o que fazer para conseguir se alimentar. Na tentativa de matar a fome, pediu comida em casas próximas ao restaurante.“Quando eu fui pedir um prato de comida, a mulher entrou na casa e não apareceu mais. Agora não sei o que vou fazer. Só comi um pouquinho de manhã. Agora estou com uma fome grande”, relatou.Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF), a interrupção ocorreu por problemas na execução do contrato por parte da empresa terceirizada, a Servi Gastronomia. A pasta afirma que todos os pagamentos foram realizados em dia e que eventuais atrasos salariais e demais obrigações trabalhistas são de responsabilidade da empresa.Inicialmente, os trabalhadores da empresa entrarem em greve, depois a Sedes rescindiu o contrato unilateralmente. Uma nova empresa já foi selecionada e deve assumir a gestão das unidades nos próximos dias.A previsão da Sedes é que os restaurantes sejam reabertos ainda na primeira quinzena de julho.No restaurante da Estrutural são distribuídas 2.895 refeições por dia; já na unidade de Ceilândia são 2.663 refeições.Para reduzir os impactos do fechamento, a Sedes disponibilizou transporte gratuito para levar os usuários da Estrutural ao Restaurante Comunitário de Arniqueira e os da unidade de Ceilândia Norte à do Sol Nascente/Pôr do Sol. Os ônibus, no entanto, não circulam aos sábados, domingos e feriados.Como ocorreu na última segunda-feira (29/6), quando os ônibus deixaram de rodar em razão do ponto facultativo decretado por causa do jogo da Seleção Brasileira.6 imagensFechar modal.1 de 6Jilvani Ferreira da Silva, 40 anos, precisou pedir comida na rua para se alimentarLuis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova2 de 6Antônio deu R$ 5 para um casal e duas crianças se alimentarem devido ao fechamento do restauranteLuis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova3 de 6Francisco Ferreira da Silva, 53 anos, conta que as muitas pessoas dependem do restaurante diariamenteLuis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova4 de 6Restaurantes estão fechados desde 12 de junho e seguem sem data para reaberturaLuis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova5 de 6Os ônibus, que fariam o transporte dos usuários até outros restaurantes, não circularam nesta segunda-feira (29/6) por conta do ponto facultativoLuis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova6 de 6Devido a greve, os restaurantes de Ceilândia e da Estrutural estão fechadosLuis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNovaFrancisco Ferreira da Silva, 53, é frequentador da unidade e reforçou que muitas pessoas dependem diariamente do restaurante para se alimentar devido ao preço acessível e a qualidade da comida.“Venho aqui às vezes e vejo como isso é importante para as pessoas. Se essa situação continuar, vamos ter de fazer alguma coisa para que o serviço seja normalizado. Não é fácil para quem vem aqui. Ter de ir para outro local (restaurante) é muito difícil. Precisamos deixar de fazer algumas coisas para ter que ir para o outro restaurante”, destacou.A situação também chamou a atenção do aposentado Antonio Carlos Silva, 70 anos. Ele conta que viu um casal com duas crianças chegar ao restaurante em busca de comida, mas encontraram os portões fechados.“Eu os ajudei com R$ 5. Foi uma ajuda pequena, mas talvez consigam comprar algo com aquele dinheiro”, contou.O que diz a SedesProcurada pela reportagem, a Sedes-DF se manifestou por meio de nota. Leia:“A Sedes-DF informa que as unidades dos Restaurantes Comunitários da Estrutural e de Ceilândia Norte estão com o atendimento temporariamente interrompido. A paralisação decorre de problemas na execução contratual por parte da empresa terceirizada, Servi Gastronomia, responsável pela gestão das unidades.A Sedes reforça que todos os pagamentos à empresa foram realizados em dia e não há débitos. As eventuais reivindicações trabalhistas dizem respeito à relação entre a empresa e seus colaboradores. Os contratos com a Servi Gastronomia foram rescindidos unilateralmente, dia 18/6, conforme previsto na legislação, em razão do descumprimento contratual. As sanções cabíveis serão aplicadas.Os contratos com as novas empresas gestoras está em fase de finalização e deve ser assinado nos próximos dias, conforme a Lei de Licitações, para a retomada regular dos serviços.Até que a situação seja normalizada, a Sedes manterá as medidas emergenciais adotadas, como o transporte gratuito para outras unidades em funcionamento. Ainda não há data definida para a retomada integral dos atendimentos nas unidades afetadas.A Secretaria disponibilizou transporte gratuito para os usuários das unidades afetadas, como medida excepcional para garantir o acesso às refeições. Os ônibus realizam o trajeto entre os Restaurantes Comunitários da Estrutural e de Arniqueira e entre Ceilândia Norte e Sol Nascente/Pôr do Sol.Cada ônibus tem capacidade para até 30 pessoas por viagem, com saídas aproximadas às 10h30, 11h30 e 12h30, assegurando o transporte de ida e volta dos usuários. Não há previsão de transporte para os horários de café da manhã e jantar, períodos em que a demanda de usuários é significativamente menor”.* Colaborou Thamires Almeida