O Bitcoin segue em queda nesta terça-feira (30), operando abaixo de US$ 60 mil e caminhando para ter seu pior mês desde junho de 2022 conforme a aversão ao risco continua nos mercados, com um novo fator no radar: o iene japonês caiu para sua mínima em 40 anos em relação ao dólar, elevando a volatilidade no mercado de câmbio.Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 1,5%, cotado a US$ 59.262 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 310.625, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, tem leve alta de 0,1% a US$ 1.582. Já o XRP recua 1,3%, enquanto a Solana tem alta de 0,4% e a BNB cai 0,9%.Neste preço, o Bitcoin acumula queda de 19,5% em junho, caminhando para seu pior desempenho mensal em quatro anos, quando caiu 37,28% em junho de 2022.Segundo André Franco, CEO da Boost Research, o dia hoje é de cautela. “O índice de medo e ganância marca 15, em medo extremo, e o petróleo acima de US$ 70, puxado pela tensão no Oriente Médio, mantém o investidor longe do risco”, afirma ele.“Tecnicamente, o Bitcoin opera abaixo da média de 200 semanas pela primeira vez em meses, com suporte imediato perto de US$ 58,8 mil e resistência em US$ 61 mil, que precisa reconquistar para aliviar o curto prazo”, continua ele, destacando que os ETFs de Bitcoin à vista perderam mais de US$ 4 bilhões em junho, no pior mês da história desses produtos.Leia também: ETFs de Bitcoin perdem US$ 4 bilhões e caminham para pior mês da históriaNo lado macro, a inflação medida pelo PCE da semana passada manteve o Federal Reserve em postura dura, levando o indicador de previsão CME FedWatch a dar cerca de 70% de chance de manutenção de juros na reunião do fim de julho. Agora o investidor fica no aguardo para que o fluxo dos ETFs comece a ser retomado, o que ajudaria na recuperação do preço do Bitcoin.Enquanto isso, o iene recuou para o seu nível mais baixo em quatro décadas, cotado a 162,40 por dólar — a cotação mais fraca desde outubro de 1986, quando o republicano Ronald Reagan era presidente dos EUA.Essa desvalorização impulsionou o dólar de forma generalizada. O Índice do Dólar (DXY), que acompanha o valor da moeda americana em relação às principais moedas fiduciárias, subiu para 101,32, recuperando-se do patamar próximo a 101 registrado na segunda-feira.A fraqueza do iene não é novidade, mas tornou-se mais acentuada. A moeda, muito utilizada para financiar operações de carry trade (tomada de empréstimos a baixo custo em ienes para investir em ativos de risco com maior rendimento ao redor do mundo), desvalorizou-se cerca de 57% frente ao dólar desde 2021.Isso decorre de políticas monetárias divergentes: o Fed dos EUA elevou as taxas para acima de 5%, enquanto as taxas japonesas permaneceram próximas de zero. O Banco do Japão (BOJ) só recentemente elevou sua taxa básica para cerca de 1%, patamar ainda muito inferior à taxa americana de aproximadamente 3,5%.Analistas veem a queda do iene como um reflexo dos desafios fiscais do Japão se manifestando nos mercados cambiais. Com uma relação dívida/PIB superior a 220%, aumentos rápidos nas taxas de juros pelo BOJ correm o risco de desencadear uma crise fiscal. Por outro lado, a inação contínua permite que o iene se enfraqueça ainda mais.Por enquanto, as autoridades japonesas apostam na pressão verbal para conter a queda do iene, enquanto a postura mais agressiva do BOJ permanece, em grande parte, apenas no papel. Alguns analistas alertam que uma eventual ação enérgica do BOJ poderia desencadear o desmonte em massa de operações de carry trade financiadas em ienes, pressionando as bolsas de valores, o mercado de títulos e as criptomoedas.Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? A Renda Fixa Digital do MB é a solução: até 18% de ganho ao ano, risco controlado e a segurança que seu dinheiro merece. Conheça agora!O post Bitcoin hoje: BTC cai para US$ 59 mil e deve ter pior mês em 4 anos apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.