A recente oferta inicial de ações da SpaceX (SPCX) abriu caminho para as empresas e plataformas de criptomoedas ofertarem papéis “pré-IPO”, uma novidade no mercado.Em termos técnicos, estamos falando da negociação de ativos tokenizados e negociados na blockchain, comumente apresentados na forma de contratos derivativos perpétuos (isto é, sem vencimento por strike price ou período de tempo).A diferença para alguns tipos de tokenização é que esse tipo de contrato tem como ativo subjacente (isto é, o “lastro” dos tokens) as ações dessas empresas. Antes do IPO, é possível comprar, vender e negociar esses contratos, que passam a servir como “termômetro” para o apetite dos investidores pela tese.É possível manter uma posição comprada (apostando na alta) ou vendida (apostando na queda), desde que exista colateral suficiente para sustentar a operação. A liquidação acontece, em grande parte, em stablecoins — como USDC (USDC) ou Tether (USDT).O exemplo prático disso é o próprio contrato das ações SPCX que movimentou, antes do IPO, uma média diária aproximada de US$ 26 milhões.Após o lançamento oficial dos papéis no Nasdaq, o mesmo ativo registrou uma movimentação de cerca de US$ 1,4 bilhão em apenas um dia, respondendo por aproximadamente 30% de todo o volume dos mercados lançados via HIP-3 na Hyperliquid (HYPE), onde os contratos foram negociados, explicou[GR1] Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin (MB), à reportagem do Crypto Times.“Ao mesmo tempo, outra frente também ganhou destaque: as ações tokenizadas. Diferentemente dos contratos perpétuos, elas buscam representar uma ação real por meio de um token negociado em blockchain”, disse ele, em referência a uma outra prática, já conhecida do mercado cripto, de emular o preço de um papél através de um token — que pode ou não ter o ativo subjacente como lastro, a depender da plataforma.As vantagens de entrar em um pré-IPO“Historicamente, esse acesso antecipado ficou restrito a fundos de venture capital, investidores institucionais, funcionários, fundadores e compradores qualificados no mercado secundário. Agora, o mercado cripto começa a testar uma alternativa” diz Luis Kuniyoshi, analista da Empiricus.Ele afirma que comprar um contrato pré-IPO de uma empresa não significa comprar uma ação. O investidor não recebe participação societária, não tem direito a dividendos, voto, alocação ou qualquer outro benefício típico de um acionista.O que ele possui é apenas uma posição financeira em um contrato (ou token de ação) que acompanha uma expectativa de preço. Além disso, esses contratos também podem funcionar como um termômetro para o próprio mercado tradicional. Ao reunir compradores e vendedores dispostos a alocar seus investimentos nesse ativo, eles ajudam a mostrar quanto uma parte do mercado está disposta a pagar por determinada empresa antes da listagem oficial.“Não é uma previsão perfeita, mas é um sinal relevante: diferente de uma simples opinião, esse preço nasce de investidores colocando o próprio dinheiro em risco”, diz.Problemas envolvendo ações tokenizadasO analista do MB diz que papéis tokenizados também chamaram a atenção de empresas do setor. “O entusiasmo foi tão grande que algumas das maiores corretoras do mercado cripto, incluindo Binance, Bybit e Bitget, lançaram campanhas para oferecer exposição tokenizada à SpaceX antes do IPO”, comenta.“No entanto”, continua Fontes, do MB, “essas iniciativas precisaram ser canceladas e os clientes foram reembolsados após problemas na obtenção das ações subjacentes necessárias para lastrear os tokens, evidenciando um dos principais desafios atuais desse mercado: garantir acesso e custódia dos ativos reais que servem de garantia para os tokens emitidos”.Apesar dessas dificuldades pontuais, o episódio reforçou uma tendência estrutural. A negociação de ações tokenizadas atingiu níveis recordes em 2026.Segundo o especialista do MB, nos últimos 30 dias, mais de US$ 4,3 bilhões em ações tokenizadas foram negociados on-chain, enquanto o volume acumulado de transferências ultrapassou US$ 20 bilhões pela primeira vez na história.Somente após o IPO da SpaceX, o volume diário de ações tokenizadas negociadas na rede Solana (SOL) superou US$ 100 milhões, com a blockchain chegando a concentrar cerca de 99% das negociações relacionadas ao ativo.