STJ nega pedido para soltar Deolane, presa por suposto elo com o PCC

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O Superior Tribunal de Justiça negou nesta quarta-feira (1º) um pedido de soltura imediata de Deolane Bezerra. A decisão é do ministro Ribeiro Dantas.O pedido de habeas corpus tramita em segredo de Justiça. Em nota enviada à Jovem Pan, a defesa da advogada afirmou que o que foi julgado é apenas a liminar de habeas corpus imediato e não o mérito. O pedido é que ela fosse solta até o julgamento do caso.A defesa também afirma que Deolane sempre esteve à disposição da Justiça e colabora com as autoridades.O caso ainda será julgado pela 5ª turma do STJ em agosto. A Justiça já havia negado outro pedido de liberdade no dia 9 de junho. Na época, os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Maria Marluce Caldas e Messod Azulay Neto, da Quinta Turma do STJ, afirmaram que o caso exige uma análise mais profunda e solicitaram “celeridade” ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para que o processo descorra com mais rapidez.O entendimento do STJ foi de que a decisão liminar do TJSP, de manter Deolane presa, deve continuar a valer, já que os argumentos apresentados pela defesa ainda não foram analisados.O relator do caso na Corte Superior, Ribeiro Dantas, afirmou que não há ilegalidade na decisão do tribunal paulista que justificaria um “pronunciamento antecipado” do STJ sobre o tema.Relembre o casoA influenciadora digital foi presa na manhã do dia 21 de abril durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).  Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores da facção por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da organização criminosa.A operação é conduzida pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Presidente Prudente.Além de Deolane, outros alvos da operação foram Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do criminoso; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho; e Everton de Souza, apontado como operador financeiro da organização criminosa.Transportadora era usada em esquema de lavagemAs investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências à estrutura interna do PCC, ordens da cúpula da facção e possíveis ataques contra agentes públicos.A partir das apurações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos que identificaram uma empresa de transportes usada, segundo os investigadores, para ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção.De acordo com o inquérito, a transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, teria movimentado mais de R$ 20 milhões, com incompatibilidade milionária entre os valores declarados ao Fisco e as movimentações financeiras identificadas pelos investigadores.A Justiça reconheceu, em sentença anterior, que a empresa foi utilizada como instrumento de lavagem de capitais em benefício do PCC.Deolane como ‘caixa’ do PCCSegundo a polícia, a investigação identificou a influenciadora Deolane Bezerra como suposta destinatária de dinheiro ligado ao PCC.De acordo com investigadores ouvidos pela Jovem Pan, a influenciadora atuaria como “caixa” da facção, uma vez que parte das movimentações teria ocorrido por meio de depósitos em espécie, saindo do caixa do PCC por meio de uma transportadora de cargas e sob ordens da cúpula criminosa.As investigações apontam que o esquema era comandado mesmo de dentro do sistema penitenciário federal por Marcola e por seu irmão. Conversas encontradas em celulares apreendidos revelaram que familiares e pessoas próximas atuavam na administração financeira da transportadora, no repasse de ordens e na divisão dos lucros obtidos pela facção.