Asteroides ameaçam a Terra? Entenda como cientistas monitoram rochas espaciais

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Asteroides cruzam a órbita da Terra o tempo todo. Alguns passam a milhões de quilômetros de distância, enquanto outros chegam relativamente perto do planeta. Embora nenhuma dessas aproximações represente risco imediato, elas levantam uma pergunta que desperta a curiosidade de cientistas e do público: como sabemos quando uma rocha espacial pode se tornar uma ameaça?No programa Olhar Espacial desta sexta-feira (26), o tema ganha destaque ao explorar como funciona a Defesa Planetária, área da astronomia dedicada à descoberta, monitoramento e análise de asteroides próximos da Terra. O convidado é o físico, engenheiro e astrônomo amador Cristóvão Jacques, fundador do Observatório SONEAR, em Caeté (MG), responsável pela descoberta de dezenas desses objetos.Embora muita gente associe essa missão exclusivamente à NASA, a realidade é bem diferente. A vigilância dos chamados asteroides potencialmente perigosos depende de uma ampla colaboração internacional que reúne universidades, centros de pesquisa, agências espaciais e cientistas cidadãos espalhados pelo mundo.No Brasil, um dos destaques é justamente o SONEAR. Mantido por astrônomos amadores em Minas Gerais, o observatório participa ativamente dessa rede de monitoramento e já contribuiu para a descoberta de dezenas de asteroides próximos da Terra. “Nós descobrimos aproximadamente 50 asteroides próximos da Terra”, destaca Cristóvão Jacques.Uma rede internacional de vigilânciaDe tempos em tempos, um novo asteroide chama atenção ao passar perto do planeta. É o caso do 152637 (1997 NC1), que fará uma aproximação neste sábado (27). Apesar de ter entre 750 e 1.650 metros de diâmetro, o objeto não representa perigo: segundo estimativas, ele passará a cerca de 2,56 milhões de quilômetros da Terra, aproximadamente 6,6 vezes a distância média entre a Terra e a Lua.Imagem-conceito do asteroide Apophis se aproximando da Terra – Imagem: Marti Bug Catcher/ShutterstockMas o que aconteceria se uma rocha desse porte estivesse realmente em rota de colisão? Como ela seria descoberta? E haveria alguma forma de evitar o impacto?Segundo Cristóvão Jacques, a maior parte desse trabalho é realizada por observatórios dedicados exclusivamente à busca desses objetos. “Tem o telescópio do observatório Pan-STARRS, que fica no Havaí. E tem o telescópio ATLAS, que começou no Havaí com dois observatórios. Hoje ele tem um no Chile, outro na África do Sul e um nas Ilhas Canárias. Então, hoje são cinco observatórios do ATLAS. E, basicamente, são esses observatórios que descobrem a maioria, a grande maioria, dos objetos próximos da Terra.”Depois de descobertos, esses corpos passam a ser acompanhados continuamente para que suas órbitas sejam refinadas e qualquer risco futuro possa ser identificado com antecedência.Quando um asteroide é considerado perigoso?Outro destaque do episódio é o asteroide Apophis, cuja aproximação em 2029 é considerada um dos eventos astronômicos mais importantes das próximas décadas. A expectativa em torno da passagem foi tão grande que inspirou a criação do Ano Internacional da Defesa Planetária, iniciativa voltada para ampliar o debate sobre o monitoramento de ameaças vindas do espaço.Concepção artística de um asteroide em aproximação orbital. A lista de objetos monitorados pela NASA para 2026 inclui “gigantes” de até 1,6 km, mas todos passarão a distâncias seguras do planeta. Imagem: Layse Ventura via Gemini / Olhar DigitalDurante o programa, Cristóvão Jacques também explica como um asteroide recebe a classificação de “potencialmente perigoso”. “Se ele tiver mais de 140 metros e atender aos critérios de aproximação da Terra, ele é classificado como um asteroide potencialmente perigoso. Hoje nós temos mais de 2 mil asteroides classificados nessa categoria.”Leia mais:Sonda da NASA a caminho de “asteroide de ouro” se aproxima de MarteAsteroide famoso foi alvo recente de bombardeio de rochas quase invisíveisAsteroide que foi despedaçado pelo Sol pode ser a origem de uma nova chuva de meteorosApesar da nomenclatura chamar atenção, isso não significa que esses objetos estejam em rota de colisão. A classificação apenas indica que eles são grandes o suficiente para causar danos significativos caso um impacto ocorresse e que suas órbitas passam relativamente próximas da Terra, exigindo monitoramento constante.O post Asteroides ameaçam a Terra? Entenda como cientistas monitoram rochas espaciais apareceu primeiro em Olhar Digital.