Plano Safra não contemplou pleito do setor, diz presidente da Abag | CNN AGRO NEWSO presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Ingo Plöger, afirmou que há uma falta de alinhamento entre o novo Plano Safra e a discussão em andamento na Câmara dos Deputados sobre a renegociação de dívidas de financiamentos rurais de produtores afetados por eventos climáticos, especialmente no Rio Grande do Sul. Segundo ele, muitos produtores aguardam a definição das novas regras para reestruturar dívidas antigas antes de contratar novos financiamentos.Para ele, essa indefinição também tem impacto sobre os investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas, segmento que, segundo ele, registra desaceleração enquanto o setor aguarda uma definição sobre a renegociação das dívidas. “Vamos precisar ver o que será realmente efetivo. Hoje temos mais dúvidas do que certezas”, afirmou. Segundo o presidente, o Plano Safra anunciado pelo governo federal “foi o que foi possível” diante da atual conjuntura econômica do país, disse em entrevista à CNN Agro News. Leia Mais Produtor paga por custo da inadimplência e renegociações, diz CNseg Às vésperas do Plano Safra, inadimplência pressiona e crédito fica restrito Juro alto durante construção de Plano Safra travou crescimento Segundo ele, os recursos disponibilizados pelo programa representam cerca de 25% do financiamento necessário para a agricultura brasileira, enquanto os demais 75% são obtidos por meio do mercado privado, em operações com instituições financeiras, clientes e fornecedores.“A Abag tem se posicionado há algum tempo que o Plano Safra devia ser um plano quinquenal, um plano de Estado que você trabalha mais a longo prazo, e você faz os ajustes a cada ano, como um ajuste temporal, tanto pela parte climática quanto pela parte mercadológica. Quando você faz anualmente, você sempre está sujeito à influência do momento de governo, e isso prejudica uma visão de Estado, disse.Ao comentar as taxas de juros, Plöger destacou que os encargos destinados aos pequenos produtores, entre 1% e 3% ao ano, são favoráveis no atual cenário econômico. Já para o crédito empresarial, com taxas entre 8% e 12%, ele afirmou que o custo permanece elevado, apesar de ser inferior à taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14%, e às taxas praticadas em operações de mercado, que podem chegar a 20% com o spread.Segundo Plöger, a combinação de preços menores para produtos agrícolas cotados em dólar e custos mais elevados dos insumos reduz as margens dos produtores, o que tende a dificultar a contratação de financiamentos para capital de giro e investimentos. Na avaliação dele, esse cenário leva tanto os produtores quanto as instituições financeiras a adotarem maior cautela na concessão e contratação de crédito.O dirigente também afirmou que parte dos recursos do Plano Safra poderá permanecer sem utilização ao final do ciclo agrícola, caso as condições econômicas e financeiras não favoreçam a tomada de empréstimos. “Vamos chegar ao final da safra e vamos ver pelo enquadramento que nós vamos ter ainda muitos recursos disponíveis não tomados, porque não se calcula, não se consegue efetivar, quando você vai fazer investimento”, disse.