Filho do tio, criança devolvida e pastor preso: as polêmicas da família Poncio

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O pastor Marcio Poncio foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (2), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada “Máfia do Cigarro” no Rio de Janeiro. Mas essa não é a primeira, nem a maior polêmica da família Poncio, que chamou atenção nacional na internet mostrando a rotina de ostentação.Marcio construiu seu patrimônio principalmente no mercado de tabaco e como pastor evangélico há mais de duas décadas. Em 2022, o empresário também tentou entrar para a política, se candidatando para deputado federal pelo Rio de Janeiro, mas terminou como segundo suplente. Em 2025, ele anunciou que tentaria a Prefeitura de Três Rios (RJ), em uma eleição suplementar, quando o atual prefeito foi cassado, mas não foi eleito.FamíliaMárcio, patriarca, pastor presoSimone, esposa de Márcio, pastoraSaulo, filho do casal, músicoSarah, filha do casal, deputada estadual pelo RJFilho familiarO maior escândalo envolvendo o sobrenome do pastor ocorreu entre 2017 e 2018, quando a então namorada de Saulo, Letícia Almeida, teve um filho. A criança foi registrada por Saulo, mas um teste de DNA descobriu que o bebê era fruto de uma traição.O exame detectou que o verdadeiro pai era Jonathan Couto, que “deveria ser tio” da criança por ser casado com a outra filha de Márcio na época, Sarah Poncio, irmã de Saulo. A traição repercutiu na mídia e abalou a família.Acusações de estuproSaulo Poncio, ex-cantor, enfrentou alegações de estupro em 2023, quando a influenciadora Laura Araújo foi a público contar que havia sido estuprada por ele durante uma festa. O caso, porém, foi arquivado definitivamente pela Justiça, após o Ministério Público concluir que não havia indícios suficientes para sustentar a denúncia.Além da acusação de violência sexual, o ex-vocalista da UM44K também foi alvo de acusações de agressão e violência física pela mesma influenciadora que o denunciou por estupro, e pela criadora de conteúdo Brenda Monique, mas os casos também foram arquivados pelo MP.InfidelidadeO filho de Marcio também foi alvo de várias denúncias públicas por infidelidade durante seu casamento com Gabi Brandt, que durou de 2019 a 2022.Eles tiveram três filhos juntos: Davi, Henri e Beni, mesmo com a esposa o acusando diversas vezes de ser infiel, incluindo vídeos expostos por funcionários de um hotel e outras mulheres nas redes sociais. Apesar das diversas acusações, após três anos separados, o casal reatou o relacionamento em 2025.Antes de reatarem, em 2023, Gabi Brandt acusou Saulo de não pagar pensão alimentícia dos três filhos de forma regular. Na época, Marcio alegou publicamente que as cobranças eram exageradas, mas o processo foi encerrado quando os dois voltaram a morar juntos, em 2025.Criança devolvida A deputada Sarah Poncio (Solidariedade) se envolveu em uma polêmica em 2021, quando teve que devolver seu filho adotado para a mãe biológica por não realizar o processo de adoção formalmente.A criança chegou à família quando uma babá dos Poncio viajou até o Ceará e trouxe o sobrinho de dois anos, que vivia em situação de vulnerabilidade com a mãe biológica, Mirelly Costa.A babá entregou a criança para Sarah e Jonathan Couto, que mudaram o nome da criança. Porém, em vez de fazer o processo de adoção oficial, os Poncio simplesmente acolheram a criança diretamente da família, em um processo conhecido popularmente como “adoção brasileira”. Em dezembro de 2021, após quase dois anos com a família Poncio, a mãe biológica da criança acionou a Justiça, reivindicando o retorno do filho. Ela alegou que estava sofrendo com problemas psicológicos pela falta do menino e declarou que nunca teve a intenção de colocar seu filho para adoção.Como nunca haviam concluído o processo de adoção, Sarah Poncio e seu marido foram obrigados a devolver a criança para sua família biológica, no Ceará, mas o menino seguiu utilizando o nome que a família Poncio havia escolhido.Dívidas FiscaisOs Poncios comandam um grupo com mais de 20 empresas, das quais 6 são do ramo do tabaco, como a Gudang Brasil e a New Ficet. Porém, o ramo do tabaco tem altas tributações, e a família acumulou mais de 70 inscrições na Dívida Ativa da União por não pagamento de impostos.Essas dívidas acabaram sendo repassadas para os CPFs dos membros da família, como a influenciadora e deputada estadual Sarah, que acumula R$ 1,74 bilhão em débitos tributários com a União, a maior parte em Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e Cofins.O pastor preso, Marcio Poncio, também tem dívidas empresariais em seu CPF, com um valor idêntico ao da filha, e sua esposa, Simone, responde por cerca de R$ 1,45 bilhão em impostos atrasados. Essa mesma estrutura de empresas de cigarro e o fluxo de dinheiro que alimentava o luxo da família serviram de base para as investigações recentes da Polícia Federal, que levaram à prisão do patriarca Márcio Poncio na Operação Unha e Carne, sob acusações de lavagem de dinheiro e conexões fraudulentas.PrisãoPoncio foi localizado em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ao todo, a operação cumpriu três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Rio e em São João de Meriti.Também foram alvos da operação o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado pela PF como líder da organização criminosa, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estavam presos no momento da ação.Segundo a Polícia Federal, esta nova fase busca aprofundar as investigações sobre indícios de lavagem de dinheiro praticada pela atual cúpula do jogo do bicho no estado, além de possíveis conexões do esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.As investigações avançaram após a análise de documentos apreendidos em etapas anteriores, que teriam revelado uma contabilidade paralela voltada à ocultação de recursos ilícitos. Os investigadores também identificaram registros de supostos pagamentos indevidos e indícios de doações eleitorais irregulares.Por determinação de Moraes, também foi autorizado o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. A operação ocorre no contexto da decisão do STF no julgamento da ADPF 635, que determinou à PF o aprofundamento das investigações sobre grupos criminosos violentos no estado e suas ligações com agentes públicos.