A situação financeira da Braskem (BRKM5) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (29). Após a Justiça conceder à petroquímica uma proteção cautelar de 60 dias contra a execução de dívidas financeiras, as agências Fitch Ratings e S&P Global rebaixaram a classificação de crédito da companhia para níveis que indicam risco extremo de inadimplência. A Fitch reduziu o rating de emissor da Braskem de CC para C na escala global e de CC(bra) para C(bra) na escala nacional. Já a S&P Global foi além e rebaixou a nota de longo prazo para D, classificação reservada a empresas consideradas em situação de default, após a obtenção da proteção judicial contra credores. Na prática, as decisões refletem a avaliação das agências de que a capacidade da Braskem de honrar seus compromissos financeiros se deteriorou significativamente.O que significam as novas notas?Os ratings de crédito funcionam como um termômetro da probabilidade de uma empresa pagar suas dívidas.No caso da Fitch, a nota C indica que um processo de inadimplência, reestruturação da dívida ou algum outro evento de crédito é considerado praticamente inevitável. A classificação fica apenas um nível acima do RD (Restricted Default) e do D (Default), que representam o efetivo descumprimento das obrigações financeiras.Já a nota D, atribuída pela S&P Global, significa que a agência considera que a companhia entrou em default. Isso pode ocorrer não apenas quando deixa de pagar uma dívida, mas também quando adota uma reestruturação considerada compulsória ou equivalente a calote para parte dos credores. No entendimento da S&P, a proteção cautelar concedida pela Justiça se enquadra nesse cenário.O que muda para a BraskemO rebaixamento tende a dificultar ainda mais o acesso da petroquímica ao mercado de crédito e pode elevar o custo de eventuais financiamentos futuros. Além disso, muitos fundos de investimento possuem restrições para manter em carteira títulos classificados como default ou próximos desse nível, o que pode reduzir a base de investidores da companhia.A Braskem busca negociar sua estrutura de capital em meio a uma prolongada crise da indústria petroquímica global, marcada por margens comprimidas, elevado endividamento e forte pressão sobre a geração de caixa. A companhia afirma que segue trabalhando em alternativas para fortalecer sua liquidez e preservar suas operações durante as negociações com credores.