Bolsa barata? Descubra onde estão as oportunidades para investir no 2º semestre

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O primeiro semestre de 2026 foi marcado por uma reversão das expectativas para a Bolsa brasileira. Se no início do ano uma potencial queda dos juros, a entrada de fluxo estrangeiro e a melhora temporária do cenário externo foram pontos favoráveis, hoje, o aumento das preocupações com a inflação, os efeitos da guerra e o ritmo menor do que o esperado de queda da Selic mudaram o jogo.O Ibovespa (IBOV), principal índice da Bolsa brasileira, chegou perto de tocar a marca dos 200 mil pontos, no entanto, devolveu parte relevante da alta expressiva que vinha registrando e atualmente opera na casa dos 170 mil pontos.Apesar de uma piora do cenário, a Bolsa ainda oferece ativos interessantes, especialmente com empresas antes avaliadas como caras voltando a negociar com descontos, segundo analistas. Rodrigo Santoro, head de equities da Bradesco Asset, e Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, participaram do Onde Investir 2026 – 2º semestre, programa do Seu Dinheiro, portal parceiro do Money Times, onde contaram o que considerar para surfar nas oportunidades escondidas nessas oscilações da Bolsa brasileira.Para o atual momento, os analistas têm um consenso claro: existem, sim, oportunidades baratas, mas é preciso seletividade na hora de montar uma carteira. Neste sentido, os ventos estão favoráveis para nomes que combinam liderança de setor, balanço saudável e capacidade de oferecer retornos via dividendos.Para Hungria, o segundo semestre inicia com menos ânimo quando comparado ao início do ano, após a mudança da conjuntura e as pioras das perspectivas macroeconômicas, somadas à reversão do fluxo estrangeiro que impulsionava a Bolsa.“Se você olha a foto hoje, é pior do que a gente tinha no começo do ano. Por outro lado, temos valuations hoje que estão muito melhores do que em abril. Quando a Bolsa chegou perto dos 200 mil pontos, havia papéis que gostávamos muito na época, mas que já não negociavam por preços tão atrativos”, diz o analista da Empiricus.Juros altos, mas oportunidades ainda à vistaPara Rodrigo Santoro, mesmo com o atual patamar da taxa básica de juros (Selic), existe oportunidade de comprar boas empresas, com um valuation bastante atrativo. Ele destaca um juro real de 10 anos acima de 8%, que não considera sustentável no longo prazo e abre uma oportunidade de entrada na Bolsa.“Na nossa visão, é uma oportunidade de poder comprar boas empresas. O investidor hoje não precisa tomar um grande risco para ter retornos elevados e de fato virar sócio de bons negócios que vão crescer acima da inflação e vão trazer retorno para o investidor”, diz. Ruy Hungria, da Empiricus, acrescenta que a razão para se ter ações não está no fiscal ou nos juros — dois fatores que têm deixado o cabelo do mercado em pé —, mas os valuations estão tão atrativos que acabam minimizando esses poréns. Para aproveitar as oportunidades que a Bolsa oferece, os especialistas chamam atenção para as empresas capazes de combinar um balanço forte, baixa alavancagem, liderança no setor, capacidade de repassar preços e uma geração consistente de caixa.Em contrapartida, empresas alavancadas acendem um sinal de alerta, considerando que os juros elevados pesam sobre as despesas financeiras, o que pode cortar projeções de lucro e negócios mais frágeis tendem a perder a competitividade. O que manter no radarNa atual conjuntura do Brasil, o head de equities da Bradesco Asset pondera que as empresas pagadoras de dividendos são grandes vencedoras. “Hoje você consegue montar uma carteira de dividendos que pague 8% de dividend yield por ano com uma certa facilidade”, diz Santoro, citando como exemplo o Itaú (ITUB4), que combina a característica de boa pagadora de dividendo com um crescimento expressivo dos resultados. Na visão dos analistas, há uma quantidade de eventos pela frente que deve trazer uma volatilidade na Bolsa no segundo semestre, no entanto, se o cenário seguir o roteiro, a expectativa é que a Bolsa retome patamares próximos aos 200 mil pontos.“Isso porque hoje o nível de preço de partida que a gente tem é muito atrativo, ele acaba trazendo essa margem de segurança maior do que a gente tinha lá trás”, diz Santoro. Uma boa carteira para a atual perspectiva, na visão de Ruy Hungria, é composta por nomes que o investidor sabe que, independente do contexto, têm capacidade de entregar algum retorno, e no melhor dos cenários, poderá ainda usufruir da redução da percepção de risco. Hungria cita, além do Itaú, a Direcional (DIRR3), que vive o bom momento do segmento de baixa renda e está posicionada para atravessar diferentes situações, além de ser uma pagadora de dividendos e com perspectiva de continuidade de bons resultados.Outro nome citado pelo analista da Empiricus é a Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, que vem mostrando uma evolução dos resultados, além de aproveitar um contexto de preços elevados de energia e tem no radar o pagamento de dividendos principalmente no próximo ano. Rodrigo Santoro chama atenção para o setor de utilities e destaca a preferência da Bradesco Asset por Equatorial (EQTL3), que entrega uma TIR (taxa interna de retorno) real de 12% e um bom histórico. O analista menciona ainda a Localiza (RENT3). Apesar de a empresa ter sofrido com um panorama ruim para carros usados e juros altos, a empresa está recuperando margens e pode se beneficiar se o ciclo de juros melhorar.Veja o painel na íntegra: